sou o único que não tem
estilo nenhum quero ter
algum estilo só na hora
da morte ao morrer com
dignidade morro como se
morre de verdade nada de
medo nada de covardia
nada de pessimismo que
tive a vida inteira morrer
livre como se morre um
libertado livre dos
pensamentos atormentados
da metafísica da filosofia
num canto coberto de
picumãs iguais eram o
telhado as paredes do
barracão da minha avó
então num canto úmido
coberto de teias de aranhas
mofo bolor limo longe da
luz do sol do calor sufocado
no quarto escuro trancado
quando derem por mim a
parecer que durmo porém
já estou é doutro a olhar de
soslaio ou enviesado os
que ficam aqui a observar
meu cadáver fascinados
BH, 020902026; Publicado: BH, 0220902026