segunda-feira, 3 de agosto de 2026

não auscultei meu coração era muito selvagem

não auscultei meu coração era muito selvagem
para uma auscultação se dizia sim o peito dizia
não se se mostrava sangrento molhado o seio
era árido de seco arenoso desértico não dei
ouvidos à sistole à diástole agora sou um sítio
ermo agora um tolo numa colina queimada
numa vereda cinzenta empoeirada num sertão
de cactos palmas espinhos ossadas o sangue
não é mais arterial é sangue ralo porém venoso
pouco ou quase nada rega o corpo que mais
parece um esqueleto de caveira triste que não ri
de vergonha por estar desdentada quando a
chuva voltar dentro de mim cultivarei grama de
jardim flores vivas sempre-vivas nada de morte
de azar só vida só sorte vagarei de sul a norte
de leste a oeste indene onde estiver o vento
com sua rosa dos ventos estarei em poesia em
poema em prosa sempre em oração em reza
forte em prece não mais entristecida alguém
terá que ouvir ao dar ouvidos não olvidados por
mais abissal levantei das cinzas lázaro a correr
ouvi o grito do infinito o eco da caverna a ordem
suprema levanta anda haja vida onde nunca
houve toma essa alavanca esse ponto de apoio
mova o mundo ao rumo a dum horizonte novo

BH, 0100702026; Publicado: BH, 030802026