domingo, 23 de agosto de 2015

MIKIO, 142; BH, 0260402013.

Meus membros estão fracos, cansados,
Nenhum poeta já se sentiu tão
Cansado, tanto quanto sinto-me
Cansado agora; e é um cansaço
De não suportar uma pena que pesa
Toneladas; uma pena que não
Traça uma letra, não rabisca
Uma palavra; a mão que tenta
A segurar, está flácida, mão de
Velho decrépito, mão trêmula,
Que mete mais medo, do que
Dá alguma garantia; é uma mão
Sem serventia, não deixa sentir
O braço e impede a respiração,
Como? não sei, mas percebo a
Dificuldade de respirar, pelo cansaço
Que causa-me; quem é mais
Cansado do que eu neste mundo?  não
Suporto a cabeça erguida, mantenho-a
Pendente, às custas para a frente; é
Uma cabeça tontinha, de chumbo,
Dói-me suportá-l no meu
Eterno cansaço; quantas letras
Fazem um homem existir? quantas
Palavras formam um ser? quantas
Páginas são necessárias na
Composição duma vida? que
Cansaço é este meu Deus? o que
Fazer para viver brevemente?
Viver levemente, como uma
Brisa que sopra do mar? como
Um vento tênue que vem numa
Tarde, acariciar as pétalas das
Rosas dos jardins das vizinhanças.

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