tudo amassado com a mão dela que fazia um
capitão para cada menino para cada menina
sentados no chão do terreiro ou do quintal em
frente à porta da cozinha rodeados de galos de
galinhas ciscos gravetos cavacos farrapos de
panos velhos vassouras restos de cuspes pretos
de fumos de rolo mascados escarros bacias
pilões penicos enferrujados talhas atulhadas
jarros rachados vasos quebrados cacos de vidros
minha avó não tinha nada novo limpo asseado
nenhum dente na boca só o sorriso largo a
memória que falava de cor várias histórias as
lembranças das lambanças dos meus tempos de
criança as recordações das canções sem
acompanhamentos de violões mas preces rezas
orações curavam sezões quebrantos espinhelas
caídas caxumbas erisipelas desentupia goelas
narizes encatarrados tratava as putas da zona da
francisco sá só bebia cachaça até se deitar na
calçada com um travesseiro debaixo da cabeça
colocado pelo trabalhador do bar o que deixava
mãe muito invocada quando ia lá buscar comigo
com meu irmão a mãe sem noção minha avó às
vezes perdia a razão que já não tinha me tirava da
sala de aula dia de prova para ensinar meu coração
BH, 0170702026; Publicado: BH, 0200802026
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