quinta-feira, 3 de setembro de 2026

antes que a morte volte mandais daí uma preleção

antes que a morte volte mandais daí uma  preleção
sideral uma seleção espacial se não fizer bem mal
não faz também o universo parece vazio escuro
porém é iluminado cheio de versos cósmicos
dalgo proposital no fundo está o sedimentado
camada por camada com o tempo que não
medimos sai um menino ou uma menina criança
de tranças com o codinome de esperança dizem
os bocas-tortas que quem espera nunca alcança
espero não me desespero não me canso não quero
mais nada de velho vital fatal letal anormal amor
quero cabelo no lugar de chiqueiro tinteiro
hospedeiro de hospício elogiada seja a loucura
conheci bons loucos poucos iluminados uns arthurs
uns bispos uns rosários uns lucas ordinário marchar além
do horizonte além da terra além dos céus além do mar

BH, 0240802026; Publicado: BH, 030902026

LULA É O NOSSO HERÓI DA CLASSE TRABALHADORA:


 

o rio de janeiro nunca mais foi o mesmo

o rio de janeiro nunca mais foi o mesmo
com o revolucionário brizola eleito a
revolucionar tudo cieps brizolões piscinões
sambódromo projetados por oscar niemeyer
todo morador de favela tem que ser chamado
de cidadão não quero pontapé em porta de
barracão beijódromos doutro revolucionário
darcy ribeiro crianças em horário integral
nas escolas postos de saúde segurança
garantia confiança o rio era só felicidades
só festança fervilhava socialmente
politicamente democraticamente
alegremente com direitos humanos só
nomes históricos na política saturnino
braga vivaldo barbosa lysâneas maciel
carlos alberto de oliveira caó maurício
azedo sérgio macaco luiz carlos prestes
zé kéti até aguinaldo timóteo era parceiro
noca da portela a imprensa não era o pig
era o jornal do brasil movimento pasquim
opinião convergência socialista cultura
destilada nas veias não tinha sertanojo
aí veio a tragédia nas próximas eleições
para governador brizola lança darcy ribeiro
seu sucessor a globo assumiu o controle
queimou o filme do brizola do darcy a
globo apostou tudo em wellington gato
angorá moreira franco o que  o povo
fez foi na onda da globo desprezou
brizola preteriu darcy ribeiro preferiu
moreira gato angorá franco que foi
eleito adeus rio de janeiro o rio de
janeiro que nunca mais foi o mesmo

BH, 020902026; Publicado: BH, 030902026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Hans Sahs nos Mestres cantores:

Meu amigo
esse é precisamente
o trabalho do poeta
observar e interpretar
seus sonhos acredite
a ilusão mais verdadeira
do homem a ele se
manifesta no sonho
toda arte poética
toda poetização
nada mais é que
tradução verdadeira
do sonho 

quem procura acha

quem procura acha
donald trapo humano
procurou encontrou
entrou pelo cano
procuro vou achar
mas não quero entrar
pelo cano igual o 
donald trapo humano
entrou roubou petróleo
esculachou cuba
roubou ouro terras
raras invadiu países
exigiu prêmio nobel
da paz tomou
medalhas duns
aprontou fez o que
o diabo bem quis
não vai deixar raiz
vai quebrar o pau
do nariz o pomo de
adão vai tomar na
contramão desse
jeito fico quieto por
aqui o que for meu
por direito vem não
preciso roubar nada de
ninguém o donald trapo
humano rouba porém
penso que o dele está
guardado mais dia
menos dia descuidado
leva um rabo de arraia
bem dado um martelo
no saco uma bigorna
na cabeça aí foi o 
donal trapo humano
nocauteado para o
fundo do mundo
que desnorteou

BH, 0240802026; Publicado: BH, 020902026

terça-feira, 1 de setembro de 2026

papel demais à minha frente que não dou nem conta

papel demais à minha frente que não dou nem conta
nem sei quem doou tantos papeis assim a mim são
poesias são poemas nunca lidos nem conhecidos só
vivo a dizer que são poemas que são poesias que
estão sobre à minha mesa à espera de que um dia
não tenham por destino a lata de lixo neste fluxo
sou herdeiro de minha avó gero lixo não luxo dona
maria vive a dizer tira de minha mesa essas
porcarias então com essas minhas crias só encontro
problemas dilemas antigamente o pessoal enaltecia
tudo que era cria de casa até as criaturas as criações
dos quintais hoje se mostrar um filhote só recebe
um tapinha no cangote um adeus até nunca mais
quero que todas essas minhas crias sejam enterradas
comigo no meu caixão de defunto as levarei junto
de volta ao infinito as depositarei no altar do mais
brilhante quasar da constelação mais distante que
encontrar no universo no qual do voo aterrissar

BH, 0210802026; Publicado: BH, 01º0902026 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DO FUNDO DA GROTA, BAITACA:


 Fui criado na campanha

Em rancho de barro e capimPor isso é que eu canto assimPra relembrar meu passadoEu me criei arremendadoDormindo pelos galpãoPerto de um fogo de chãoCom os cabelo enfumaçadoQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá do piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Numa cama de pelegoMe acordo de madrugadaEscuto uma mão peladaAcoando no banhadalEu me criei xucro e bagualHonrando o sistema antigoComendo feijão mexidoCom pouca graxa e sem salQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijá perto de casaPra inticá com a guapecada
Reformando um alambradoNa beira de um corredorNo cabo de um socadorCom as mão rodeada de caloNo meu mango eu dou estaloE sigo a minha campereadaE uma perdiz ressabiadaVoa e me espanta o cavaloQuando rompe a estrela D'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a cachorrada
Lá no santo do capãoO subiar de um nambúNuma trincheira o jacúGrita o sabiá nas pitangaE bem na costa da sangaBerra a vaca e o bezerroNo barulho dos cincerroEu encontro os bois de cangaQuando rompe a estrela d'alvaAquento a chaleira já quase no clariá o diaMeu pingo de arreio relincha na estrevariaEnquanto uma saracuraVai cantando empoleiradaEscuto o grito do sorroE lá no piquete relincha o potro tordilhoNa boca da noite me aparece um zorrilhoVem mijar perto de casaPra inticá com a guapecada