fico por aqui por não saber ir adiante
avante para a frente como todo corpo
que não é dormente fico por aqui
novamente quando a terra passar
por mim de volta pelo passeio
através do universo estarei no
mesmo ponto nem um passo a
mais nem a menos sempre a
teimar com o mais do mesmo
ninguém me lança as vísceras na
cara nem vomita na minha boca
a comida que poderia matar a
minha fome ninguém me guarda
dentro das entranhas ou me
resguarda num útero como se
fosse a minha mãe de úbero
ninguém me dá um peito de pai
fico órfão em situação de rua
lançam pedras pontiagudas
onde enterraria minha caveira
para dormir vejo que não sou
produto do meio dos homens
os homens enchem-me de
medo de raiva de rancor
passo odiar como se fosse
m homem também passo a
sentir vontade de matar de
fome de sede nem quero mais
me sentir homem nem humano
nem da raça humana nem da
humanidade não quero me sentir
mais um ser sonhei que veio um
ente vestido de branco como se
fosse um fantasma ou uma
assombração com uma marreta
nas mãos quebrou todas as
pedras pontiagudas do meu
caminho pude estender o meu
esqueleto inofensivo meus trapos
farrapos restos mortais essa
entidade sobrenatural acalentou
o meu coração não era um
super-homem ou um herói de
ficção era de carne de osso mas
com uma força descomunal uma
força de dom helder câmara ou
uma força de dom paulo evaristo
arns dom adriano hipólito esse
ectoplasma me acolheu não
acreditei que no meio dos
homens havia um homem dentre
a garoa as lágrimas nos fundos
dos meus olhos embaçados de
velhote distingui a imagem
reluzente do padre júlio lancellotti
BH, 0160202020; Publicado: BH, 0170202020
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