sábado, 28 de fevereiro de 2026

sertanejo é um certo nojo de excremento da extrema-diteita

sertanejo é um certo nojo de excremento da extrema-direita
que já agrediu já matou mulheres já atropelou embriagado
levou alguém à morte agrediu até ao óbito algum inocente
geralmente é evangélico ou crente ou pentecostal detesta o
povo trabalhador brasileiro humilha a nação trabalhadora
brasileira não apoia nenhum movimento de emancipação
do proletariado bate continência à bandeira ianque tece
loas à toa à toa ao imperialismo rende graças ao nocivo
capitalismo ao nefário colonialismo hoje vive preso na
miséria do neoliberalismo pois com todos milhões que
tem é um pobre coitado que logo será esquecido nunca
será lembrado homenageado laureado ou terá busto em
alguma praça ou estátua num mausoléu um baluarte um
troféu nem memória pós mortem nada o sertanejo terá só
um certo asco um certo nojo uma certa repulsa causará
uma vertigem uma ânsia de vômito um engulho um mal
augúrio mau ao maltratar animais em rodeios vaquejadas
touradas farra do boi corridas caças torturas tudo o mais
que não presta como a música que tenta cantar ao gritar
sem parar sem nenhum romantismo lirismo poética ou
metáfora rica em goética pois sertanojo é a imagem do 
cão doido do sertanejo do cavalo dopado alucinado que
pega o freio nos dentes atropela razão ciência consciente

BH, 0280202026; Publicado: BH, 0280202026

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

há dias que passo a pensar na vida

há dias que passo a pensar na vida
não passo dos pensamentos não
passo à vida continuo a pensar que
no ledo engano um pedaço de cano
uma rosca emperrada uma porca
enferrujada um parafuso difuso a 
menos uma dor imprecisa a mais
não imortalizo um grão de areia
não rompo um átomo não disseco
uma molécula quero dar uma de
pensador tenhas piedade de mim
senhor que todos os meus bons ou
maus pensamentos morram comigo
ou antes de mim se todo mundo
pensasse o capitalismo não existiria
ou chegaria ao fim o capitalismo só
existe porque ninguém pensa age
por instinto age por intuição age por
animalismo por ninguém perder a
condição de animal o sentido
animalesco aí deu no que deu o
que chamamos de humanidade a
hipocrisia do humanismo fazemos
o mal vamos rir somos maus
vamos gargalhar correr às igrejas
fazemos o bem voltemos aos
armários aos guarda-roupas aos
mofos aos bolores ás seborreias
às salmouras fujamos da luz do
sol da água da chuva fujamos
das estrelas de tudo que incomoda
mais do que um pensamento que
poderia causar uma metamorfose

BH, 0110202026; Publicado: BH, 0270202026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

quem escreve é ignorado pois faz algo chato

quem escreve é ignorado pois faz algo chato
que é escrever para alguém ter que fazer
outra coisa chata que é ler pois ler é mais
chato do que escrever ler é interpretar
entender compreender raciocinar pensar
tudo que o humano não gosta de fazer ler
não é tão fácil igual a escrever ler é usar
todo o discernimento a razão o pensamento
desvendar a metáfora criada naturalmente
pelo escravo da escrita que se passa por
escritor pois quem escreve é antes de mais
nada um escravo que escreve para se libertar
para se livrar das correntes do passado para
se livrar das doenças físicas ou mentais ou do
espírito ou corporais ou para tentar evoluir a
alma o ser o ente a entidade escrever todo
mundo pode escrever sem preocupação não
importa o que porém a função de ler requer
um preparo requer um ritual de concentração
de meditação como se o ledor se preparasse
para uma oração ao mais elevado ou perfeito
deus do universo ler requer toda a qualidade
duma raça toda evolução duma espécie todo o
sentimento o sentido dum ser humano todo
o humanismo da humanidade todo o
preparo para uma civilização superior sem o
leitor o escriba não se liberta continua
escravo a escrever eternamente para a
eternidade suas eternas cartas de alforria

BH, 0120202026; Publicado: BH, 0260202026

FLEETWOOD MAC:



 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

não sabias porém eras a razão da minha vida

não sabias porém eras a razão da minha vida
que tanto queria de mim foi levada da noite 
para o dia hoje meu dia é só noite não tenho
mais alegria deste-me grandes momentos de
prazer de felicidade no existir por pouco
tempo ao teu lado preferiste partir a me
deixar partido dilacerado nunca mais
chegarei perto de ti nunca mais chegarás
perto de mim o que farei sem a tua presença
ou com a tua ausência? preciso fazer alguma
coisa para preencher meu coração que agora
está eternamente vazio de sangue de vida de
amor de paz só tormentos tempestades
pesadelos nada de bonança de riso de criança
nada de ternura de carinho de doçura só sal
passo mal com tremura vertigens tonturas o
tempo passa rápido dizem que voa deixo o
tempo ir todo meu tempo agora será perdido
não correrei em busca dum novo tempo dum
novo caminho duma nova vida pararei de
correr de andar pelas estradas de passear
pelos caminhos pararei de sonhar levaste
para onde foste todos os meus sonhos contigo

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0230202026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos
do capitalismo triste por não ter a verdade que põe
um fim nisso no imperialismo está aí a me demonizar
a me desmoralizar o colonialismo que não me deixa
evoluir ser um cidadão do mundo livre sem fronteira
a compartilhar a liberdade aí faz de mim um refugiado
desesperado um flagelado social desassossegado um
cidadão sem cidadania sem soberania sem dignidade
triste sem democracia com bloqueio econômico
desumano tarifaço sem razão chantageado refém órfão
ninguém invisível triste o mundo está errado o forte
cada vez mais forte o fraco cada vez mais fraco não sei
mais o que faço para estas tristezas acabar compor um
samba libertador uma canção de amor um poema de
paz nada me satisfaz triste não acabar a escravidão ao
contrário continuar no armário na sala no salão o povo
quer mais é contar o tempo que foi escravo ou a
eternidade que terá a escravizar o irmão sem remorso sem
moderação a sociedade ainda não me deu uma verdade

BH, 0290102026; Publicado: BH, 0200202026