segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Divina providência dá-me a santa paciência ; BH, 01101102012.

Divina providência dá-me a santa paciência
E o santo dom da tolerância
E a beata vivência; divina providência,
Dá-me a santificação da poesia e a 
Canonização do poema, a beatificação
Do soneto do meu dia a dia; sei 
Que faltar-me-á muitas outras coisas,
Que à vida de um artista, não podem
Faltar; decoro e decência, coerência e 
Comportamento politicamente correto;
Faltar-me-á atitude ética e a honestidade
Que comigo não quer andar e a destreza 
Do pensar que comigo não quer caminhar;
Se seguir sozinho na estrada, não acharei
O caminho, me perderei e não chegarei
Em nenhum lugar; e se a providência 
Divina abandonar-me, aí é que tudo 
Vai danar-se, a percepção voará para
Longe, a sorte sumirá e só o azar 
Reinará em minha vida; e viver sem
Dialética, viver sem filosofia, é o 
Mesmo que morrer; teimarei em 
Recorrer à providência divina, mesmo
Já senil e decrépito e não ter mais 
Nada a perder, pois, se teve uma coisa
Que, soube fazer no meu viver, foi 
Perder; teimarei, queimarei as últimas
Energias da velha bateria num 
Aquecimento a esta carne fria; e se 
Merecer, aqui deste canto da escuridão, 
Antes que possa parar, a luz brilhará 
Em meu coração de ancião.

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