domingo, 27 de dezembro de 2015

Às letras malfadadas; BH, 080802013.

Às letras malfadadas e antigas letras,
Às letras que ninguém mais dá atenção,
As comemos mais do que churrasco,
Feijão com arroz e pão; as bebemos
Mais do que cerveja, cachaça e 
Conhaque, café; e mutilamos as 
Palavras, as palavras saem das nossas
Bocas, mordidas, a faltar pedaços,
Mastigadas; e ao vomitarmos as 
Letras que bebemos, as letras que 
Comemos, os nacos de palavras
Cruas, os bocados de expressões que 
Engolimos, para um prato de papel,
Sofremos a maior dificuldade da 
Existência; e vomitamos um vômito 
Que nos faz mal, no prato em que 
Comemos; e nada conseguimos 
Apurar, vem tudo misturado com bílis,
Com suco gástrico e dejeto estomacal;
E não temos a coragem de meter
A mão na sujeira, emendar 
As letras, fazer remendo nas 
Palavras, salvar alguma coisa da 
Nossa lavra interior; e formalizar 
Um pensamento, concluir um raciocínio,
Manter um diálogo, um discernimento,
Uma percepção, uma razão, ou um 
Fruto da nossa intuição; e crônica,
A prosa, o texto que sonhávamos viram
Pesadelo e inda saímos a mostrar 
Aqueles desmazelos, para o desprezo
Dos que não nos amam e que não amamos.

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