quarta-feira, 8 de julho de 2026

meu coração é de negro africano

meu coração é de negro africano
coração de boi bravo zebu grande
do tamanho dum monte aguenta
tempestade em alto-mar procela
na travessia furacão tufão vendaval
redemoinho só não aguenta correntes
nos pulsos grilhões nos pés cangalhas
no pescoço injustiça no caminho isso
não seu moço meu coração é um caroço
uma pedra bruta nas costas da burguesia
um nódulo no peito da elite faltou com
a liberdade do meu coração faltou com
fartura agora aguenta o troco o rojão
meu coração é um toco onde o injusto
tropeça cai de borco de cara no chão
quebra a boca na mão de pilão o pau
do nariz com o ferrão o corte na goela
com a faca de serra ou dum facão não
vem que não tem se vier leva também
aqui é boi que não se entrega é touro
que mata o toureiro todo dia na arena
a vaca não vai para o brejo o bezerro
não fica desmamado dá cabeçadas
sacode o cupim ninguém monta em
mim sou cipião sou catão sou tacão o
tendão que me sustenta é um pêndulo
infinito branquelo espanto no grito
olha que não falo cicio sussurro soturno
burburinho de legião legionário templário
zumbido de multidão quem me conhece
começa a correr antes da confusão

BH, 060402026; Publicado: BH, 080702026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

falar da ditadura militar sanguinária hoje

falar da ditadura militar sanguinária hoje
é jogar conversa fora grande parte do
povo trabalhador brasileiro ou da nação
trabalhadora brasileira ou do operário do
proletariado nacional justificam a
ditadura militar assassina como algo
normal que era até necessária até melhor
do que na democracia até parte do povo
estudado diplomado se faz de omissa ou
analfabeta política apolítica a abraçar a
extrema-direita acolhedora de torturadores
generais nefastos políticos fisiológicos
cristãos armamentistas pastores rentistas
militares entreguistas apátridas vira-latas
lesa-pátria o pelego agora combate o
trabalhismo odeia o trabalhista tem raiva
do trabalhador operário proletário o
pelego chega a pensar que é capitalista
porém na hora da festa fica de fora do
banquete só se alimenta com as sobras
os restos do festim o pelego é o filho
pródigo que continua a comer as bolotas
dos porcos do butim pede intervenção
na própria nação escroto bate continência
à bandeira yankee age como se o próprio
país fosse um curral um chiqueiro um
quintal para entregar ao estrangeiro aos
nove anos presenciei com minha mente
coração olhos torturas em presos aulas
de como agredir de deboches com as
encomendas da mãe ao pai humilhado
humilhações desprezo que fizeram de
mim o lixo que sou hoje mocorongos
mocorongas bolsonaristas não têm nem
noção do que é uma ditadura se tivessem
não a pediriam para si próprios todo dia

BH, 060402026; Publicado: BH, 0600702026

quando digo que não sou humano

quando digo que não sou humano
é porque não sou humano pois
louco é quem diz que quer ser 
chamado de humano a fazer parte
desta humanidade posso até
parecer um componente da raça 
humana maluco é quem quer ser
da raça humana errei se às vezes
quis ser humano ou da raça
humana errei errar é humano
agora não erro mais não sou mais
humano deixei tudo que me
relacionava com humanos para
atrás alguns tentam contatos
imediatos porém sou isolado
eremita ermitão índio ontem
indígena hoje só não sou humano
humano não deus me livre de raça
humana não faço questão não sou
mais escrevo nem do capital nem
da religião nem de banco nem de
bancos de igrejas vaticano vá te
catar noutro lugar no catar de
doha no meu ninguém põe põe
no do teu pai põe no da tua mãe
mudei até de nome agora me
chamo arthur bispo do rosário
preciso duma colônia menos
humana como a juliano moreira
mais uma colmeia uma caixa de
marimbondos uma casa de vespas
ferroador meter o ferrão na bunda
desses humanos desumanos

BH, 0190302026; Publicado: BH, 060702026

sábado, 4 de julho de 2026

Hoje sonho com tigres; inédito de LLEWELLYN MEDINA:

Chuva dança elegante minueto
sol as asas de fora face redonda
cigarras mágico concerto
tanajuras desvairadas no solo encharcado
vida explode fugaz e esvoaçante
sem compreender os mistérios
que me assombravam
(e ainda assombram
exceto mula sem cabeça
saci-pererê macumba sob a mangueira
da encruzilhada aqui perto)
relva reluzente
madeiras e metais
pura música da partitura por Deus criada
oportunidade de brincar no chão inda molhado
o menino de então
os mistérios da vida

lendas ouvidas na infância
sonhos de mil e uma noites
e os olhos de amêndoa primeira paixão
o mundo cenário de leite e mel

lembranças me requentão o coração
era fininho e imortal e espadaúdo
o menino de então
hoje sonho com tigres

sexta-feira, 3 de julho de 2026

o universo me faz perder tanto tempo

o universo me faz perder tanto tempo
o universo não gosta de mim quanto
tempo estou aqui à toa a tecer loas
às elites a endeusar a burguesia de
que velem essas coisas materiais ao
universo? o universo é imaterialista
as elites não têm emoções a
burguesia não tem sensações
dependem do povo proletário para
sobreviver dependem do proletariado
pata tudo na vida se pararmos o jogo
derrubamos das nossas costas a elite
se quebrarmos o tabuleiro tiramos
nossas tetas da boca da burguesia o
universo não nos faz enxergar isso
não nos une continuamos explorados
escravizados assalariados
continuamos a enriquecer a
plutocracia não tomamos vergonha
na cara somos capachos queremos
ser pelegos patronais queremos ser
parasitas dos parasitas da elite
queremos ser párias dos párias da
elite queremos ser vermes dos vermes
do sistema a disponibilizarmos
nossas veias aos sanguessugas nossos
sorrisos nossas palmas em troca
recebemos palmadas cassetetadas
murros socos balas perdidas
preconceitos fascismos racismos
nazismos todo tipo de zumbis que a
humanidade já enterrou fazemos
questões de desenterrar de ressuscitar
então é cabresto são rédeas selas
fazemos dos nossos lombos montarias
são esporas chibatas ferrões freios
ferraduras o universo zomba quando
inconscientemente pedimos ditadura

