quinta-feira, 4 de junho de 2026

sou uma cópia um esboço um croqui

sou uma cópia um esboço um croqui
tudo tem seu original não sei aonde
anda o meu estou mal não estou bem
meu original deve estar por aí onde
não sei é uma merda nunca sei de
nada a meu respeito todo mundo já
sabe tudo de mim que sou uma cópia
de má impressão uma maquete
enferrujada uma ponte quebrada um
muro caído uma cidade em ruina
um queijo roído em ruídos assustei
até a minha sombra minha imagem
do espelho máquina emperrada
estragada maria fumaça abandonada
navio fantasma num cais sem cal na
escuridão acharam uma vez um
protótipo deram um nome uns
números mas logo vi que não era o
que sou sou mais falso mais fingido
a verdade não é comigo fizeram em
mim uma alma de carbono usaram um
crayon piche carvão grafite petróleo
bruto cru saí de fininho para a
penumbra pé ante pé nem mesmo me
encontrei ouvi um alguém com um
saci-pererê aos gritos de achei olhei
falei quem dera o saci-pererê tem
história igual ao negrinho do
pastoreio não ficou branco de susto
igual fico quando corro perigo ou
que a verdade a meu respeito vem à
tona tremo flor na haste botão no
caule é agora o meu fim passou um
mata-borrão em cima de mim

BH, 0310302026; Publicado: BH, 040602026

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