quente não era pensamento de entidade nem
de gente era pensamento de cérebro doente
ficou ali no asfalto latente o feto do aborto
absorto abstrato passei olhei meu
pensamento morto condenado sem ser
condecorado acorrentado igual cérbero a
cuidar do portal do inferno argos o cão de
ulisses latiu para mim o cão vira-latas que
acompanhava caim em suas andanças pelo
mundo talvez um mendigo imundo coberto de
andrajos cadê teus trapos? não respondas
perguntas com perguntas respondo do jeito que
quiser és um atrevido abusado ousado por isso
marquei-te com ferro enferrujado teu castigo é
não morrer querias a alma do meu irmão a dei-te
agora me pagas assim não te-as-dou mais
outras almas nem a minha nem doutros
amaldiçoados iguais a mim não quero almas
pequenas que não valem a pena sei disso fiz
feitiço encomenda em encruzilhada quem tem
alma que valha a pena nem lembra de ti nem de
mim só as almas sebentas famintas famélicas
que esperam de bocas abertas que caiam manás
acepipes mel leite de rochas bênçãos dos céus as
grandes almas nem agradecem pelo ar que
respiram pela água de beber pela comida de
comer pela vida de viver decidem a própria
morte numa eutanásia na roleta russa da sorte
BH, 0140702026; Publicado: BH, 060602026
Nenhum comentário:
Postar um comentário