BH, 0310302026; Publicado: BH, 030702026

PINK FLOYD:


 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

quem não sabe inventa não sei

quem não sabe inventa não sei
fazer uma letra nova fabricar
uma palavra moderna invento
um símbolo chamo de letra aí
invento um movimento num
papel feito com uma mão
chamo de palavra mas isso não
é uma letra é um garrancho é
um risco é um rabisco mas isso
não é uma palavra é um monte
de pontos é um morro de
pingos uma colina salpicada de
gotas uma montanha de grãos
de areia estás a mentir para nós
falaste que ias inventar uma
letra nova vens com velharias
disseste que fabricarias uma
palavra nova vens com sons
guturais primais tribais
cavernosos de cavernas
paleolíticas coisas pré-históricas
de paredes de locas de grutas
rupestres aí não vale mais são
coisas velhas antepassadas
ancestrais antecedentes tais nem
sabemos o que mais a academia
exige uma escrita hodierna de
hodie o liceu quer algo que não
morreu a escola quer uma
escolástica elástica que descola
um pensamento sólido não mais
essas experiências jogadas aos
ventos essas metamorfoses que
não atraem mais o status quo o 
stablishment a inteligência rara
intelectual do normal vai lá acalma
os lobos os leões as hienas os
enigmas para não seres devorado
pelas esfinges sedentas insaciáveis

BH, 0270302026; Publicado: BH, 020702026

a tristeza é muito grande a alegria é que

a tristeza é muito grande a alegria é que
vou morrer de alegria um dia deixar de
existir fisicamente para existir só no
poema na poesia ao desistir de tentar
ser o que não nasci para ser pois queria
ser humano não o sou não faço parte
da raça humana faço questão de não
confundir-me com o que não presta a
humanidade não nasceu para prestar
não posso respirar o mesmo ar do
leviatã não posso viver preso à mesma
gravidade dum yankee então a tristeza
é muito grande no meu coração só
aumenta meu coração fica cada vez
menor com menos espaço para a
alegria pequeno apertado não adianta
tentar enganar aos desavisados nada do
tudo para todos que se faz hoje é para
melhorar a humanidade muito pelo
contrário é para escravizá-la piorá-la
explorá-la fazer com que a humanidade
gere lucros muitos lucros não gerou
lucros é cancelamento descarte é total
invisibilidade muitos estão dispostos a
se vender pelo vale o quanto pesa sísifos 
carregam nas costas pedras do capital
 do capitalismo recebem suas migalhas
pagam as indulgências os dízimos daí
deitam as cabeças vazias nos travesseiros
de plumas de gansos satisfeitos felizes

BH, 0190302026; Publicado: BH, 020702026 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

sempre há no socialismo os que estão dispostos a se vender

sempre há no socialismo os que estão dispostos a se vender
ao capitalismo em vendeta o brasil está cheio de vendidos
vingativos bandidos principalmente no meio do bolsonarismo
com bolsonaro os filhos os filhotes da ditadura militar  pois
antes de mais nada o que um bolsonarista é é vendilhão vende
mãe vende pai vende irmão para complementar vende até a
nação sem esquecer a religião pátria família deus nada tem
sentido nas bandeiras desfraldadas pois desfraldam as
bandeiras que envergonham a humanidade a sionista de
israhel ou a yankee dos usa para pano de chão loas ao
fascismo usam a bandeira símbolo nacional verde amarela
há uma disputa federal ao troféu vira-lata dum lado a deputada
nikole chupetinha ferreira que até chama o país de bostil é
endeusada no pig partido da imprensa golpista doutro lado
os apátridas bichos escrotos nefastos sem dignidade nos
nomes nada acontece nem no conselho de ética nem no de
justiça pois seguem leves soltos a espalhar fake news ou a 
boicotar a sabotar o brasil a pedir invasões taxações
bombardeios aos yankees através do donald trapo que faz
do ser humano um cachimbo mete soca fumo bota fogo
a espalhar as fumaças que não são a do habemus papam
ou a fumaça branca que representa paz amor esperança

BH, 0190302026; Publicado: BH, 01°07020267

domingo, 28 de junho de 2026

estou aqui sozinho a escrever as minhas porcarias

estou aqui sozinho a escrever as minhas porcarias
como diz dona maria não é a melhor solução que
já caiu do céu para mim o médico me manda
andar fazer exercícios pedalar tomar remédios
mas nada disso quero só quero estar sozinho a
fabricar pergaminhos a tecer manuscritos mesmo
ao ser proscrito é só o que quero neste inteiro
critério fazer de mim um jardim ou o que se faz
um jardineiro a cultivar flores floras plantas
amores para uns são porcarias para mim são
alegorias adereços blandícias que mais posso
querer neste mundo onde ninguém quer nada a
não ser o outro lado escuro do mundo? então sou
um ser obscuro a escrever no escuro do meu
coração sombrio nas sombras nas penumbras
debaixo das nuvens pesadas ventos uivantes
raivosos ofegantes o triste é que tudo se confunde
como se fosse humano ser confundido com o ser
humano é uma tristeza que não tem fim é uma
maldição ser da mesma raça humana dum donald
trapo é uma maldade não quero isso para mim
quero me distinguir não ser essas porcarias que
saem de mim nada disso mais excrementos fecais

