Blog do Ivanovitch 2: (CANDIDATO AO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA)
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domingo, 21 de junho de 2026
sábado, 20 de junho de 2026
quinta-feira, 18 de junho de 2026
não tenho nada a dizer à humanidade do mundo
não tenho nada a dizer à humanidade do mundo
não sou pregador não sou poeta não sou profeta
nunca tive um ditado como ditavam os professores
nos tempos de escola nunca tive um livro capítulo
um versículo como os pastores nos tempos de igreja
nunca tive um verso uma estrofe um samba de
partido alto como nos tempos da boemia ou uma
seresta ou uma serenata cantadas diante duma
janela nos tempos das namoradas por ora tenho
outras coisas menos saudosas menos nostálgicas
são mais preocupações mais preconceitos são
sentimentos mais graves mais agudos doloridos
que causam depressões como o racismo a violência
contra as mulheres nossas mães as desigualdades
as injustiças então como não sei o que dizer fico
mudo nem adiantaria abrir a boca para falar alguma
coisa ninguém daria ouvidos o ser humano nunca
deu ouvidos nunca foi sensato a raça humana sempre
desprezou o humanismo as palavras libertadoras as
letras rebeldes revolucionárias as expressões
idiomáticas salvadoras esperançosas as frases geniais
as sentenças fenomenais não impediram o absurdo
sempre aparece um george bush um donald trapo um
bolsonaro nada humanos de vez em quando um ser
raro das profundezas celestes um lula de consciência
total um polvo libertador de povo porém não a todo
momento só de vez em quando ao tentar trazer um
pouco do conforto do amor da paz de mil em mil anos
BH, 0120302026; Publicado: BH, 0180602026
no escuro do quarto escuro homem escuro obscuro
no escuro do quarto escuro homem escuro obscuro
obtuso não percebi nem a luz do toco de vela nem
o frufru da cortina da janela sujo o lençol sujo a
cama suja o quarto sujo o mundo está sujo não
desejo um mundo limpo se cada alma é mais suja
do que um ânus para que o mundo não seja mais
imundo do que é é preciso higienizar as almas do
mundo sem almas limpas o mundo nunca será
limpo percebi agora que a energia voltou a luz da
sala reacendeu porém procurei permanecer sozinho
no escuro da minha escuridão não me levantei para
acender a luz do quarto no breu não sinto a sujeira
nem me sinto um eu lírico prefiro prefiro
permanecer físico sem ânimo para viver o mundo é
dos mortos deixo o mundo com seus mortos não
quero entrar na história já tenho os mortos do meu
mundo comigo carrego-os sozinho num ataúde do
tamanho do infinito pesam toda uma força de
gravidade pesam todos uma teoria da relatividade
uma conjectura escondida antes do big bang a vida
começou num tiro até hoje o universo está sujo de
pólvora porém o brilho das minhas ancestralidades
africanas dos meus antepassados africanos permanece
BH, 090402026; Publicado: BH, 0180602026
sábado, 13 de junho de 2026
sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via
sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via
seguia pela rua esguia erguia o olhar meus olhares
pairavam nas esquinas onde estavam as meninas que
saíam dos inferninhos sem freguesia esperavam num
último alento de esperança alguma bonança dalgum
cliente retardatário usuário dos serviços ordinários
o sol nascia sereno orvalho o primeiro raio pousado
num galho quem não ganhou à noite sem agonia não
vai ganhar ao dia corpo vadio pede folia porém a
alma com o espírito entenebrecem precisam dum
descanso para retornar às atividades da vida fácil que
é sempre dura difícil tirar algum do regaço do
regaçado para quem a igreja prega celibato a menina
foge do orfanato vai para onde o dinheiro paga o uso
do corpo pelo baronato barato que às vezes nem quer
pagar o mínimo pelos orgasmos forçados falsificados
os beijos gelados a mão fria no ferro ardente o leite
coalhado derramado no asfalto limpa a mão num pano
de chão pega a merreca amassada no fundo do bolso das
calças enquanto o corvo dorme dá adeus até nunca mais
BH, 0190502026; Publicado: BH, 0130602026
sexta-feira, 12 de junho de 2026
depois da poesia escrita o poeta sai da fita
depois da poesia escrita o poeta sai da fita
após o poema sai de cena faz o soneto o
poeta jaz no leito findou a elegia de fato
o poeta é epitáfio a obra agora é por
conta própria o bardo não tem mais
responsabilidade a seu lado o aedo com
o medo do resultado se escondeu num
sobrado apagou as luzes das cruzes as
velas das janelas abafou com as sujas
flanelas as tochas os archotes as piras
todas as fontes luminosas iluminadas
poeta foste tu que escreveste isto? poeta
renegado sou renego meu pai universo
não tenho mais dom não sou mais gênio
mau a fazer mal o que era bom o que era
melhor agora só faço falcatruas cruas
mas em qualquer lugar até no meio da
rua um diógenes de sinope em sincope
a autoridade veio me alertar creio que
infringi a lei cri no débito fui um lixo
serás punido por isso tenho culpa no
cartório notório notário sou otário lavra
a escritura chama a dura cadeia no
gouveia que não tem sangue na veia
suor no rosto odor no corpo sebo nas
canelas comeste o pão que o diabo
amassou bebeste o sangue escorrido
da carne fraca na salmoura banha de
porco salgada pão velho mofado poeta
enfadado descarta num descampado
BH, 0190502026; Publicado: BH, 0120602026
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