sexta-feira, 9 de outubro de 2026

talento nenhum talento me trouxe o vento

talento nenhum talento me trouxe o vento
a ventania a tempestade andava pela cidade
de dia de noite em busca dum dom andaraí
tijuca andava por aí turano borél buraco
quente em busca duma inspiração para
preencher um papel com uma poema de
leite com uma poesia de mel que decepção
não se faz poeta quem quer ser poeta poeta
é erupção ruptura coisa rara não se pega
com a mão capta-se vem doutra dimensão
não sei nem explicar vou dizer de antemão
talento não se ganha não se pede não se dá
é água na fonte é onda do mar é estrela no
céu é luz do olhar a lua no firmamento que
inspirou beethoven na serenata ao luar espero
que essa mesma inspiração numa noite de
insônia também me venha como a primavera

BH, 0110902026; Publicado: BH, 0901002026

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

meus dias nunca mais foram os mesmos

meus dias nunca mais foram os mesmos
só os maus dias dos males repetidos que
não me largam nem me alargam todo dia
sem bom-dia sem boa-tarde sem boa-
-noite são iguais aos meus pensamentos
que continuam maus pensamentos nunca
bons pensamentos dum ser inabalável
donde nada comove nada quem é
habitado por bons discernimentos nada o
tira dos seus caminhos os meus caminhos
continuam maus caminhos com maus
companheiros maus elementos os bons
estão todos podres nos podres poderes os
que estão fora dos podres poderes são
maus vivem à margem da vida os
marginais sou um marginal nada dos
podres poderes me atinge a me fazer um
visível incluído sou um visível ridículo
não aparento nenhuma aparência de
quem é aparentado com algo dos podres
poderes pelo contrário os podres poderes
tomaram tudo de mim como cafetões
tomam das putas das meretrizes saúde
liberdade democracia dignidade soberania
cidadania os podres poderes fazem dos
cidadãos suas putas de estimação

BH, 090902026; Publicado: BH, 0701002026

terça-feira, 6 de outubro de 2026

ANGRA:


 

deus hoje está de bem comigo não corro perigo

deus hoje está de bem comigo não corro perigo
deus é meu amigo pelo menos é o que penso
no momento digo que penso mas nem sei se
penso ou se alguém pensa por mim nenhum
argumento não penso em ninguém nem em
ideia nem em ideal sou vazio dessas coisas sou
vácuo desses espaços só iludo-me a iludir a
quem quer ser iludido por mim não tenho uma
flauta a arrastar atrás a todos que querem ser
levados por um redemoinho não me importa
mais nada de quem gostava morreu não gosto de
mais nada vou morrer também sinto que já até
passei da hora pois não tenho mais paciência me
parece que só demência nunca tive saúde mental
não será agora que terei algum lapso de razão isso
é tudo que herdei hereditariamente herege noutros
tempos meu destino seria a fogueira da inquisição
porém hoje deus está do meu lado até me segurou a
mão póstuma nesta escrita proscrita profana insana

BH, 090902026; Publicado: BH, 0601002026

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

se minha cabeça fosse iluminada dum ser luminoso

se minha cabeça fosse iluminada dum ser luminoso
meu poema seria empoderado poderoso minha
poesia energia daria adeus monstros tais o leviatã
capital império genocídio outro mundo seria
construído sem os próprios defeitos que o ser
humano herdou da humanidade maldade ódio
guerra falta de paz de amor de perdão porém são
essas coisas que nos trazem lucros a falsa
felicidade são essas coisas que almejamos
depressão queremos pânico pã está aí com a sua
flauta a tocar o terror a fazer com que toquemos
o horror o caos no mundo onde nada mais nos abala
tudo viralizamos curtimos enviamos compartilhamos
há sempre um celular a nos acompanhar um olho
maligno dum big brother lá se vai nossa privacidade
a nossa cidade o nosso mundo poço sem fundo se
torna um lugar imundo perigoso para se viver onde
para nos salvar vivemos deixamos outros morrer

BH, 090902026; Publicado: BH, 0501002026

sábado, 3 de outubro de 2026

TBO: LENINE:


 

nunca escrevi o que gostaria de escrever

nunca escrevi o que gostaria de escrever
nem nunca fui o que gostaria de ser pois
sempre escreveram por mim sempre
foram por mim como se não tivesse
vontade própria comeram de comer por
mim beberam de beber por mim
viveram de viver por mim só não
morreram de morrer por mim também
nunca morri por ninguém nem sei se
vale a pena morrer por alguém já deixei
muita gente morrer não salvei ninguém
não ganhei uma alma um corpo sadio
uma mente sã todas as mentes eram
dementes doentias piores do que a
minha todos os corpos eram podres
corpos de zumbis em adiantados estados
de putrefações piores do que o meu não
quero mais corpo nem para cavalo não
quero mais alma nem penada para
assombração não quero mais ser fui
declarado um morto antes de nascer então
quero só agora morrer de novo como diz a
história ainda bem que nunca escrevi uma
história nem a minha fui encontrado numa
praia com as vergonhas de fora como disse
pero vaz caminha ao luiz vaz de camões

BH, 090902026; Publicado: BH, 0301002026