BH, 0190302026; Publicado: BH, 0260602026

sexta-feira, 26 de junho de 2026

mudaste alguma coisa? nada! mudaste o mundo?

mudaste alguma coisa? nada! mudaste o mundo?
nada! mudaste a si mesmo? nada! continuas a
enganar a humanidade? só! mais nada! sou
complicado sou um ser humano o ser humano é
complicado a raça humana é complicada não
compartilha o humanismo quer ter sem poder
dinheiro poder pode isso? não está satisfeita
com água pão vinho quer outras prioridades que
não pode satisfazer ouro prata mirra outros
incensos incestuosos não quer melhorias
coletivas quer religiões bancos outras estripulias
que no capitalismo só quem é bom tem pois no
capitalismo só tem quem é bom para o
capitalismo o capital é mais essencial do que a
humanidade para preservar o capitalismo acaba
com o humanismo destrói a humanidade poucos
veem isso então melhorias são em vão chomsky
também tentou só não foi engolido porque é um
yankee capitalizado fingiam deixá-lo pensar fazer
falar o que queria outros não tiveram a mesma
sorte luther king malcom x aí não aí é outro
assunto viraram defuntos defumados em fogo
nada brando todo mundo faz de conta que a santa
américa é o paraíso a referência desde que
ninguém fale a verdade ou abra os olhos de
alguém aí joga a tocha sagrada de fogo no povo

BH, 0190302026; Publicado: BH, 0260602026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

todos sentimos orgulhosos quando fazemos as coisas

todos sentimos orgulhosos quando fazemos as coisas
por mais simplórias piegas insignificantes que sejam
fazemos coisas ou por ambição ou por provação ou
por meta seja lá porque for fazemos as coisas mesmo
quando não as fazemos por amor ou as fazemos para
acabar com a paz com a felicidade de alguém pois
algo que incomoda é a felicidade alheia a paz do
semelhante que não diz respeito a nós nos incomoda
demasiadamente quero quebrar um recorde quero
cometer um ato terrorista quero envenenar alguém
quero fazer algo de ruim tudo que não presta só não
quero fazer o bem só não quero ser bom quero ser
egocêntrico ególatra o senhor do universo o dono do
planeta não me importa quantas vidas vou ceifar não
importa-me o que vou destruir para chamar a atenção
sobre mim não consigo passar um dia sem assar uma
pessoa em defumação sentir o cheiro da carne
defumada da picanha maturada em fogo brando
depois vou rir no jardim no meio das flores de barriga
para cima deitado nas relvas me esconder atrás da
porta a pensar no mau que sou a refletir no mal que
fiz para a maldade criar raiz ninguém nunca deixará
de se impressionar de se refletir a respeito da maldade
cultuada aqui na ternura no sorriso no olhar infantil

BH, 0170302026; Publicado: BH, 0240602026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

não tenho nada a dizer à humanidade do mundo

não tenho nada a dizer à humanidade do mundo
não sou pregador não sou poeta não sou profeta
nunca tive um ditado como ditavam os professores
nos tempos de escola nunca tive um livro capítulo
um versículo como os pastores nos tempos de igreja
nunca tive um verso uma estrofe um samba de
partido alto como nos tempos da boemia ou uma
seresta ou uma serenata cantadas diante duma
janela nos tempos das namoradas por ora tenho
outras coisas menos saudosas menos nostálgicas
são mais preocupações mais preconceitos são
sentimentos mais graves mais agudos doloridos
que causam depressões como o racismo a violência
contra as mulheres nossas mães as desigualdades
as injustiças então como não sei o que dizer fico
mudo nem adiantaria abrir a boca para falar alguma
coisa ninguém daria ouvidos o ser humano nunca
deu ouvidos nunca foi sensato a raça humana sempre
desprezou o humanismo as palavras libertadoras as
letras rebeldes revolucionárias as expressões
idiomáticas salvadoras esperançosas as frases geniais
as sentenças fenomenais não impediram o absurdo
sempre aparece um george bush um donald trapo um
bolsonaro nada humanos de vez em quando um ser
raro das profundezas celestes um lula de consciência
total um polvo libertador de povo porém não a todo
momento só de vez em quando ao tentar trazer um
pouco do conforto do amor da paz de mil em mil anos

BH, 0120302026; Publicado: BH, 0180602026

no escuro do quarto escuro homem escuro obscuro

no escuro do quarto escuro homem escuro obscuro
obtuso não percebi nem a luz do toco de vela nem
o frufru da cortina da janela sujo o lençol sujo a
cama suja o quarto sujo o mundo está sujo não
desejo um mundo limpo se cada alma é mais suja
do que um ânus para que o mundo não seja mais
imundo do que é é preciso higienizar as almas do
mundo sem almas limpas o mundo nunca será
limpo percebi agora que a energia voltou a luz da
sala reacendeu porém procurei permanecer sozinho
no escuro da minha escuridão não me levantei para
acender a luz do quarto no breu não sinto a sujeira
nem me sinto um eu lírico prefiro prefiro
permanecer físico sem ânimo para viver o mundo é
dos mortos deixo o mundo com seus mortos não
quero entrar na história já tenho os mortos do meu
mundo comigo carrego-os sozinho num ataúde do
tamanho do infinito pesam toda uma força de
gravidade pesam todos uma teoria da relatividade
uma conjectura escondida antes do big bang a vida
começou num tiro até hoje o universo está sujo de
pólvora porém o brilho das minhas ancestralidades
africanas dos meus antepassados africanos permanece

BH, 090402026; Publicado: BH, 0180602026

CLEMENTINA DE JESUS:


