quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Hans Sahs nos Mestres cantores:

Meu amigo
esse é precisamente
o trabalho do poeta
observar e interpretar
seus sonhos acredite
a ilusão mais verdadeira
do homem a ele se
manifesta no sonho
toda arte poética
toda poetização
nada mais é que
tradução verdadeira
do sonho 

quem procura acha

quem procura acha
donald trapo humano
procurou encontrou
entrou pelo cano
procuro vou achar
mas não quero entrar
pelo cano igual o 
donald trapo humano
entrou roubou petróleo
esculachou cuba
roubou ouro terras
raras invadiu países
exigiu prêmio nobel
da paz tomou
medalhas duns
aprontou fez o que
o diabo bem quis
não vai deixar raiz
vai quebrar o pau
do nariz o pomo de
adão vai tomar na
contramão desse
jeito fico quieto por
aqui o que for meu
por direito vem não
preciso roubar nada de
ninguém o donald trapo
humano rouba porém
penso que o dele está
guardado mais dia
menos dia descuidado
leva um rabo de arraia
bem dado um martelo
no saco uma bigorna
na cabeça aí foi o 
donal trapo humano
nocauteado para o
fundo do mundo
que desnorteou

BH, 0240802026; Publicado: BH, 020902026

terça-feira, 1 de setembro de 2026

papel demais à minha frente que não dou nem conta

papel demais à minha frente que não dou nem conta
nem sei quem doou tantos papeis assim a mim são
poesias são poemas nunca lidos nem conhecidos só
vivo a dizer que são poemas que são poesias que
estão sobre à minha mesa à espera de que um dia
não tenham por destino a lata de lixo neste fluxo
sou herdeiro de minha avó gero lixo não luxo dona
maria vive a dizer tira de minha mesa essas
porcarias então com essas minhas crias só encontro
problemas dilemas antigamente o pessoal enaltecia
tudo que era cria de casa até as criaturas as criações
dos quintais hoje se mostrar um filhote só recebe
um tapinha no cangote um adeus até nunca mais
quero que todas essas minhas crias sejam enterradas
comigo no meu caixão de defunto as levarei junto
de volta ao infinito as depositarei no altar do mais
brilhante quasar da constelação mais distante que
encontrar no universo no qual do voo aterrissar

BH, 0210802026; Publicado: BH, 01º0902026 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DO FUNDO DA GROTA, BAITACA:


 Fui criado na campanha

Em rancho de barro e capimPor isso é que eu canto assimPra relembrar meu passadoEu me criei arremendadoDormindo pelos galpãoPerto de um fogo de chãoCom os cabelo enfumaçadoQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá do piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Numa cama de pelegoMe acordo de madrugadaEscuto uma mão peladaAcoando no banhadalEu me criei xucro e bagualHonrando o sistema antigoComendo feijão mexidoCom pouca graxa e sem salQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijá perto de casaPra inticá com a guapecada
Reformando um alambradoNa beira de um corredorNo cabo de um socadorCom as mão rodeada de caloNo meu mango eu dou estaloE sigo a minha campereadaE uma perdiz ressabiadaVoa e me espanta o cavaloQuando rompe a estrela D'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Lá no santo do capãoO subiar de um nambúNuma trincheira o jacúGrita o sabiá nas pitangaE bem na costa da sangaBerra a vaca e o bezerroNo barulho dos cincerroEu encontro os bois de cangaQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a guapecada

a história é implacável com os que vivem fora da história

a história é implacável dom os que vivem fora da história
ou estão do lado errado da história há homens que fazem
história desde da pré-história da época da pedra lascada o
homem nasceu para fazer história depois que saem da
vida eufórico vim vi venci fiz história não é uma história
real porém é a minha história única particular singular
cheia de altos de baixos mais baixos do que altos muito
nervo sol sal grosso osso carne de pescoço pouco músculo
pouca carne fresca muita gordura desnecessária vou aparar
as arestas as pontas não quero mais sobras restos vou
acertar num grande final com chave de ouro abrir o baú do
tesouro num estouro de dinamite aflorar o veio do ouro na
bateia o diamante incrustado na rocha a pedra preciosa a 
pérola graciosa na ostra oxalá esta seja a minha história
quem souber que conte outra melhor ou de mulher todas já
me deram na bunda pontapé mesmo sem dar papo a zé mané

BH, 0200802026; Publicado: BH, 0310802026

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