terça-feira, 5 de maio de 2026

que absurdidade é essa esse desassossego que tenho que viver

que absurdidade é essa esse desassossego que tenho que viver
mil vezes morrer talvez não incomode mais aos indiferentes
toda absurdidade todo desassossego que a humanidade tem
que passar mas a mim me incomoda sim muito nem tenho
como reagir são poucos meus movimentos são loucos meus
pensamentos são descontrolados meus organismos
desarranjados meus intestinos incerto meu destino não quero
isso para nenhuma menina nem para nenhum menino até
minhas salivas são abundantes minhas lágrimas rolantes penso
que seja hidrofobia cólera raiva rancor ódio ira perdi minha
harpa não toco mais minha lira a gaita de fole a harmônica
triste a flauta doce ficou amarga azeda o trem bão não passa
mais na minha estação ops segui pela estrada de ferro a pé a
costear os alambrados as veredas as montanhas carregava
minhas doenças nas entranhas um peso morto de pedra pesada
uma falta de consciência total que só me fazia mal misturada
com uma inconsciência total de mau não consigo ser lúcido
nem lúcifer foi lúcido nem kant tinha razão pura quero uma
crítica da razão pura se perdi a pureza vivo na impureza sem
conhecimento embaralho tudo sem cartas nas mangas confundo
sem mim o mundo ficará menos imundo não chego à conclusão
a única conclusão é morrer sem confusão sou vencido sem data
de validade sem nem ser movido pela velocidade da luz aonde
posso chegar então? a nenhum lugar comum estão todos
ocupados pelos vitoriosos vencedores que chegaram na frente
dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço cheguei por
último srei sempre o último aonde tiver de chegar sem a luz

BH, 0100302026; Publicado: BH, 050502026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

arrebatador universo seja arrebatador comigo

arrebatador universo seja arrebatador comigo
é que corro perigo pelo que persigo preciso
ser arrebatado manda um furacão um
redemoinho me coloca no ninho me joga no
teu olho em arrebentação arrebatadora estás
aí a ouvir universo? não sou daqui quero ir
para o lugar donde vim me leva de volta em
tempestade universal em temporal espacial
quero fluir nas ondas cósmicas dos cosmos
não quero ser nem cosme nem damião sabes
muito bem das minhas necessidades nem
falarei mais nada enquanto não obtiver
respostas num vento solar quente enriquecido
imantado magnetizado que mais universo
podes fazer por mim? não me perguntes
porque não sei as respostas pois as respostas
quem as sabem são as leis dos infinitos dos
ditados dos astros das constelações dos
aglomerados de galáxias como posso existir
sem as minhas estrelas? não quero existir as
estrelas me chamam pelo meu nome tenho
que ir a ser arrebatado por ti igualado no teu
tamanho bitelo no teu bojo deitado no teu
berço ninado no teu colo vem logo universo
é só um segundo de luz um fóton de distância
uma partícula vapt vupt lá fui arrebatado em
arrebatação arrebatadora ninguém aqui sentirá
falta nem dará queixa pelo sumiço ou até
graças a deus partiu rumo a eternidade onde
não foi identificada aquela nova estrela
observada fora de todos os sistemas solares

BH, 0100302026; Publicado: BH, 0400502026

BETO GUEDES:


 

BETO GUEDES, O SAL DA TERRA:

Anda, quero te dizer nenhum segredoFalo desse chão da nossa casaVem que 'tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anosQuero não ferir meu semelhanteNem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundoPra banir do mundo a opressãoPara construir a vida novaVamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao ladoE quem não é tolo pode ver
A paz na terra, amorO pé na terraA paz na terra, amorO sal da terra
És o mais bonito dos planetas'Tão te maltratando por dinheiroTu que és a nave, nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmoniaE nos alimenta com seus frutosTu que és do homem, a maçã
Vamos precisar de todo mundoUm mais um é sempre mais que doisPara melhor juntar as nossas forçasÉ só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agoraPara merecer quem vem depois
Deixa nascer o amorDeixa fluir o amorDeixa crescer o amorDeixa viver o amorO sal da terra oh oh

