Blog do Ivanovitch 2: (CANDIDATO AO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
quem não sabe escolher suas escolhas não é escolhido
terça-feira, 25 de agosto de 2026
ESTOU CEGO DE VERDADE ESTOU CEGO DE VERDADE, GERALD THOMAS:
“Estou cego de verdade, estou cego de verdade,
estou cego de verdade, estou cego de verdade.Quem faria isso comigo? Os de cima? Os de baixo?
Olhe fundo nos meus olhos e diga: aqui um universo?
Que eu não ria. Que eu não ria.
A maquinaria não é propícia.
Os menores erros, eu disse, os menores erros
são percebidos.
Se essa maquinaria fosse perfeita,
não precisaria de perfeição no resto.
Luz. Aqui. Luz. Som. ALI
Se essa maquinaria fosse uma realidade,
não criaria essas palavras que a destroem.
Mas, de que vale? Nossos poetas estão mortos.
Nossa música não tem heroísmo.
Nós não temos corpos, somos fracos, somos rasos.
Nossos casos moribundos. Julgamentos um acaso.
Nossa obra, a obra do acaso total.
Clamo. Que me acordem se eu estiver dormindo.
Concordo!
Minha angústia, meu espírito.
Minha angústia, meu espírito.
Convoco! Uma nova geração de criadores.
Que se afunilem e se intoxiquem,
mas ouçam os lamentos das cidades.
Que se estrangulem, mas achem
a geometria de um parangolé brasileiro.
Que chova sobre nossa poesia!
aproveito que estou a sós roubo um tempo
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
A CRUZ DA ESTRADA, CASTRO ALVES
Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.
Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pousar.
É de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.
Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.
Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.
Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.
Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.