 


sábado, 13 de junho de 2026

sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via

sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via
seguia pela rua esguia erguia o olhar meus olhares
pairavam nas esquinas onde estavam as meninas que
saíam dos inferninhos sem freguesia esperavam num
último alento de esperança alguma bonança dalgum
cliente retardatário usuário dos serviços ordinários
o sol nascia sereno orvalho o primeiro raio pousado
num galho quem não ganhou à noite sem agonia não
vai ganhar ao dia corpo vadio pede folia porém a
alma com o espírito entenebrecem precisam dum
descanso para retornar às atividades da vida fácil que
é sempre dura difícil tirar algum do regaço do
regaçado para quem a igreja prega celibato a menina
foge do orfanato vai para onde o dinheiro paga o uso
do corpo pelo baronato barato que às vezes nem quer
pagar o mínimo pelos orgasmos forçados falsificados
os beijos gelados  a mão fria no ferro ardente o leite
coalhado derramado no asfalto limpa a mão num pano
de chão pega a merreca amassada no fundo do bolso das
calças enquanto o corvo dorme dá adeus até nunca mais

BH, 0190502026; Publicado: BH, 0130602026

sexta-feira, 12 de junho de 2026

depois da poesia escrita o poeta sai da fita

depois da poesia escrita o poeta sai da fita
após o poema sai de cena faz o soneto o
poeta jaz no leito findou a elegia de fato
o poeta é epitáfio a obra agora é por
conta própria o bardo não tem mais
responsabilidade a seu lado o aedo com
o medo do resultado se escondeu num
sobrado apagou as luzes das cruzes as
velas das janelas abafou com as sujas
flanelas as tochas os archotes as piras
todas as fontes luminosas iluminadas
poeta foste tu que escreveste isto? poeta
renegado sou renego meu pai universo
não tenho mais dom não sou mais gênio
mau a fazer mal o que era bom o que era
melhor agora só faço falcatruas cruas
mas em qualquer lugar até no meio da
rua um diógenes de sinope em sincope
a autoridade veio me alertar creio que
infringi a lei cri no débito fui um lixo
serás punido por isso tenho culpa no
cartório notório notário sou otário lavra
a escritura chama a dura cadeia no
gouveia que não tem sangue na veia
suor no rosto odor no corpo sebo nas
canelas comeste o pão que o diabo
amassou bebeste o sangue escorrido
da carne fraca na salmoura banha de
porco salgada pão velho mofado poeta
enfadado descarta num descampado

BH, 0190502026; Publicado: BH, 0120602026

quarta-feira, 10 de junho de 2026

THIAGO DE MELLO, OS ESTATUTOS DO HOMEM:

Artigo I 
Fica decretado que agora vale a verdade. 
agora vale a vida, 
e de mãos dadas, 
marcharemos todos pela vida verdadeira. 
 
Artigo II 
Fica decretado que todos os dias da semana, 
inclusive as terças-feiras mais cinzentas, 
têm direito a converter-se em manhãs de domingo. 

Artigo III  
Fica decretado que, a partir deste instante, 
haverá girassóis em todas as janelas, 
que os girassóis terão direito 
a abrir-se dentro da sombra; 
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, 
abertas para o verde onde cresce a esperança. 

Artigo IV   
Fica decretado que o homem 
não precisará nunca mais 
duvidar do homem. 
Que o homem confiará no homem 
como a palmeira confia no vento, 
como o vento confia no ar, 
como o ar confia no campo azul do céu. 

        Parágrafo único:  
        O homem, confiará no homem 
        como um menino confia em outro menino. 

Artigo V  
Fica decretado que os homens 
estão livres do jugo da mentira. 
Nunca mais será preciso usar 
a couraça do silêncio 
nem a armadura de palavras. 
O homem se sentará à mesa 
com seu olhar limpo 
porque a verdade passará a ser servida 
antes da sobremesa. 

Artigo VI  
Fica estabelecida, durante dez séculos, 
a prática sonhada pelo profeta Isaías, 
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos 
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. 

Artigo VII  
Por decreto irrevogável fica estabelecido  
o reinado permanente da justiça e da claridade,  
e a alegria será uma bandeira generosa  
para sempre desfraldada na alma do povo. 

Artigo VIII   
Fica decretado que a maior dor 
sempre foi e será sempre 
não poder dar-se amor a quem se ama 
e saber que é a água 
que dá à planta o milagre da flor. 

Artigo IX   
Fica permitido que o pão de cada dia 
tenha no homem o sinal de seu suor.   
Mas que sobretudo tenha  
sempre o quente sabor da ternura. 

Artigo X  
Fica permitido a qualquer  pessoa, 
qualquer hora da vida, 
uso do traje branco. 

Artigo XI   
Fica decretado, por definição, 
que o homem é um animal que ama  
e que por isso é belo, 
muito mais belo que a estrela da manhã. 

Artigo XII   
Decreta-se que nada será obrigado  
nem proibido, 
tudo será permitido,  
inclusive brincar com os rinocerontes  
e caminhar pelas tardes  
com uma imensa begônia na lapela. 

        Parágrafo único:  
        Só uma coisa fica proibida: 
        amar sem amor. 

Artigo XIII   
Fica decretado que o dinheiro 
não poderá nunca mais comprar 
o sol das manhãs vindouras. 
Expulso do grande baú do medo, 
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal 
para defender o direito de cantar 
e a festa do dia que chegou. 

