segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Moves essa mão em movimentos sinuosos; BH, 01101102012.

Moves essa mão em movimentos sinuosos,
Em dança de balé clássico, na face 
Da folha deste papel palco; moves 
Essa mão morta, esse pulso inerte,
Em performance de atos de artes
Cênicas, de cenas de cinema, de 
Árias de óperas; moves essa mão 
Defunta, decepada desse braço
Sem corpo e desdenhas dos desenhos 
Da realidade; saias desse abismo
Sepulcral e habita de novo um 
Corpo, seja habitante dessa nova
Habitação de carne e osso e beba
Desse sangue arterial; é doce, é
De mel, é de leite fresco de 
Mamíferos selecionados; é de vinho
De uvas das mais altas castas; moves
Essa mão, a poesia ordena-te, moves
Essa mão e canta uma canção, o 
Vento agoniza, está de pé a espera 
De ti; a agonia do poema em luta
Pela sobrevivência, exige de ti, uma
Nova vida; são muitas, milhares as vozes
Que querem falar aos teus ouvidos; terás
Que ficar desperto de geração em geração,
A gerar conceitos com essa mão; moves
As pálpebras, bates os cílios e as pestanas,
Pulses os globos oculares, estás vivo, sim,
Percebo que estás vivo, revigorado,
Com tutano nos ossos, com medula,
Entranhas, organismo, estás vivo, que 
Percepção, salva a poesia com o teu coração.   

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