quarta-feira, 21 de julho de 2021

Dizia ser atrofiado sem adorno

Dizia ser atrofiado sem adorno
Estéril sem blandícia que não
Tinha espermas que nem tinha
Virilidade que era sem sexo que
Nunca sentia falta de mulher
Alguma que era eunuco capado
Mesmo castrado que era um
Seco um sem vida que não fazia
Vida que era a morte que era
Um morto insuficiente fútil
Inútil vão vil que não podia
Ser pai nem ser homem que
Não podia ser amante que não
Era um ser humano que não
Era um ser homem comum que
Faltava honra orgulho próprio
Que não podia fazer amor que
Não podia ter mulher nem fibra
Que nem nunca teve uma marca
Peculiar que não era registrado
Sim um descarado sem vergonha a
Ficar a andar ainda atrás de mulher
Se não podia fazê-la feliz ou ter
Prazer ou ser mulher como gostam
De ser dizia ser atrofiado sem
Metáfora ou um estéril sem sentido
Figurado que literalmente não
Tinha o órgão genital que de fato
Oficialmente não era normal fado

RJ/1977; Publicado: BH, 0210702021

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