quinta-feira, 23 de junho de 2022

há os que tiram leite da rocha

há os que tiram leite da rocha
água das pedras
vida dos desertos
faz cair maná dos céus
sou não
tiro letras das águas
palavras do fogo
poesias do ar
poemas da terra
sangue do éter
apascento rebanho rebelde
nos campos das vertentes mais verdes
desfilo nos desfiladeiros pensamentos de
geleiras seculares
canto odes infinitas nos paredões dos despenhadeiros
mergulho eco nos abissais abismos
imaginários das abscissas
não me perco nos subterrâneos sem fundos
dos mais longínquos universos paralelos
para arrumar versos nunca dantes imaginados
guio minha nau catarineta
meu navio argos com tripulação argonauta
minha jangada de nióbio
pelos oceanos das lágrimas
dos negros africanos
das mulheres sacrificadas
das crianças violentadas
não fico satisfeito pois são tantos defeitos
que impedem minha perfeição
latejo meu coração nas pontas
das lanças de lajedos dos malfeitores
não vou longe com os meus suores
meu sangue é pouco
para o sangue derramado da humanidade
não faço um pacto pela raça humana
não caso com um ser humano
meu olhar de gelo congelou a paisagem
numa cena cinzenta
um cenário que tem o céu por moldura

BH, 060110220; Publicado: BH, 0230602022

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