quinta-feira, 2 de julho de 2026

quem não sabe inventa não sei

quem não sabe inventa não sei
fazer uma letra nova fabricar
uma palavra moderna invento
um símbolo chamo de letra aí
invento um movimento num
papel feito com uma mão
chamo de palavra mas isso não
é uma letra é um garrancho é
um risco é um rabisco mas isso
não é uma palavra é um monte
de pontos é um morro de
pingos uma colina salpicada de
gotas uma montanha de grãos
de areia estás a mentir para nós
falaste que ias inventar uma
letra nova vens com velharias
disseste que fabricarias uma
palavra nova vens com sons
guturais primais tribais
cavernosos de cavernas
paleolíticas coisas pré-históricas
de paredes de locas de grutas
rupestres aí não vale mais são
coisas velhas antepassadas
ancestrais antecedentes tais nem
sabemos o que mais a academia
exige uma escrita hodierna de
hodie o liceu quer algo que não
morreu a escola quer uma
escolástica elástica que descola
um pensamento sólido não mais
essas experiências jogadas aos
ventos essas metamorfoses que
não atraem mais o status quo o 
stablishment a inteligência rara
intelectual do normal vai lá acalma
os lobos os leões as hienas os
enigmas para não seres devorado
pelas esfinges sedentas insaciáveis

BH, 0270302026; Publicado: BH, 020702026

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