terça-feira, 1 de setembro de 2026

papel demais à minha frente que não dou nem conta

papel demais à minha frente que não dou nem conta
nem sei quem doou tantos papeis assim a mim são
poesias são poemas nunca lidos nem conhecidos só
vivo a dizer que são poemas que são poesias que
estão sobre à minha mesa à espera de que um dia
não tenham por destino a lata de lixo neste fluxo
sou herdeiro de minha avó gero lixo não luxo dona
maria vive a dizer tira de minha mesa essas
porcarias então com essas minhas crias só encontro
problemas dilemas antigamente o pessoal enaltecia
tudo que era cria de casa até as criaturas as criações
dos quintais hoje se mostrar um filhote só recebe
um tapinha no cangote um adeus até nunca mais
quero que todas essas minhas crias sejam enterradas
comigo no meu caixão de defunto as levarei junto
de volta ao infinito as depositarei no altar do mais
brilhante quasar da constelação mais distante que
encontrar no universo no qual do voo aterrissar

BH, 0210802026; Publicado: BH, 01º0902026 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DO FUNDO DA GROTA, BAITACA:


 Fui criado na campanha

Em rancho de barro e capimPor isso é que eu canto assimPra relembrar meu passadoEu me criei arremendadoDormindo pelos galpãoPerto de um fogo de chãoCom os cabelo enfumaçadoQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá do piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Numa cama de pelegoMe acordo de madrugadaEscuto uma mão peladaAcoando no banhadalEu me criei xucro e bagualHonrando o sistema antigoComendo feijão mexidoCom pouca graxa e sem salQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijá perto de casaPra inticá com a guapecada
Reformando um alambradoNa beira de um corredorNo cabo de um socadorCom as mão rodeada de caloNo meu mango eu dou estaloE sigo a minha campereadaE uma perdiz ressabiadaVoa e me espanta o cavaloQuando rompe a estrela D'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Lá no santo do capãoO subiar de um nambúNuma trincheira o jacúGrita o sabiá nas pitangaE bem na costa da sangaBerra a vaca e o bezerroNo barulho dos cincerroEu encontro os bois de cangaQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a guapecada

a história é implacável com os que vivem fora da história

a história é implacável dom os que vivem fora da história
ou estão do lado errado da história há homens que fazem
história desde da pré-história da época da pedra lascada o
homem nasceu para fazer história depois que saem da
vida eufórico vim vi venci fiz história não é uma história
real porém é a minha história única particular singular
cheia de altos de baixos mais baixos do que altos muito
nervo sol sal grosso osso carne de pescoço pouco músculo
pouca carne fresca muita gordura desnecessária vou aparar
as arestas as pontas não quero mais sobras restos vou
acertar num grande final com chave de ouro abrir o baú do
tesouro num estouro de dinamite aflorar o veio do ouro na
bateia o diamante incrustado na rocha a pedra preciosa a 
pérola graciosa na ostra oxalá esta seja a minha história
quem souber que conte outra melhor ou de mulher todas já
me deram na bunda pontapé mesmo sem dar papo a zé mané

BH, 0200802026; Publicado: BH, 0310802026

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

JORGINHO DO IMPÉRIO:



 

a nação trabalhadora brasileira

a nação trabalhadora brasileira
o povo trabalhador brasileiro a
emancipação do proletariado
da proletariada brasileiros não
queremos a evolução da espécie
se quiséssemos seres da extrema-direita
não teriam ressurgidos dos
pântanos dos mortos dos lodos
do ostracismo apodrecido dos
mofos da religião medieval dos
bolores da política nacional dos
fedores da heresia da burguesia
dos monstros feudais das elites
dos currais dos chiqueiros dos
estercos dos cogumelos envenenados
abraçaríamos a nossa civilidade
demonstraríamos que a nossa
civilização é referência no mundo
civilizado nossa democracia é
consolidada inabalável nossa
dignidade não está à venda nem
tem preço é impagável porém
não nos unimos contra os nossos
inimicíssimos num só grito rouco
trabalhadoras trabalhadores do
brasil unamo-nos à liberdade ao
futuro à pá de cal na cara retardada
da extrema-direita atrasada

BH, 0280802026; Punlicado: BH, 0280802026