segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

sinto que já estou perto do fim

sinto que já estou perto do fim
não queria morrer a escrever ruim assim
merecia uma escrita de ato nível
uma poesia nunca dantes declamada
um poema nunca dantes lido num grito
num uivo dum soneto infinito
merecia uma obra-prima universal
uma obra de arte celestial
uma bela arte divinal
um óleo sobre tela que ninguém mais
tiraria os olhos de cima dela
que ficassem presos pelos fios dos cílios nela
das pestanas das sobrancelhas
nunca mais fechassem os olhos
com a obra impregnada nas retinas
nas íris das meninas dos olhos
nos cristalinos nas pupilas a fazer
com que as lágrimas sejam coloridas
mas que não chorem por mim
não sou digno de lágrimas nem salgadas
quanto mais lágrimas coloridas doces que
chorem então por outros que vão morrer em vão
sem escritas sem poesias sem sonetos
nem do nível ruim dos que deixo
aqui juro que tentei fazer o melhor porém
pena não merecer alguma coisa nem
precisa ser esse prêmio nobel de literatura
bastaria que alguém lesse para mim seria uma ternura
ser lido é a salvação de qualquer escrito
mesmo piegas supérfluo mas que
a leitura faça com que o escriba morra satisfeito
quem olhar o defunto no velório sussurrará
poxa parece até que está vivo
vai enterrar assim mesmo?
dá mais um tempo aí quem sabe levanta
anda sai por aí a cantar a sorrir
como se fosse uma criança

BH, 0200102026; Publidado: BH, 0260102026

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