segunda-feira, 6 de abril de 2026

pelo máximo que o escritor queira escrever

pelo máximo que o escritor queira escrever
o leitor quer ler o mínimo possível ou nada
ou fazer o que pensa ser o melhor desprezar
a leitura tolstói escreveu guerra e paz joyce
ulisses steinbeck as vinhas da ira calhamaços
porém sabiam escrever eram lidos avidamente
quem é lido assiduamente nos dias atuais? até
o relatório hite de shere era disputado devorado
na irlanda criava-se o dia duma personagem
dum livro de joyce o blomsday não se vê nada
hoje que enaltece tanto a literatura nosso país
ainda não foi laureado por um prêmio nobel
de literatura pois matamos bibliotecas fechamos
livrarias editoras desprezamos escritores
ignoramos a cultura com o passar do tempo
nem precisaremos mais de escrever nem de ler
pois a realidade virtual a inteligência artificial
os robôs farão tudo por nós até a nossa função
de viver não será mais exercida por nós outros
seres mortos farão seremos apenas escravos
servos lacaios vassalos manipulados
controlados não precisaremos pensar nem
existir aboliremos penso logo existo ou o 
navegar é preciso viver não é preciso apenas
vegetar na vida paliativa parenteral sem
mastigação sem usar a voz a língua será
atrofiada os membros não terão funções
seremos uns aleijados por dentro por fora a
perambular mundo fora ao sabor do vento ao
relento iguais répteis ao sol iguais lobos ao luar

BH, 0120602026; Publicado: BH, 060402026

domingo, 5 de abril de 2026

IRA!


 

a tua morte foi um bem não vais mais viver

a tua morte foi um bem não vais mais viver
a atrapalhar a vida de ninguém ou a
constranger alguém diante dos
semelhantes agora todos estamos
livres de ti não serás mais uma carga
pesada às costas doutros nem do
governo nem do estado nem da
sociedade morreste como um
condenado à morte na primeira
consulta foi lido o veredicto sem
apelação tem que abrir a barriguinha
aqui ali mesmo ficaste não voltaste à
casa nunca mais te vi a não ser nas
minhas divagações nas minhas
reminiscências intermitências nas
aparições nas assombrações visagens
que imagino ver pelos antigos cantos
onde ficavas encostavas marcavas
marcas da tua cabeça das tuas costas
das tuas mãos até nos meus ombros
sinto quando encostas como encostavas
antigamente agora todos estamos
aliviados sou o único que persisto nas
lamentações nos remorsos nos
arrependimentos pois se continuasses a
viver atrapalharias o sistema colocarias
abaixo as estruturas abalarias as igrejas
não dava mais para continuares a viver
todos decidimos que tinhas que morrer
morreste mártir herói sei como ainda
dói em mim a cruz que trago às costas
a arrastá-la pesada pela estrada fora
pelos trinta seis sóis cravados no
calvário onde faço questão de está
pregado por cravos ensanguentados

BH, 0290102026; Publicado: BH, 050402026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

a primeira frase que passar arreada

a primeira frase que passar arreada
há de se captar boa ou má pois não
é toda hora que há desfile de frases
nas paisagens nas passarelas nas
paralelas a antena o radar a torre
de controle tudo que se puder usar
tem que estar diretamente em
sintonia em sincronização com o
universo geral o ditador da razão
das normas das leis o rei dos reis
que rege o bem ou o mal a morte
ou a vida a sorte ou o azar se
perdeu o fio da meada a deixar-se
peteca cair lá se foi o que era
doce até passar outra frase à
velocidade da luz ao quadrado
pode-se levar uma eternidade aí o
tempo para o cara está na
academia numa mesa para uma
cirurgia estética num banco a fazer
lucros investimentos numa igreja a 
pagar padecimentos indulgências
perder a razão o tino a se desviar
dos caminhos das frases ou está a
comer demasiadamente num fast
food a beber sem moderação
depois a reclamar de deus do
diabo de tudo que se pode lembrar
poderia ter feito história entrado no
guiness book na calçada da fama
que disgrama que desgraça viveu
na trapaça a enganar até a si
mesmo não captou nenhuma
mensagem nem do além para
epitáfio da sepultura no mausoléu
da literatura

BH, 0290102026; Publicado: BH, 030402026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ERASMO CARLOS:



 



PEDRADA, CHICO CÉSAR:

 Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Cães danados do fascismoBabam e arreganham os dentesSai do ovo a serpenteFruto podre do cinismo
Para oprimir as gentesNos manter no escravismoPra nos empurrar no abismoE nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Ê, república de parentes, pode crerNa nova Babilônia eu e vocêSomos só carne humana pra moerE o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!
Fogo, fogo (queima)
Fogo, fogoQueima, Senhor! (queima)Todo homem que oprime outro homemPor ganância, por dinheiroFaz da nossa revolta teu incêndioCada um de nós tua fagulha, SenhorE queima a BabilôniaSalve, Jah!Fogo, Jah!
Mas nós temos a pedrada pra jogarA bola incendiária está no arFogo nos fascistasFogo, Jah!