segunda-feira, 14 de maio de 2018

Coração canceroso e que tem a natureza do câncer; BH, 0401002000; Publicado: BH, 0101002013;

Coração canceroso e que tem a natureza do câncer,
É daquele peito cheio de tumores, igual à concha; é 
O campo de futebol, no dia de decisão de campeanato,
É aonde se realizam corridas de cavalos, em dia de
Grande prêmio; e não tem como abrir, não tem como
Dar passagem e se mexer é aí que piora mais ainda
E no dia final do cancioneiro, desliga a máquina e
Deixa à mão, a coleção, o livro de canções, de poesias;
Deixe no ouvido a cançoneta, a pequena canção 
Popular musicada, pode até dizer que o moribundo é
Um cançonetista, é um dos que compõem e canta canções
De cunho popular; um Moreira da Silva, um Zeca Pagodinho,
Um Nelson Cavaquinho, ou qualquer outro, Cartola por
Exemplo; fala que este cancro que escreve, esta moléstia,
Esta úlcera venérea, é um candango qualquer; pensava ser
Um utensílio de ferro com que os carpinteiros seguram a
Madeira nos bancos e não passou de uma sombra, de uma
Imagem tênue no lençol; não teve o nome com que os
Africanos chamavam os portugueses; não foi trabalhador
Pioneiro na construção de Brasília e nem teve um poema
Escrito e enriquecido sob a luz de um candeeiro, o
Aparelho que servia para dar iluminação pela queima de
Querosene, óleo, ou gás, nos tempos em que os 
Verdadeiros poetas, se consumiam igual a luz da vela, da
Candeia para escrever, à luz da pequena lâmpada dum
Bico, duma vela de cera; hoje os poetas escrevem à luz
Do candelabro, à luz de grande castiçal, com ramificações
E cada qual corresponde uma vela, ou lâmpada, ou lustre
Sem cadência; sem a qualidade e estado do que é, e do
Que está candente, tal a poética de hoje, o canto que não
Aqueceu muito, a alma que não está em brasa; o espírito
Que não está abrasado e qualquer um só quer candidatar-se
Aos prêmios da mídia, aos brilhos dos holofotes, às cifras
Do grammy e declarar-se poeta, gênio; candidato ao
Oscar e apresentar-se como aquele que concorre a um
Cargo eletivo com a mentira e a falsidade na voz, nos atos,
E ao lado dele; aquele que pretende determinado emprego,
Cargo, ou função, a colocar a candidatura, com qualidade e
Apresentação como se fosse um sufrágio; e é o naufrágio do
Cândido, é o naufrágio do puro, o fim ingênuo, a poluição do
Branco; é o alvo de todas as miras e não sabemos mais
Onde o enriquecimento da poesia; onde ficará o valor do
Poema, a obra-prima-clássica-das belas artes; a pureza
Do ritual religioso fetichista afro-brasileiro, de influência
Jej-nagô e que rende o culto aos orixás; fica profanada,
O lugar onde se realiza esse ritual, vira palanque, a sede
Religiosa do culto, não é mais respeitada e a antiga
Candonga, se transforma em carícia fingida; a paixão
Serve para mexerico e fofoca e a pessoa querida é
Usada como triunfo contra os adversários; e candongar
Agora só em sonho, adular pode gerar pesadelos e só
Quem lucra é o político candongueiro; mexeriqueiro e
Intrigante, com caneca de fel na mão, com o vaso
Cilíndrico, com asas sem saber voar e o líquido é o
Vinagre com sal; o caneco já está cheio, a transbordar,
É comprida a ambição, o orgulho, a vaidade, a inveja
E toda reunião política neoliberal e globalizante, acaba
A se transformar num canjerê clandestino de dança que
São usados contra o povo; tenho dito no meu canto de
Cantador; quem tem ouvidos ouve quem canta, ouve o
Cantar popular; o poeta cantante, ouçam o musical do
Silêncio das letras, ouve o verso que é para ser cantado;
Os cantares, os cânticos, os cantos populares, ouve até
O cantarolar, o trautear à meia voz, o cântico, o hino em
Ação de graças, o canto religioso, a ode; quem tem ouvidos,
Ouça: tenho dito, cantado, ouça o que o cantador diz, ouça. 

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