sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos
do capitalismo triste por não ter a verdade que põe
um fim nisso no imperialismo está aí a me demonizar
a me desmoralizar o colonialismo que não me deixa
evoluir ser um cidadão do mundo livre sem fronteira
a compartilhar a liberdade aí faz de mim um refugiado
desesperado um flagelado social desassossegado um
cidadão sem cidadania sem soberania sem dignidade
triste sem democracia com bloqueio econômico
desumano tarifaço sem razão chantageado refém órfão
ninguém invisível triste o mundo está errado o forte
cada vez mais forte o fraco cada vez mais fraco não sei
mais o que faço para estas tristezas acabar compor um
samba libertador uma canção de amor um poema de
paz nada me satisfaz triste não acabar a escravidão ao
contrário continuar no armário na sala no salão o povo
quer mais é contar o tempo que foi escravo ou a
eternidade que terá a escravizar o irmão sem remorso sem
moderação a sociedade ainda não me deu uma verdade

BH, 0290102026; Publicado: BH, 0200202026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

não queremos mais saber de nada

não queremos mais saber de nada
vem o político da extrema-direita
todo mundo vai atrás tece loas até
bate palmas enche o congresso
nacional com o que há de pior de
inimigos do povo da nação do país
todo mundo coloca nos governos
estaduais governadores antivacina
favoráveis à destruição do meio
ambiente comparsas de facções de
milícias de quadrilhas esquadrões
da morte tudo do crime organizado
desse jeito o brasil não tem jeito 
elege prefeitos imperfeitos que
pensam primeiro em si nas próprias
famílias no nepotismo então o povo
precisa apelar para a consciência
de classe com voto cidadão com
trabalhador a votar em trabalhador
não no patrão nem no crente cristão
ou no delegado fanfarrão ruralista
assassino de sem terras urbanista
exterminador de sem tetos no
empresário disseminador de sem
empregos então nem pensar no
político que é racista odeia preto
negro é capitão do mato manda
voltar ao mato pois com isso com
esses a nação em vez de avançar
estagna retrocede atrasa a gerar
infelicidade total do país o pobre
fica mais pobre mais triste não
consegue ter mais alegria a dar
razão ao rico sorridente que o
explora todo dia às vezes até à
noite também a pagar o mínimo
quando chega a pagar alguma
coisa pois nem sempre quer pagar o
que o trabalhador realmente merece

CARLOS SANTANA:


 



meu cérebro ainda está a dormir

meu cérebro ainda está a dormir
não acordou os neurônios não
despertam nem com o big bang
o caos só não é total na minha
cabeça porque o espaço-tempo
é dorminhoco a confusão só não
se agrava se expande devido a
sonolência o dia no qual brilhar
uma ideia dentro do meu crânio
possivelmente encontrarei uma
porta para meus pensamentos se
elevarem de mim no despertar
interim vivo com olhos pesados
em constante sono durmo assim
sistematicamente desde do dia
no qual acordei quando acordei
não era dia era noite então não
sei a definição se estou do lado
de fora ou do lado de dentro do
meu coração fico aflito
melancólico calafrios me
sacodem arrepios me fazem
tremer gasturas percorrem meu
corpo atritos fricções
derrapagens raspam minha pele
no asfalto fico pendente sustado
em falso entre o pé o contrapé
levo uma rasteira que me torna
ao chão rente ao rés-do- chão
suspiro bêbado soluço sem
emoção intrigado constante
enfrento a tempestade de areia
de olhos abertos penso preciso
estar desperto a chacoalhar o
organismo a minar os elementos
desta inércia no metabolismo

BH, 0190802010; Publicado: BH, 0190202026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

quem não tem dinheiro vive menos

quem não tem dinheiro vive menos
numa encruzilhada a pedir a deus
todo santo dia uma fórmula para
viver sem dinheiro uma maneira
de morar sem ter que pagar o
aluguer numa forma de não ouvir
a filha a pedir grana a mulher a
querer fazer compras para a casa
quem não tem capital vive num
dilema de não entrar em pênico de
não fazer besteiras de não fazer
umas loucuras ao enfiar as mãos
nos fundos dos bolsos não
encontrar nada sai do lar de
manhã a abanar os braços vazios
a voltar ao fim da tarde com as
mãos rente ao corpo membros
lassos pêndulos inúteis que não
geram rendas à família a cobrar
ali a encher os ouvidos aflitos de
lamúrias de reclamações é uma
cantilena de lamentações maiores
do que as do jeremias quem não
tem dinheiro odeia a si mesmo
mais do que odeia ao próximo ao
sistema à sociedade culpa a deus
ao mundo pelo infortúnio muitas
vezes a culpa é do próprio mesmo
vive a procurar noutros no alheio 
as desculpas as justificativas que
não o deixam dormir em paz à noite

BH, 0190802010; Publicado: BH, 01802002026

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta
também pudera não sou um dali um tristão ou
um romeu sou só uma vítima dum sonho mal
acabado um pesadelo interminável esta
psicose ambulante beco sem saída rua de
mão única sem acostamento já pendi para
um lado já cambiei para outro nunca
encontrei o lado certo procurei na hora
errada justamente na hora na qual não me
encontrava em lugar algum não procurei em
mim pois nunca tive motivo para ficar para
ser alegre uma causa para lutar ou um ideal
para defender aí vago pelos recantos
porções mais escassas da vida muros
envelhecidos mentes medievais
ancoradouros abandonados distancio das
distâncias jamais estou perto dalguma coisa
a acontecer a existir volto ao casulo morro
antes da metamorfose continuo a lagarta de
fogo que tanto medo metia  às crianças aos
meninos às meninas que brincavam nos
arredores tinham medo de pisá-las de pés
descalços a lagarta real vira aquela
borboleta que todos desejam colecionar

BH, 0200802010; Publicado: BH, 0180202026

ENGENHEIROS DO HAVAÍ: