mil vezes morrer talvez não incomode mais aos indiferentes
toda absurdidade todo desassossego que a humanidade tem
que passar mas a mim me incomoda sim muito nem tenho
como reagir são poucos meus movimentos são loucos meus
pensamentos são descontrolados meus organismos
desarranjados meus intestinos incerto meu destino não quero
isso para nenhuma menina nem para nenhum menino até
minhas salivas são abundantes minhas lágrimas rolantes penso
que seja hidrofobia cólera raiva rancor ódio ira perdi minha
harpa não toco mais minha lira a gaita de fole a harmônica
triste a flauta doce ficou amarga azeda o trem bão não passa
mais na minha estação ops segui pela estrada de ferro a pé a
costear os alambrados as veredas as montanhas carregava
minhas doenças nas entranhas um peso morto de pedra pesada
uma falta de consciência total que só me fazia mal misturada
com uma inconsciência total de mau não consigo ser lúcido
nem lúcifer foi lúcido nem kant tinha razão pura quero uma
crítica da razão pura se perdi a pureza vivo na impureza sem
conhecimento embaralho tudo sem cartas nas mangas confundo
sem mim o mundo ficará menos imundo não chego à conclusão
a única conclusão é morrer sem confusão sou vencido sem data
de validade sem nem ser movido pela velocidade da luz aonde
posso chegar então? a nenhum lugar comum estão todos
ocupados pelos vitoriosos vencedores que chegaram na frente
dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço cheguei por
último srei sempre o último aonde tiver de chegar sem a luz
BH, 0100302026; Publicado: BH, 050502026