sábado, 16 de janeiro de 2016

Sento-me à mesa como se fosse fazer; BH, 02601002012.

Sento-me à mesa como se fosse fazer 
O primeiro almoço, o prato está à minha
Frente, vazios os dois; espero que seja 
Servida a refeição e não tenho fome,
Bebo do vinho e não como do pão; a refeição
Veio quente e chegou à minha boca fria,
Mais frio estava o meu estômago; imprudente,
Sirvo outra taça, o vinho tinge de vermelho o
Meu sangue; o pão amarga, molho-o no 
No vinho sangrento, levo-o à boca, vinagre; 
Com tanta luz, não enxergo nada, com tanto 
Calor, sinto frio; o garfo não saiu do lugar,
Olhei através da vidraça das salas, vi os 
Vitrais dos prédios, pessoas que nunca 
Pareciam ter comido comida, comiam 
Como se fossem comidas; perdido, perdi
A fome que não tive; o vinho não matou
Minha sede; bolo de levedo formou-se no
Estômago, deixei a mesa, fui à sala, como 
A porta estava aberta, se a havia trancado? 
Buzinaram no portão em frente, rangido,
Batido, latido; a tarde morria em agonia 
E em angústia afoga-me no tédio; vi com 
Ansiedade no olhar que inda estava
Sozinho e todos os olhares das janelas,
Olhavam-me reprovadores; o estômago 
Doeu, a trazer-me de volta à falsidade; 
Salivei como se fosse vomitar, mordi os 
Lábios, passou a ânsia; acendi aquele 
Cigarro que estava guardado há tanto 
Tempo na cigarreira; lembrei que 
Teria que passar à tabacaria, saí à rua,
A multidão engoliu-me e anônimo,
Anômalo, virei a esquina do nada.    

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