sábado, 22 de agosto de 2026

quem ainda não imortalizei levanta a mão se apresenta

quem ainda não imortalizei levanta a mão se apresenta
quero te imortalizar dar uma eternidade de presente
uma posteridade agora quem não quiser que se cale para
sempre não tenho muita coisa para dar além disso pois
só dou o que me faz com que fique com mais nunca dou o
que me faz sentir ficar com menos toma logo um
infinito na cara aí uma constelação de lambuja
uma galáxia de gorjeta um aglomerado de estrelas de
recompensa fica com o troco esse quasar sabe aquele
cometa que vai lá? é teu acabei de te dar só o que te aumenta
te dou aí então esse universo sagração se quiser mais
me diga antes de tomar posse dessa expansão
esse cinturão de kuiper para amarrar tuas calças esses
suspensórios de alças do espaço esses acessórios
dimensionais tudo mais te darei aí poderei me sentir
um dado de diamante facetado quando o universo foi
projetado virei um sol que atraiu todos os girassóis
quem tem olhos não pode olhar para mim a olhos nus
sou um astro homo pinealens ecce homo só sou enxergado
pela glândula pineal a terceira visão desenvolvida
em poucos extraterrestres  que transitam nesta vida

BH, 0170802026; Publicado: BH, 0220802026

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

JIMI HENDRIX:


 

ROBERTINHO DO RECIFE:



 

tudo dorme no fundo da gaveta do tempo infinito

tudo dorme no fundo da gaveta do tempo infinito
a gaveta não tem fundo não tem grito é uma
garganta cortada o tempo passa como o vento
nem olha para a trás quando acordamos não
sonhamos pensávamos que os sonhos não
envelheciam mas estamos envelhecidos
esquecidos nos fundos das gavetas das cômodas
velhas dos quartos escuros onde moram os gatos
pretos nos esgotos a inferno aberto que o céu já
se fechou para todos nós para todo mundo as
almas que subiram de elevador caíram sem
paraquedas nos asfaltos quentes das autoestradas
a mais de 300 km por hora pesadelos atrás de
pesadelos não despertamos do sofrimento ainda
dormimos desesperados quem nos livrará dos
arados? das correntes? dos dentes afiados das
feras? dos tridentes? dos ferrões? dos grilhões? a
pré-história ainda nos mostra que não estamos do
lado certo da história fazemos tudo de errado para
não entrarmos na história quando entramos é como
se tivéssemos saído tragicamente para não
resolvermos nada para melhorarmos o mundo
nem a nós mesmos só nos pioramos só não fazemos
questões de evoluirmos  de não querermos a evolução
da espécie ou da espécime algumas quando abrirmos
os olhos os céus já não estarão abertos para nós
infinitamente não veremos mais este azul anil que
poderia alvejar nossas almas pequenas tão encardidas

BH, 0160802026; Publicado: BH, 0210802026

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

STEVIE RAY VAUGHAN:


 

já comi em gamela feijão com arroz com farinha

já comi em gamela feijão com arroz com farinha
tudo amassado com a mão dela que fazia um
capitão para cada menino para cada menina
sentados no chão do terreiro ou do quintal em
frente à porta da cozinha rodeados de galos de
galinhas ciscos gravetos cavacos farrapos de
panos velhos vassouras restos de cuspes pretos
de fumos de rolo mascados escarros bacias
pilões penicos enferrujados talhas atulhadas
jarros rachados vasos quebrados cacos de vidros
minha avó não tinha nada novo limpo asseado
nenhum dente na boca só o sorriso largo a
memória que falava de cor várias histórias as
lembranças das lambanças dos meus tempos de
criança as recordações das canções sem
acompanhamentos de violões mas preces rezas
orações curavam sezões quebrantos espinhelas
caídas caxumbas erisipelas desentupia goelas
narizes encatarrados tratava as putas da zona da
francisco sá só bebia cachaça até se deitar na
calçada com um travesseiro debaixo da cabeça
colocado pelo trabalhador do bar o que deixava
mãe muito invocada quando ia lá buscar comigo
com meu irmão a mãe sem noção minha avó às
vezes perdia a razão que já não tinha me tirava da
sala de aula dia de prova para ensinar meu coração

BH, 0170702026; Publicado: BH, 0200802026