domingo, 21 de outubro de 2012

Patagônia, 927, 20; BH, 02101002012.

Algumas linhas perpendiculares, retas,
Tangentes, sinuosas, circulares, paralelas;
Preciso emaranhar-me nelas, prender-me,
Confundir-me ou esclarecer-me no raio;
Preciso de algumas linhas contínuas,
Intercaladas, inclinadas, pois as letras
Perseguem-me, as palavras arrebatam-me
E frases, sentenças, orações, períodos
Abduzem-me; preciso de figuras, objetos,
Coisas, formar uma polêmica, uma boa
Intriga ou uma confusão; não existo sem
As obras literais, arteriais, mananciais,
Lineares, reais; não tenho mais como
Postergar, procrastinar, tenho que
Prender-me nestas barras, para poder
Libertar-me; não a mim, mas ao meu ser,
Ao meu ente, meu espírito e alma;
Preciso me prender para libertar todos
Que ocupam as moradas dentro de mim;
Letras me inquietam, palavras me
Transtornam e tormentos atrás de
Tormentos, e tempestades após
Tempestades, e ventanias através de
Ventanias, passo a estes papéis
Lapidares, a estas pedras tubulares,
Os pensamentos preciosos e os
Semi-preciosos, amarrados nas linhas
Do meu interior; notícias, fatos, boatos,
Livros, poemas, poesias, odes, elegias,
Compõem-me na minhas estruturas
Subterrâneas e querem vir à tona,
Depois de milênios de gestação no
Infinito do carvão atômico que me
Sustenta; mais raros e caros do que
Petróleo, diamante, platina, ouro,
Urânio enriquecido; e dou-vos
Com prazer, estes meus tesouros.

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