domingo, 13 de setembro de 2015

MIKIO, 100; BH, 0170302013.

A pior coisa para um embriagador
Crônico, é a lucidez; o bêbedo foge
Da sobriedade, do discernimento
E ser lúcido para o bêbado é morrer;
A pior coisa para um viciado é a
Abstinência, é ficar normal e
Ter que enfrentar a luz do dia;
Beber água fresca de riacho, molhar
Os pés no regato, tomar banho
De ribeirão, mil vezes o hospício, o
Hospital psiquiátrico, o sanatório, o
Manicômio, a prisão para loucos
Agressivos, os reservatórios para
Maníacos; mil vezes confinado
Em solitária e ser servido à hora
Para embriagar-se, enlouquecer-se
Estupidamente mais; é bizarrice ser
Racional, é bisonhice possuir razão,
É morbidez ter percepção, é decrepitude
Ter intuição; o aloprado não que raciocínio,
Dialética, ética, diálogo; quer é ficar
Louco de tanta mudez, alienado e
Surdo a tudo, de tanto escutar os
Gritos de esperança e de salvação
E descarta a boia jogada e prefere
Morrer afogado; pois, a pior coisa
Para um embriagado, é a descoberta
De que, é um livre pensador; e odeia
O pensamento livre, detesta liberdade,
Opinião própria, mente sã; obtuso,
Quer a obtusidade absurdamente e a
Absurdidade obtusamente; e não
Deixa o desassossego por nada, as
Letras ferem-no, as palavras sacrificam-no;
E realiza-se ao saber que, mais um gole,
Será a gota fatal para o afogamento no
Próprio vômito e pede mais um gole.

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