segunda-feira, 6 de julho de 2026

falar da ditadura militar sanguinária hoje

falar da ditadura militar sanguinária hoje
é jogar conversa fora grande parte do
povo trabalhador brasileiro ou da nação
trabalhadora brasileira ou do operário do
proletariado nacional justificam a
ditadura militar assassina como algo
normal que era até necessária até melhor
do que na democracia até parte do povo
estudado diplomado se faz de omissa ou
analfabeta política apolítica a abraçar a
extrema-direita acolhedora de torturadores
generais nefastos políticos fisiológicos
cristãos armamentistas pastores rentistas
militares entreguistas apátridas vira-latas
lesa-pátria o pelego agora combate o
trabalhismo odeia o trabalhista tem raiva
do trabalhador operário proletário o
pelego chega a pensar que é capitalista
porém na hora da festa fica de fora do
banquete só se alimenta com as sobras
os restos do festim o pelego é o filho
pródigo que continua a comer as bolotas
dos porcos do butim pede intervenção
na própria nação escroto bate continência
à bandeira yankee age como se o próprio
país fosse um curral um chiqueiro um
quintal para entregar ao estrangeiro aos
nove anos presenciei com minha mente
coração olhos torturas em presos aulas
de como agredir de deboches com as
encomendas da mãe ao pai humilhado
humilhações desprezo que fizeram de
mim o lixo que sou hoje mocorongos
mocorongas bolsonaristas não têm nem
noção do que é uma ditadura se tivessem
não a pediriam para si próprios todo dia

BH, 060402026; Publicado: BH, 0600702026

quando digo que não sou humano

quando digo que não sou humano
é porque não sou humano pois
louco é quem diz que quer ser 
chamado de humano a fazer parte
desta humanidade posso até
parecer um componente da raça 
humana maluco é quem quer ser
da raça humana errei se às vezes
quis ser humano ou da raça
humana errei errar é humano
agora não erro mais não sou mais
humano deixei tudo que me
relacionava com humanos para
atrás alguns tentam contatos
imediatos porém sou isolado
eremita ermitão índio ontem
indígena hoje só não sou humano
humano não deus me livre de raça
humana não faço questão não sou
mais escrevo nem do capital nem
da religião nem de banco nem de
bancos de igrejas vaticano vá te
catar noutro lugar no catar de
doha no meu ninguém põe põe
no do teu pai põe no da tua mãe
mudei até de nome agora me
chamo arthur bispo do rosário
preciso duma colônia menos
humana como a juliano moreira
mais uma colmeia uma caixa de
marimbondos uma casa de vespas
ferroador meter o ferrão na bunda
desses humanos desumanos

BH, 0190302026; Publicado: BH, 060702026

sábado, 4 de julho de 2026

Hoje sonho com tigres; inédito de LLEWELLYN MEDINA:

Chuva dança elegante minueto
sol as asas de fora face redonda
cigarras mágico concerto
tanajuras desvairadas no solo encharcado
vida explode fugaz e esvoaçante
sem compreender os mistérios
que me assombravam
(e ainda assombram
exceto mula sem cabeça
saci-pererê macumba sob a mangueira
da encruzilhada aqui perto)
relva reluzente
madeiras e metais
pura música da partitura por Deus criada
oportunidade de brincar no chão inda molhado
o menino de então
os mistérios da vida

lendas ouvidas na infância
sonhos de mil e uma noites
e os olhos de amêndoa primeira paixão
o mundo cenário de leite e mel

lembranças me requentão o coração
era fininho e imortal e espadaúdo
o menino de então
hoje sonho com tigres

sexta-feira, 3 de julho de 2026

o universo me faz perder tanto tempo

o universo me faz perder tanto tempo
o universo não gosta de mim quanto
tempo estou aqui à toa a tecer loas
às elites a endeusar a burguesia de
que velem essas coisas materiais ao
universo? o universo é imaterialista
as elites não têm emoções a
burguesia não tem sensações
dependem do povo proletário para
sobreviver dependem do proletariado
pata tudo na vida se pararmos o jogo
derrubamos das nossas costas a elite
se quebrarmos o tabuleiro tiramos
nossas tetas da boca da burguesia o
universo não nos faz enxergar isso
não nos une continuamos explorados
escravizados assalariados
continuamos a enriquecer a
plutocracia não tomamos vergonha
na cara somos capachos queremos
ser pelegos patronais queremos ser
parasitas dos parasitas da elite
queremos ser párias dos párias da
elite queremos ser vermes dos vermes
do sistema a disponibilizarmos
nossas veias aos sanguessugas nossos
sorrisos nossas palmas em troca
recebemos palmadas cassetetadas
murros socos balas perdidas
preconceitos fascismos racismos
nazismos todo tipo de zumbis que a
humanidade já enterrou fazemos
questões de desenterrar de ressuscitar
então é cabresto são rédeas selas
fazemos dos nossos lombos montarias
são esporas chibatas ferrões freios
ferraduras o universo zomba quando
inconscientemente pedimos ditadura

BH, 0310302026; Publicado: BH, 030702026

PINK FLOYD:


 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

quem não sabe inventa não sei

quem não sabe inventa não sei
fazer uma letra nova fabricar
uma palavra moderna invento
um símbolo chamo de letra aí
invento um movimento num
papel feito com uma mão
chamo de palavra mas isso não
é uma letra é um garrancho é
um risco é um rabisco mas isso
não é uma palavra é um monte
de pontos é um morro de
pingos uma colina salpicada de
gotas uma montanha de grãos
de areia estás a mentir para nós
falaste que ias inventar uma
letra nova vens com velharias
disseste que fabricarias uma
palavra nova vens com sons
guturais primais tribais
cavernosos de cavernas
paleolíticas coisas pré-históricas
de paredes de locas de grutas
rupestres aí não vale mais são
coisas velhas antepassadas
ancestrais antecedentes tais nem
sabemos o que mais a academia
exige uma escrita hodierna de
hodie o liceu quer algo que não
morreu a escola quer uma
escolástica elástica que descola
um pensamento sólido não mais
essas experiências jogadas aos
ventos essas metamorfoses que
não atraem mais o status quo o 
stablishment a inteligência rara
intelectual do normal vai lá acalma
os lobos os leões as hienas os
enigmas para não seres devorado
pelas esfinges sedentas insaciáveis

BH, 0270302026; Publicado: BH, 020702026

a tristeza é muito grande a alegria é que

a tristeza é muito grande a alegria é que
vou morrer de alegria um dia deixar de
existir fisicamente para existir só no
poema na poesia ao desistir de tentar
ser o que não nasci para ser pois queria
ser humano não o sou não faço parte
da raça humana faço questão de não
confundir-me com o que não presta a
humanidade não nasceu para prestar
não posso respirar o mesmo ar do
leviatã não posso viver preso à mesma
gravidade dum yankee então a tristeza
é muito grande no meu coração só
aumenta meu coração fica cada vez
menor com menos espaço para a
alegria pequeno apertado não adianta
tentar enganar aos desavisados nada do
tudo para todos que se faz hoje é para
melhorar a humanidade muito pelo
contrário é para escravizá-la piorá-la
explorá-la fazer com que a humanidade
gere lucros muitos lucros não gerou
lucros é cancelamento descarte é total
invisibilidade muitos estão dispostos a
se vender pelo vale o quanto pesa sísifos 
carregam nas costas pedras do capital
 do capitalismo recebem suas migalhas
pagam as indulgências os dízimos daí
deitam as cabeças vazias nos travesseiros
de plumas de gansos satisfeitos felizes

BH, 0190302026; Publicado: BH, 020702026