Artigo Final.   
Fica proibido o uso da palavra liberdade,  
a qual será suprimida dos dicionários  
e do pântano enganoso das bocas. 
A partir deste instante 
a liberdade será algo vivo e transparente 
como um fogo ou um rio, 
e a sua morada será sempre  
o coração do homem.

se o universo me der alguma inspiração me armarei

se o universo me der alguma inspiração me armarei
de letras me municiarei de palavras vestido com a
armadura invulnerável da literatura me capacitarei
soberbo cooptarei todas as obras-primas que o
universo verso a verso disponibilizar à minha
disposição com nobres pensamentos com elevados
discernimentos coberto de lucidez de intuição a
verdade será o meu escudo mesmo no escuro muitas
coisas terei para dizer como diz um anjo ao soprar
aos meus ouvidos os ruídos de nascedouros dos
universos vindouros de raros minerais prata
diamante ouro outro serei com esses tesouros
ninguém mais duvidará de mim mamãe terá 
orgulho da criança que sou papai ficará contente
sorridente me chamará de gente de modo diferente
como se chama um poeta nascente na clara manhã
do dia que alisa os trigais os canaviais os matagais
bendito seja o bem-vindo menino quase homem mais
um milênio estará formado mais um século aprenderá
a se alimentar sozinho na fonte da ciência da total
consciência tenha paciência a sedimentação é lenta

BH, 0150502026; Publicado: BH, 0100602026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

rede globo de emburrecimento amou a ditadura militar

rede globo de emburrecimento amou a ditadura militar
seus sequestros prisões arbitrárias torturas assassinatos
desaparecimentos de presos políticos incineramentos
de mortos enterros clandestinos de corpos a rede globo
de emburrecimento tem uma dívida impagável com o
povo brasileiro que tem consciência total nem se deixa
iludir pelos seus funcionários serventuários linguiceiros
plenipotenciários sedentos de fama dinheiro  poder com
suas praticidades o emburrecimento causado pela rede
globo disseminou o fascismo relativizou o racismo
abriu as portas ao ressurgimento do nazismo colaborou
com o enfraquecimento da nossa democracia com o
fortalecimento da extrema-direita que minou os direitos
humanos sociais trabalhistas a soberania a dignidade a
cidadania a rede globo de emburrecimento com falsos
combates aos crimes das elites da burguesia encheu as
cadeias de pobres pretos analfabetos em respostas aos
anseios de cobranças por justiça por segurança porém
tudo maquiado para não desagradar aos donos dos
poderes hoje qualquer um se pensa no direito de ditar
as regras da nossa nação pois não tivemos determinação
suficiente de delendar a rede globo de emburrecimento
total hoje é o nosso mal causa do atraso estrutural os
responsáveis pela rede globo de emburrecimento não
pois são todos bilionários ou milionários às custas
pelos serviços prestados aos exploradores escravistas
capitalistas imperialistas colonizadores todo tipo de
mal ao povo que não soube ainda solidificar o destino

BH, 080602026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

JUDAS PRIEST:



 

gênio da escrita escreve algo genial aí

gênio da escrita escreve algo genial aí
sem realidade virtual sem inteligência
artificial só com a saúde mental corpo
estrutural são sano alma sã carrinho
de rolimã espírito de imã de geladeira
de geleira consciência total de rocha
milenar a contar a pré-história da
história da pedra lascada pinceladas
rupestres nas paredes das cavernas
pré-platônicas das quais continuamos
prisioneiros acorrentados até nunca
mais donde veio o primeiro do veio 
da realidade está à flor da pela a
inteligência subcutânea o homem
continua virtual artificial superficial
para alguns o planeta ainda é plano a
terra é quadrada ainda a ciência é
ultrapassada a consciência é morta
nada mais importa para que pensar no
que faz a cabeça doer? o cérebro
explodir o crânio fraturar? não existe
nada dentro do homem que vale a
pena explorar nem virtudes princípios
razões quem escreveu em cuneiformes
hoje escreve sem formas fundamentos
argumentos diálogos dialética ética
nada interessa ao homem dito moderno
se puder comprar tudo está tudo bem
compra até a longevidade de matusalém

BH, 0290102026; Publicado: BH, 050602026

de quatro pedimos invasões invasivas aos yankees

de quatro pedimos invasões invasivas aos yankees
vira-latas rabos entre as pernas por intervenções
militares agressivas nocivas nefastas em tudo
prometemos entregar petróleo terras raras outros
minério enriquecidos outros minerais naturais o
país dá adeus até nunca mais temos taras de
loucos para sermos enrabados até os talos somos
uma geração sem pedigree dizem alguns é uma
primavera de entreguistas apátridas dizem outros
são lesa-pátria escrotos ninguém ouve o alerta
fazemos ouvidos moucos olvidos mercadores
senhores senhoras qual nação se deixa levar assim
passiva cativa pacata pelas mãos? cadê o povo
trabalhador brasileiro que não para? cadê o
proletariado brasileiro emancipado que não é
pelego? ninguém nunca mais viu por aí uma
juventude rebelde pois está toda nas igrejas
dominada pelos pastores espera desde jovem os
reinos dos céus deixa fluir entre os dedos das mãos
a vida o futuro a razão da própria nação a geração
que lutava os homens as mulheres envelheceram a
juventude envelheceu junto aceitou o destino agora
é só a zeração em tudo zerou os estudos zerou a
educação zerou o amor zerou o sexo a paz zerou a
cultura a leitura a escrita zerou a vida a civilização
a revolução a evolução a zeração zero zerou tudo aí
vêm os velhinhos espertos poderosos fazem guerras
mandam todos a zeração zero para debaixo da terra

BH, 0310302026; Publicado: BH, 050602026

quinta-feira, 4 de junho de 2026

sou uma cópia um esboço um croqui

sou uma cópia um esboço um croqui
tudo tem seu original não sei aonde
anda o meu estou mal não estou bem
meu original deve estar por aí onde
não sei é uma merda nunca sei de
nada a meu respeito todo mundo já
sabe tudo de mim que sou uma cópia
de má impressão uma maquete
enferrujada uma ponte quebrada um
muro caído uma cidade em ruina
um queijo roído em ruídos assustei
até a minha sombra minha imagem
do espelho máquina emperrada
estragada maria fumaça abandonada
navio fantasma num cais sem cal na
escuridão acharam uma vez um
protótipo deram um nome uns
números mas logo vi que não era o
que sou sou mais falso mais fingido
a verdade não é comigo fizeram em
mim uma alma de carbono usaram um
crayon piche carvão grafite petróleo
bruto cru saí de fininho para a
penumbra pé ante pé nem mesmo me
encontrei ouvi um alguém com um
saci-pererê aos gritos de achei olhei
falei quem dera o saci-pererê tem
história igual ao negrinho do
pastoreio não ficou branco de susto
igual fico quando corro perigo ou
que a verdade a meu respeito vem à
tona tremo flor na haste botão no
caule é agora o meu fim passou um
mata-borrão em cima de mim

