pudera não era nenhum poço de genialidade
para agregar mentes iluminadas magnéticas
pelo contrário era limitado até demais fui mais
aluno de escola dominical do que educaciona aí
que foi o meu mal nem gammar aos montões
dava jeito nem memoriol sem dosimetria me
fazia abrir a mente firmar a memória ativar as
lembranças acordar as recordações esquecia
de tudo que não podia esquecer não queria
nada que podia querer uma vizinha dizia esse
menino é sétimo filho cuidado sétimo filho é
sempre amaldiçoado é maldição pura a outra
vizinha dizia olha o olhar desse menino é olhar
de assassino olhar morto olhar árido de olho
seco olhar parado sem vida sem nada aí vinham
as histórias de assombrações de minhas avós
mães dos meus pais ou de minha madrinha que
levava-me de noite para jogar pós fazer rezas
duma nota só nas encruzilhadas nas esquinas
preces sem rimas orações com invocações
noutras ocasiões distraia-me a mostrar os
luminosos letreiros enquanto mijava de pernas
abertas com as saias afastadas a me encher as
pernas nas minhas calcas curtas de pingos de
mijo que pareciam-me de água de batismo ou
água benta que o padre lançava sobre os beatos
nas missas depois ensinava-me a fazer linguiça
que infelizmente nunca aprendi nem vou
aprender
BH, 01401002035: Publicado: BH, 0701102025
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