Blog do Ivanovitch 2: (CANDIDATO AO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA)
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026
acabou-se a munição a cacimba secou-se
acabou-se a munição a cacimba secou-se
só ficou-se o arcabouço do meu coração
o açude evaporou-se a cisterna não era
eterna o paiol destelhado ao sol o que
agora resta à tropa sem tropeiro mula
de guia com sineiro cincerro de égua
madrinha sincerro de cavalo baio a
pinga de cabeça beberam toda na
cabaça a cachaça não tem mais graça
nem garapa de engenho nem álcool de
destilaria o caminhante não tem com o
que se animar nem a sombra por
acompanhante fumo de rolo aos
mascantes aos fumantes mascastes aos
assaltantes mosquetões espingardas
baionetas caladas ora pro nobis espinhos
nas beiras dos caminhos poeiras nas
ventas embaralho nas vistas visagens no
ar das trêmulas paisagens é preciso
caminhar viver não é preciso cai mais um
no capim dessa vicinal sem fim de quem
era a alma que agora vai nos assustar
nos assombrar ao nos acompanhar? não
tem encruzilhada para despachar esse
encosto na estrada uma cruz abandonada
BH, 0260802026; Publicado: BH, 0100902026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
chama aí um alguém para me dar um alô
chama aí um alguém para me dar um alô
acende a chama mesmo que faça calor
cheguei desde cedo esperei uma
recepção de vida de viola de vilão me
parece que o povo já esqueceu do meu
coração avisa aí que continuo o mesmo
não fiz transplante não mudo de peito
nem de seio nem de úbere é o mesmo
coração de carne de veias de sangue
não é de ferro nem de alumínio é um
coração pueril de menino sim às vezes
malino mas cheio de destino de vida de
desejos alguém pode pensar ainda que
mudou alguma coisa a receita é a
mesma quer o mesmo que todo mundo
quer sem tirar nem pôr meu senhor como
vais? tudo bem? minha senhora cheguei
não tenho hora de ir embora fica só um
critério posso me retirar para outra
ocasião aportar meu coração cais não
falta por aí pedra de chão terra de torrão
adeus minha irmã adeus meu irmão
BH, 0240802026; Publicado: BH, 090902026
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
vacilei não aguentei o tranco
vacilei não aguentei o tranco
jogou-me ao chão carrinho
de mão sem carinho de
ternura perdi a tanajura que
agrura pendura a fatura na
garupa tiro de garrucha
derrubou mais um capitão
do mato feitor servidor de
dono de engenho lavoura de
café de cana lá vou fora
pela estrada a pé minha vó
deu-me rapé seu moço leva
a mulher maior tesouro
quem não quer quero levar
tudo comigo se no meio não
tiver mulher dou é um
pontapé bengalada na cabeça
cajadada varada do solo
sagrado nasce o chão feito de
terra da qual é feito o homem
sem defeito qual o nome do
sujeito nunca vi nem de perto
de longe parece um preto de
flanco parece um branco
chama aí os irmão da pauliceia
resolvem o enigma da esfinge
BH, 0240802026; Publicado: BH, 070902026
sábado, 5 de setembro de 2026
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
antes que a morte volte mandais daí uma preleção
antes que a morte volte mandais daí uma preleção
sideral uma seleção espacial se não fizer bem mal
não faz também o universo parece vazio escuro
porém é iluminado cheio de versos cósmicos
dalgo proposital no fundo está o sedimentado
camada por camada com o tempo que não
medimos sai um menino ou uma menina criança
de tranças com o codinome de esperança dizem
os bocas-tortas que quem espera nunca alcança
espero não me desespero não me canso não quero
mais nada de velho vital fatal letal anormal amor
quero cabelo no lugar de chiqueiro tinteiro
hospedeiro de hospício elogiada seja a loucura
conheci bons loucos poucos iluminados uns arthurs
uns bispos uns rosários uns lucas ordinário marchar além
do horizonte além da terra além dos céus além do mar
BH, 0240802026; Publicado: BH, 030902026
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