nós famélicas sedentas vítimas do capitalismo

nós famélicas sedentas vítimas do capitalismo
não sabemos que somos sedentas famélicas vítimas do
capitalismo por total falta de consciência total resistência
resiliência quando nos entregamos ao consumismo
quando nos deixamos nos manipular ou nos iludir com as
propagandas enganosas das religiões dos donos dos
dinheiros dos poderes das justiças das leis dos trabalhos
não nos libertamos seguimos escravos dos escravos
nas cavernas acorrentados doentes dementes não
queremos cura nem física nem mental nem espiritual
vendemos a alma ao sistema por menos moedas do
que o judas se vendeu pois não  valemos pelos tantos
que nos vendemos valemos sempre menos do que
recebemos espelhos contas de vidros bugigangas
cangalhas arreios freios selas cabrestos nas celas que
serão nossas moradas finais sem lápide o fim sem epitáfio

BH, 040502026; Publicado: BH, 040502026

domingo, 3 de maio de 2026

nunca fui privilegiado com nenhuma virtuose

nunca fui privilegiado com nenhuma virtuose
virtude ou dom nenhuma especialidade ou
qualidade experiência de ciência nunca fui
dotado dalgum detalhe de consciência ou
dalguma genialidade ou fenomenologia
física ou espiritual o único apêndice que tive
foi extirpado de mim da noite para o dia
quando me vi nu sem lua sem sol sem
girassol igual a um irmão gêmeo siamês
xifópago univitelino idêntico ou bivitelino
fraterno dizigótico ou sesquizigótico
semi-idêntico de mim era a parte que
prestava a que era a boa o lado bom meu
que foi levado a deixar o lado contaminado o
lodo da lama do pântano a pasta que não serve
para nada o suco falso ralo qualquer coisa de
humano não identificado se foi o luminoso
esclarecido fica o desumano carcamano que
desconhece os manos as manas as minas as
sagas as sinas os sinos os cimos os altos só
por baixo pó poeira fuligens ferrugens bolores
mofos fedores terrores horrores até o dia no
qual encontrar esse elo perdido esse anel
fendido esse laço rompido o nó desfeito
força da gravidade cortada cabeça separada
do corpo partiu ao infinito fiquei preso pesado
chumbado nunca mais será ouvido meu grito
fora do jardim rastejarei eternamente maldito

BH, 030302026; Publicado: BH, 030502026

quarta-feira, 29 de abril de 2026

fazer poemas é a minha profissão no momento

fazer poemas é a minha preocupação no momento
já que estou preste a partir para a terra dos pés
juntos com fome a comer capins pelas raízes
vestido do meu paletó predileto o de madeira de lei
pinho de riga cedro do líbano mogno jatobá
jacarandá ypê para entrar numa vida melhor então
meu irmão preciso fazer alguma coisa
urgentemente uma poesia de gente que trabalha
de povo trabalhador de nação operária de país
trabalhista que dê atitudes ao mundo de
humanidade de civilização de evolução de
revolução de ação não posso mais é ficar sem
fazer nada um membro destacado dos párias um
associado da turma dos parasitas se continuar a
fazer parte do grupo de mentes pré-históricas de
mentes dos primeiros protótipos designados
gentes como fui designado a fazer poemas por
profissão um trabalhador numa fábrica de poesias
um operário numa obra de antologias poéticas um
proletário sem remuneração sem numerário o
soneto é o meu sustento a ode é a minha alegria o
vento minha alegoria a brisa minha blandícia o
amor o meu adorno igual jesus foi alegria para o
homem que foi bach então sigo a sina sigo a
menina a saga sagaz desde os primórdios
universais então sigo o sol que habita o meu
coração desço da colina não sou mais o bobo o tolo
o engano desço da montanha um moisés repleto de luz

BH, 0260202026; Publicado: BH, 0290402026