BH, 0310302026; Publicado: BH, 040602026

PRINCE:


 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

LLEWELLYN MEDINA, A história do homem que amava condecorações:

Era um potestade
arquivou-se em todos os escaninhos
da burocracia
foi subalterno
sub-chefe
depois chefe
foi também diretor-geral
quase chegou a ministro.

Mas o que mais gostava
era de receber condecorações
tinha várias
podia-se dizer
tantas quantas as letras do alfabeto
até "k", "w" e "y"
que a reforma ortográfica desconsiderou
embora continuassem em pleno uso
inclusive para ordenar a coleção
do homem que amava condecorações

Gostava de paradas e solenidades
oportunidade em que se exibia
e sempre se frustrava
quando surgia alguém
com mais condecorações ou medalhas
não se resignava então
nunca se resignou
dizia não entender
como a fortuna pudesse ser tão inglória
consentindo em que outras lapelas
pudessem ser mais luminosas que a sua.

2

O homem que amava condecorações
não perdia congressos
preferia os internacionais
oportunidade ideal
para explicar doutoralmente
o significado de cada uma de suas condecorações
chegava a expressar-se em javanês
surpreendia-se a si mesmo
com o fato de os trópicos terem produzido
luminar de seu jaez

Quase sempre se achava o rei da cocada preta
às vezes sentia-se injustiçado
e incompreendido
reverberando porque muitos teimavam
em ignorar suas qualidades
mais - suas condecorações
 - era inveja - justificava para seus botões.

Periodicamente
fazia publicar na coluna social
nota ou outra sobre suas virtudes
sempre precedida da enumeração
de todos seus ícones
e assim provocava convites
de poeta municipal
vez por outra poeta estadual
e até, pasmem, do poeta federal

Tal era o peso de suas condecorações
que também andava de lado
mas enfrentava galhardamente
o ônus de sua virtude maior.

3

E assim
o homem que amava condecorações
ia levando a vida
até que um dia surgiu outro homem
que amava mais ainda condecorações
amargurou-se
porque nunca imaginava
que fosse possível
alguém amar condecorações
mais do que ele amava.

terça-feira, 2 de junho de 2026

não sei fazer outra coisa nem o que penso que sei fazer

não sei fazer outra coisa nem o que penso que sei fazer
é imenso meu entupimento sem pensamento dos pés à
cabeça engarrafada até tento descolar a decorar jargões
algumas frases de efeitos letras doutros idiomas raras
palavras difíceis possíveis impossíveis porém passo só
despercebido à multidão que foge para um lado estou
noutro neutro máquina com defeito cérebro eletrônico
travado noiado desesperado quem não sabe fazer
alguma coisa um dia na vida chegará mesmo que dure
uma eternidade continuo a cuspir para cima o que
sempre me cai na cara continuamente um dia é um dado
é um dedo é um dedo é um dado é um dia o cuspe cai
numa face viro a outra face lavo o rosto o semblante no
cuspe como num banho de saliva com sal grosso arruda
de guiné espanto os fantasmas aí grito ao infinito um dia
vim vi venci até a mim mesmo coloquei a nocaute sou
meu vencedor onde me impus as maiores derrotas da
humanidade agora começo outra história só que não
vou contá-la do jeito que deveria contar pois pode
ficar igual a todas as histórias que conto de mim não
pode tem que ser por obrigação uma história diferente
não quero ouvir ninguém nunca contar uma história
igual a essa não deve ser verdade deve ser mentira falsa
não importa nem a hora derradeira mas é a minha história

BH, 070402026; Publicado: BH, 020602026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

agora a iludir-me parece que sei dalguma coisa

agora a iludir-me parece que sei dalguma coisa
quem te mandou falar isso menino maligno
malino sem destino perdeste o tino? o que foi
que perdeste no palheiro no paiol? o raio de
sol que entrava pelo buraco da telha quebrada
do barraco em cima do barranco onde morava
a minha avó hoje ninguém mais tem avó avô
nem pai nem mãe nem irmão nem irmã hoje
ninguém tem nada só solidão quem te mandou
dizer isso menino com cara de assassino
mataste passarinho no ninho é por isso que
estás em redemoinho fuinha que quando vem
não traz a remissão continuas sem perdão
condenado sempre a lembrar dos teus malfeitos
aleijões defeitos muito pelo contrário fechavas
o coração para tudo para todos quem era cristão
pareces que até adivinhavas a atual situação onde
cristão hoje é sinônimo de tudo que não presta
até deus sumiu jesus fugiu nas trevas corrias o
risco de ser crucificado outra vez como
comunista mas viram a fria que entraram ao
querer amar ao mundo amar ao homem dessa tal
maneira como não são amados o mundo o homem
não conhecem a reciprocidade então foram
deixados de lado a apodrecer nas próprias vaidades

BH, 0310302026; Publicado: BH, 0290502026

quinta-feira, 28 de maio de 2026

TOM WAITIS:


