sexta-feira, 21 de agosto de 2026

tudo dorme no fundo da gaveta do tempo infinito

tudo dorme no fundo da gaveta do tempo infinito
a gaveta não tem fundo não tem grito é uma
garganta cortada o tempo passa como o vento
nem olha para a trás quando acordamos não
sonhamos pensávamos que os sonhos não
envelheciam mas estamos envelhecidos
esquecidos nos fundos das gavetas das cômodas
velhas dos quartos escuros onde moram os gatos
pretos nos esgotos a inferno aberto que o céu já
se fechou para todos nós para todo mundo as
almas que subiram de elevador caíram sem
paraquedas nos asfaltos quentes das autoestradas
a mais de 300 km por hora pesadelos atrás de
pesadelos não despertamos do sofrimento ainda
dormimos desesperados quem nos livrará dos
arados? das correntes? dos dentes afiados das
feras? dos tridentes? dos ferrões? dos grilhões? a
pré-história ainda nos mostra que não estamos do
lado certo da história fazemos tudo de errado para
não entrarmos na história quando entramos é como
se tivéssemos saído tragicamente para não
resolvermos nada para melhorarmos o mundo
nem a nós mesmos só nos pioramos só não fazemos
questões de evoluirmos  de não querermos a evolução
da espécie ou da espécime algumas quando abrirmos
os olhos os céus já não estarão abertos para nós
infinitamente não veremos mais este azul anil que
poderia alvejar nossas almas pequenas tão encardidas

BH, 0160802026; Publicado: BH, 0210802026

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