sexta-feira, 14 de agosto de 2026

que procuras aí nesse monte de lixo restos de consumo

que procuras aí nesse monte de lixo restos de consumo
despojos orgânicos? procuro a realidade procuro a
verdade não as encontrarás aí no meio dessas
imundícies então onde as encontrarei? nos castelos?
nas mansões? nos palácios? na sociedade? no estado?
justamente nos antros geradores de falsidades de
mentiras de ilusões? logo no meio onde ninguém dá
uma realidade/ logo no meio onde ninguém dá uma
verdade? não acredito que as encontrarei na realidade
virtual na inteligência artificial? por isso as procuro no
lixo não no luxo não no mercado xepeiro xaropeiro se
sabes as respostas das minhas aflições dos meus
conflitos das minhas reflexões dê-me uma verdade
dê-me uma realidade uma única sequer sairei desta
montanha de entulhos sairei deste monte de resíduos
gerados por indivíduos enganados pelo sistema que não
botaram abaixo agora pagam de patos de massa de
manobra de gado controlado de boiada dominada que
perdeu a disparada então continuarei aqui diógenes ou
um prisioneiro da caverna de platão sem a luz de cícero
a razão de kant sem a mão que embala meu coração que
está vazio à realidade está vazio à verdade o mundo está
cheio de mentiras como se nada o abalasse rumo ao caos

BH, 0150702026; Publicado: BH, 0140802026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

nunca encontrarei a realidade não nunca

nunca encontrarei a realidade não nunca
encontrarei a verdade fato consumado
fardo de enfadado total cansaço de
forma de enforma o conteúdo do qual
estou possesso num processo onde
nunca encontrarei uma pedra para
repousar a cabeça um galho de árvore
de carvalho de oliveira para pousar
num ramo de esperança ou posar diante
duma escada de anjos que leve aos céus
que eleve ao firmamento nunca
encontrarei a saída do vulcão volcano
entrei pelo cano estarei sempre no meio
dos cães das hienas carniceiras entulhos
despojos não sairei do lodo da falsidade
nem da lama da mentira do pântano da
enganação parece repetição mas não é
pois há os que se sentem satisfeitos com
os próprios defeitos com os aleijões
internos vivem um inferno mesmo com o 
dinheiro com as drogas seus ternos de
linho de linha que pensam trazer um
pouco de felicidade mas e a realidade e a
coragem? não quero uma esmola apesar
de ser mendigo sem terra sem teto sem
trabalho dê-me um atalho quero chegar à
luz não ser cego pelo brilho dê-me uma
realidade pelo amor de deus dê-me uma
verdade em nome de jesus cristo quero
sair desse lixo expelir o micróbio que
come meu cérebro o verme que pica meu
intestino a droga que seca meu organismo
meu coração é uma horta se não for regado
vai para o rego comum uma vala fétida um
horrível bodum de aprisco insalubre venal

BH, 0150702026; Publicado: BH, 0130802026

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

NEIL DIAMOND:



 

muita gente diz que não pede perdão

muita gente diz que não  pede perdão
quando espalha a irrealidade muita
gente diz que não pede perdão quando
não fala a verdade corre só atrás do
dinheiro corre só atrás da droga vaga
pelo mundo inteiro mas não traz um
cheiro de continente de terra de
planeta de paisagem traz só a
falsidade traz só a mentira não é isso
que quero pois quero é pedir perdão
por não conhecer a realidade quero é
pedir perdão por não conhecer a
verdade então peço perdão a quem
puder me perdoar peço desculpas
daqui a algum tempo não existirei
mais se não pedir agora não terei para
pedir depois então perdão meu irmão
perdão minha irmã perdão meus pais
meu país se pensar que devo pedir
perdão peço está pedido se vem ou não
não sei porém pedi vamos ver se alivio
o coração desopilo o fígado desincho
as pernas curo a mente o mundo é
muito constrangimento para quem é
gente não podemos fingir que não
somos gente ser gente pode vir a ser a
pior coisa que podemos ser gente pois
ser gente não é para qualquer um é
perigoso é complicado é duvidoso ser
gente não abraçar a realidade não
acordar para a verdade sem sonhar só
continuar no pesadelo no desespero
não querer ser liberto colocar a cabeça
no cesto da guilhotina o pescoço no
cepo mandar descer a lâmina da menina

BH, 0150702026; Publicado: BH, 0120802026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

se tivesse a faculdade a facilidade de acordar de manhã cedinho

se tivesse a faculdade a facilidade de acordar de manhã cedinho
como um passarinho acorda no ninho um artesão um profissional
ás nalguma profissão um artífice nalgum artifício de mão de alma
como alguém de espírito como fluem as coisas na fenomenologia
na genealogia na genialidade no universo alegremente de boa
vontade como a dum bem-aventurado também discursar o meu
sermão da montanha a minha parábola do filho pródigo ou dos
talentos ou da viuvinha pobre da única moedinha ou salmodiar um
salmo 23 ou outro salmo qualquer ou igual salomão imortalizar
meus provérbios cantares mas só me encho de lamentações bem
piores do que as de jeremias só me encho de pragas maldições do
egito ou das profecias das bestas apocalípticas não fui dotado de
pegar uma letra de fogo fazer um milagre de pegar uma palavra
escrever numa pedra um mandamento fazer uma revolução uma
revelação impactantes que dissessem ao mundo não nunca mais te
digo sim só não cansei de dizer sim cansei do mundo cansei de
mim sem pomar sem jardim infrutífero um desflorido outro resta
pouco tempo de mim não fiz o que deveria ter sido feito feitiço
macumba encomenda de malungo agora só arrependimentos carrego
dentro do peito sucata de carcaça vazia arcabouço de calabouço de
vácuo arredo-me com um vade retro saio da frente vou para atrás
deixo o raio de sol romper o horizonte ouço o canto do rouxinol

BH, 0150702026; Publicado: BH, 0100802026