 

pensamentos vem à minha cabeça crucificada

pensamentos vem à minha cabeça crucificada
deixai-os vir a mim vinde bons maus dou
prioridades aos maus são mais selvagens
mais invasivos invasores incisivos os bons
quase não são notados são lentos letárgicos
retardados atrasados dos bons ninguém quer
saber não dizem nada supérfluos superficiais
caem no limbo invisíveis ausentes solitários
solventes dissolvidos no éter com efeitos
rarefeitos sem efeitos com defeitos imperfeitos
vis vão aos bons digo não são demagogos
amadores leigos sensacionalistas lacradores
negativos querem visibilidades notoriedades os
maus não são assim são porém como os imãs
de polos que se repulsão o azeite com água o
sal com o açúcar a cal virgem com a água tudo
que é bom que faz bem não rima com ser
humano nem com raça humana com tanta
interação igual a humanidade com a maldade
bem-vindos meus maus pensamentos
coloridos ou em preto branco 

Publicado: BH, 0260502026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

uso sempre as mesmas letras as mesmas palavras

uso sempre as mesmas letras as mesmas palavras
para dizer sempre as mesmas coisas para sempre
deverias usar outras letras outras palavras para
dizer outras coisas o universo está aí cheio de
desdobramentos fímbrias blandícias adereços
endereços menos do que num segundo nasce um
infinito no universo o homem é só o começo o
meio o fim ainda engatinha não tem nem um
bilhão de anos enquanto há dobras cinturões
brilhos de trilhões de anos é que sou um ser
limitado por mais que queira não passo na
peneira no funil não saio do tubo de ensaio
pipetado pela pipeta do tempo não passo no
túnel nem num buraco duma agulha fagulha
não incendeio não pego fogo fornalha fogueira
que asneira por mais que queira uma gota
d'água quer muito mais que do que quero só
espero uma esperança não morro pois a morte
não quer quem quer morrer a morte quer quem
não quer morrer quem quer viver esse ser tem
muito mais sabor para a morte o que sou só
terror temor horror o mais do mesmo lugar
comum sempre sem vida sem apresentar
expectativa ninguém aprende nada comigo
nada tenho para ensinar a alguém pois também
quero aprender pelo menos a coordenar as
coordenadas num momento infinito do tempo dos sentidos

BH, 0310302026; Publicado: BH, 0250502026

quinta-feira, 21 de maio de 2026

saudades da juventude rebelde do jovem revolucionário

saudades da juventude rebelde do jovem revolucionário
sonhador idealista libertador genial libertário saudades
da mocidade livre libertadora que pensava em mudar o
mundo para um lugar melhor livre da repressão da
exploração da escravidão da religião é triste certificar
que grande parte da rapaziada da moçada agora está do
lado errado da história nem quer pular fora veste uma
camiseta vistosa com a carranca carrancuda do ustra ou
com a máscara de ferro da margaret thatcher com a
estampa do pablo escobar símbolos malditos da
extrema-direita vestem grande parte da indumentária da
meninada errada que teima em perpetuar os inimigos da
democracia da liberdade da dignidade da soberania com
a curta vida que temos ainda perdemos tempo ao tentar
reverter os desvios mentais das mentes doentes atuais
que desprezam os ancestrais permitem bloqueios
econômicos às nações que lutam contra os yankees
votam nos políticos fisiológicos com suas políticas
fisiológicas sem compromissos com a democracia ou
com a realidade do povo trabalhador do meio ambiente
com o compartilhamento do mundo com todos os que
respeitam o mundo o que de mais a juventude aprende
é não respeitar nada nem o passado nem o presente nem
futuro aí os dominadores deitam rolam deixam os jovens
cheios de dores de temores de horrores vazios de amores

BH, 0200402026; Publicado: BH, 0210502026

KID ABELHA:


 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

não ser capitalista também é uma forma de ser rico?

não ser capitalista também é uma forma de ser rico?
quem determina o conceito de ser rico no universo?
capitalista detém o conceito do dom da virtude duma
consciência total? a evolução da espécie quer dizer
ser neoliberal colonialista imperialista? qual o dom
da riqueza sem ser selvagem? morrer sem razão? ou
viver em brancas nuvens sem amor sem amar sem
paz pois sou pela paz só que quando falo quem quer
o prêmio nobel da paz já está em guerra tigrinho com
a china tigrinho com a rússia tigrão com cuba ou com
outros países menos preparados para a guerra assim
são os covardes que jogam bombas em gaza na
palestina bloqueiam nações subdesenvolvidas roubam
terras raras outras riquezas apoiam o genocídio de
israhell campos de flagelados de refugiados ou até de
concentração de extermínio ainda não encontramos o
elo perdido da civilização fechamos a porta da
evolução matamos crianças negamos o pão a água
não podemos nos chamar uns aos outros de irmãos

Publicado: BH, 0200502026

se viver é perigoso prefiro viver perigosamente

se viver é perigoso prefiro viver perigosamente
viver de qualquer forma é melhor do que morrer
mesmo que às vezes queira morrer de vem em
quando viver sempre será a meta de qualquer
poeta até dos menores do menos poeta entre
todos os poetas quanto menos for o poeta
quanto correrá menos risco ao viver sofrerá
menos dano causará desengano ou desilusão
ou desassossego mais vale um corpo pequeno
frágil desde que a alma seja universal não faz
mal não é o ser mau não mata de fome não
mata de sede procura curar as doenças as
epidemias as pandemias as guerras tudo o
mais que envelhece a juventude ceifa a
rebeldia castra a revolução adoece a
humanidade mina a civilização é preciso estar
alerta com os falsos profetas missionários que
fazem vistas grossas aos crimes da burguesia
ouvidos de mercador aos mal feitos das elites
se fingem de surdos às vozes dos inválidos
não denunciam aos que praticam injustiças
ou que proliferam injustiçados mundo fora
vivem sem virtudes o que valeira apena não
viver pois viver sem virtude é não viver o
que não justifica não qualifica não dá pano
para mangas nem alicerces para a própria casa

