terça-feira, 23 de março de 2021

Todos dizem que bebo demais; Publicado BH, 0230302021.

Todos dizem que bebo demais
E que sou vadio e vagabundo
Todos dizem que sou um perdido
Em vadiagem pelo mundo e
Quando passo os falsos amigos
De mim acham graça e murmuram
Ali vai um ébrio a exalar à cachaça
E sussurram e zombam pois não 
Conhecem o meu drama real
E bem sei que a vida ávida que
Levo não é vida normal e vou contar
Para vocês o drama da minha história 
E a desgraça que me destruiu
Foi alguém que amei com loucuras
E esse alguém me traiu.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Poeta Sérgio Vaz: Hoje.

 Hoje

vi uma criança acordada
comendo pão dormido.
Um homem desempregado
empregando uma arma.
Uma mulher vestida em trapos
lavando roupa cara.
Um policial desalmado
separando um corpo da alma.
Uma menina desnutrida
com a barriga cheia.
Uma bala perdida
procurando uma veia.
Senhoras de joelhos
andando sem destino.
Velhos com olhos vermelhos
chorando como menino.
Poetas loucos
cuspindo razão.
Anjos e demônios
na mesma religião.
A miséria na coleira da fartura
a vida fácil
às custas da vida dura.
Gente sorrindo
com o coração em pranto
surdos ouvindo
a canção dos falsos santos.
Vi mãos calejadas
beijando mãos macias
José nas enxadas
no cabo delas, Maria.
Com mansos olhos de fel
E a boca dura de fera
vi um país no céu
E o inferno na terra.
Sergio Vaz
*Coisas da vida, do livro Colecionador de pedras (Global Editora)