sábado, 13 de junho de 2026

sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via

sempre pensava que alguém ia me ver ninguém me via
seguia pela rua esguia erguia o olhar meus olhares
pairavam nas esquinas onde estavam as meninas que
saíam dos inferninhos sem freguesia esperavam num
último alento de esperança alguma bonança dalgum
cliente retardatário usuário dos serviços ordinários
o sol nascia sereno orvalho o primeiro raio pousado
num galho quem não ganhou à noite sem agonia não
vai ganhar ao dia corpo vadio pede folia porém a
alma com o espírito entenebrecem precisam dum
descanso para retornar às atividades da vida fácil que
é sempre dura difícil tirar algum do regaço do
regaçado para quem a igreja prega celibato a menina
foge do orfanato vai para onde o dinheiro paga o uso
do corpo pelo baronato barato que às vezes nem quer
pagar o mínimo pelos orgasmos forçados falsificados
os beijos gelados  a mão fria no ferro ardente o leite
coalhado derramado no asfalto limpa a mão num pano
de chão pega a merreca amassada no fundo do bolso das
calças enquanto o corvo dorme dá adeus até nunca mais

BH, 0190502026; Publicado: BH, 0130602026

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