BH, 0170402026; Publicado: BH, 0200502026

terça-feira, 19 de maio de 2026

MOZART 40:


 

não fui quem falei para mim que era homem de pouca fé

não fui quem falei para mim que era homem de pouca fé
ou que era o que não sabia o que fazia de fato tomei as
dores pequei peguei para mim estas frases estes versículos
estes vernáculos velhacos nunca mais fui o mesmo só o
mal sem fé só o ignorante que não sabia como que agia
uma condenação assim torna qualquer ser em dor pior do
que a do ser mais ruim não levantei do chão mais nunca
só andei de cabeça para baixo só andei de rabo entre as
pernas a procurar o que de mais valia não valia o que
procurava nem nada para ninguém nem para viver assim
mesmo fui tentar enxergar no meio dos cegos todos viram
meus defeitos deixaram os seus de lado passaram a apontar
os meus a escarnecer a me fazer errar cada vez mais fiquei
marcado tatuado cicatrizado estigmatizado amaldiçoado
lobotomizado pronto para a eutanásia todos escondiam
seus próprios defeitos pois tinham os meus para expor os
meus defeitos satisfaziam-nos nas ausências dos seus que
estavam escondidos nos esconderijos os meus vieram à
tona à flor da pele à carne viva fiquei lesionado nunca
mais fui o mesmo nem outro nem sei o que fui o que sou
o que serei todos dizem sou um defeito isso é o que
importa se são os perfeitos têm os meus por direitos como
se fossem os deles estão em igrejas não estou estão em
bancos não estou estão em universidades não estou têm
diplomas nas paredes não tenho estou aqui a escrever
estas vaidades de vaidades de vaidades que diz o pregador
tudo são vaidades de vaidades de vaidades também sou

BH, 0170302026; Publicado: BH, 0190502026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

para que ter? é melhor ser do que ter

para que ter? é melhor ser do que ter
se és tens não importa o que há seres
que não são só têm mais nada só
abrem a boca na osmose só pensam
o que os mandam pensar não cantam
passarinhos se deixam levar
passarões não sabem cantar nem
construir um ninho quanto ,ais voar
viajar fora do corpo passear no
espaço sideral brincar no eclipse ou
de esconde-esconde na penumbra
do horizonte têm medo de tudo
vivem a rezar a incomodar a deus
por todas as coisas quando que um
passarinho pede ou agradece? nunca
aí ficam com inveja vão lá prendem
o passarinho incendeiam seus habitat
poluem os mananciais naturais por
fim não vemos mais nenhuma
joaninha numa pétala duma flor dum
jardim ai de mim que sou um homem
ruim nem quero ser bom para não ser
diferente dos outros homens a viver
isolado na solidão invisível na
multidão não quero ser bom para não
ser chamado de gay pelo donald trapo
nem ser chamado de fraco pelos
plastificados das academias fitness
quero ser chamado de forte também
de macho alfa de rodeios impressionar
meu filho pressionar minha mulher ou
dar ou desce de preferência pela janela
do vigésimo quinto andar num voo livre
como uma estrela a se estatelar na calçada

BH, 0270302026; Publicado: BH, 0180502026

quarta-feira, 13 de maio de 2026

não me venhas que não vou

não me venhas que não vou
não me tenhas que não tenho
só o fato de não ir já me faz
rir só o fato de não ter já me
faz ser então não me sejas no
meu lugar já cansei de falar
não sou o que queres que
seja sou o que quero ser não
me canso de saber é a única
coisa que sei mais do que
sócrates sabia só não sei mais
do que um sabiá sabe sabia?
nem faço mais do que um
beija-flor faz nem vejo com
mais visão do que um bem-
te-vi vê pois mal-te-vi corri
és um homem do homem sei
muito bem o que um homem
é do que um homem é capaz
então rapaz satanás afasta-te
de mim demiurgo demônio
esses textos textões testículos
apodrecidos o dia que um
homem fizer alguma coisa
digna dum tico-tico o homem
será um homem voltas aqui te
receberei rei como amigo por
ora és meu inimigo público
número um contigo ao meu
lado corro perigo vou
abandonar o abrigo me abrigar
na colina no cimo do outeiro
onde os anjos construíram a
escada de ouro que eleva aos
céus a qual procuro desde
menino esse é o meu destino
se não fosse tão malino
maligno igual todo homem é
já a teria encontrado há muito
tempo não estenderia esse
molambo de corpo nesse estrado

BH, 0270302026; Publicado: BH, 0130502026

segunda-feira, 11 de maio de 2026

não sei escrever o que quereis ler

não sei escrever o que quereis ler
então amputo os braços me mutilo
decepo as mãos ponho a cabeça no
cepo não sou mago das letras bruxo
das palavras esmago o que resta
com mão de pilão piso o tendão
com tacão de calcanhar de aquiles
esfacelo o perfil catão com o coturno
noturno não sei ser o que quereis
que seja sou tudo de todos os nojos
o que sai com mau cheiro de dentro
do corpo o corpo ainda vivo cheira
mais mal como se estivesse morto
jogo essências aromas olores
desodorantes o odor é insuportável
nem chanel da coco disfarça mais
imaginais quando esse corpo morrer
de vez de verdade só caixão de
chumbo lacrado para haver velório
para não afastar as carpideiras para
acontecer a procissão do enterro
muitas velas queimadas defumadas
muitas flores ou do contrário
ninguém comparecerá à missa de
corpo presente odores olores
defumadores vinde a mim os que
cheirais bem ajudai a fazer o cheiro
da morte suportável às narinas
sensíveis que não suportam o cheiro
da vida o suor o sebo a seborreia a
cera o pus não suportam nada que
sai do corpo que finge que está vivo

BH, 0260302026; Publicado: BH, 0110402026