“Estou cego de verdade, estou cego de verdade,
estou cego de verdade, estou cego de verdade.Quem faria isso comigo? Os de cima? Os de baixo?
Olhe fundo nos meus olhos e diga: aqui um universo?
Que eu não ria. Que eu não ria.
A maquinaria não é propícia.
Os menores erros, eu disse, os menores erros
são percebidos.
Se essa maquinaria fosse perfeita,
não precisaria de perfeição no resto.
Luz. Aqui. Luz. Som. ALI
Se essa maquinaria fosse uma realidade,
não criaria essas palavras que a destroem.
Mas, de que vale? Nossos poetas estão mortos.
Nossa música não tem heroísmo.
Nós não temos corpos, somos fracos, somos rasos.
Nossos casos moribundos. Julgamentos um acaso.
Nossa obra, a obra do acaso total.
Clamo. Que me acordem se eu estiver dormindo.
Concordo!
Minha angústia, meu espírito.
Minha angústia, meu espírito.
Convoco! Uma nova geração de criadores.
Que se afunilem e se intoxiquem,
mas ouçam os lamentos das cidades.
Que se estrangulem, mas achem
a geometria de um parangolé brasileiro.
Que chova sobre nossa poesia!
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