sábado, 10 de novembro de 2018

Continuo ao cair ser levado pela enxurrada; BH, 01701202001; Publicado: BH, 0260502010.

Continuo ao cair ser levado pela enxurrada
Sinto que não é uma torrente causada por chuva
É uma abundância perversa que trago dentro
De mim é uma maldade da qual não consigo
Livrar-me que só acontece para enxurrar
Meu coração do mal que veio para alagar com enxurro
De devassidão de dejetos o que resta ainda de
Mim dentro de mim é por isso que quem me
Olha não me vê enxuto me molha com o olhar
Não sou uma pessoa fisicamente bem proporcionada
Não sou seco nem sem umidade pareço mais
Com uma criança que urina na cama todos os dias
Uma enzima nociva uma substância complexa
Que age como promotora de reações bioquímicas
Próprias dos organismos vivos um fermento daninho
Uma aférese despercebida cuja adição de letra ou
Sílaba no meio duma palavra mata o sentido
A direção da mesma o fruto cujo epicarpo
Película externa acabou por apodrecer gerou
Um epiceno putrefato substantivo de forma comum
Aos dois gêneros da putrefação que começa no
Epicentro vem na devastação do centro aproximado
Dos abalos sísmicos do terremoto épico a epopeia do
Vulcão a dor do epicrânio bem na parte superior
Da cabeça dos vertebrados na degeneração que
Reveste o crânio do epicurismo para descaracterizar o
Sistema de Epicuro a doutrina que exalta os
Prazeres físicos epidemia epicurista partidária
Da doença que ataca repentinamente grande
Número de pessoas da mesma cidade ou região
A aumentar o fluxo epidêmico mesmo o que está
Desconhecido pela epidemiologia a comemorar na
Epifania festa católica em comemoração à visita dos
Reis Magos no Dia dos Reis continuo enxundioso muito
Gordo untuoso sem saber como fazer para parar de
Enxundiar-me pareço um porco a engordar a comer
A própria enxúndia a gordura das aves quero enxugar-me
Tornar-me um enxuto também secar-me à luz do
Sol dos desertos não sonho não tenho pesadelos
Quando sonho ou tenho pesadelos esqueço-os
Nem lembro-me mais estão todos escritos
Em papéis avulsos perdidos esquecidos pelos cantos
Dos tempos não tenho prazer nem felicidade Nem alegria quando choro não aparece quem
Gostaria de enxugar as minhas lágrimas meu
Rosto não permanece enxuto não tenho lenço
Para secar o meu pranto o único enxugadouro
De esperança é que um dia seja lembrado
Como o homem que imortalizou a humanidade
A única vantagem é que o meu coração é o
Lugar onde a raça humana põe roupa a enxugar
Meu peito é um sol não uma enxovia nem
O criador de cárcere com péssimas condições higiênicas
Não sou um Hitler que veio para enxovalhar a raça
Humana não sou um nazista para sujar a história
Não sou um fascista para macular o mundo
Injuriar os homens não quero desmoralizar o planeta
Se cometi algum enxovalhamento arrependo-me
Profundamente o meu enxoval é puro igual ao
Vestuário de noivas de recém-nascidos de alunos
Noviços faço cara feia para afugentar os bandidos
Mas só meto medo em baratas mosquitos tento
Expulsar os violentos só ponho para correr as
Crianças assustadas não sei enxotar o injusto ou o
Impio sofro todo o enxotamento dos fortes dos
Poderosos padeço com a enxotadura dos ricos
Dos burgueses representantes da elite que me deixam
Por herança o enxofre o metaloide de cor amarela
Porém o meu não tem a larga aplicação do industrial
Serve mesmo para afogar as almas rejeitadas
No paraíso queimá-las todas transformá-las em lavas de vulcão

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