quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Entretanto nesse meio-tempo de vida que ainda resta-me; BH, 01001101201301202001; Publicado: BH, 0240502010.

Entretanto nesse meio-tempo de vida que ainda resta-me 
Neste mundo o mais importante é o entressonhar sonhar 
Vagamente no entanto quem vive a devanear não tem 
Todavia o crédito que contudo pretende demonstrar que 
Tem ainda não sei tecer um pensamento nem entrelaçar uma
Frase ou inserir uma sentença no contexto meu entretecimento
É entretecer uma obra-prima numa entretela fazer do pano
Que se costura entre o forro a fazenda dum vestuário
Uma obra de arte entretelar uma obra-prima mesmo
Que seja ridicularizada nesse entretempo pois se
Até Picasso ao mostrar o primeiro quadro no
Tempo intermédio que viveu levou risada
Na cara muita gente duvidou que fosse arte
O que pintou muita gente duvida do
Que escrevo sirva pelo menos para entressola
Ou de peça entre a sola a palmilha do calçado
Muita gente duvida da minha entressafra
Cultural duvida que entre o período entre duas
Safras ou colheitas salve alguma coisa que
Preste mas meu entreposto continua cheio o meu
Depósito de mercadorias situado entre zonas
De produção os de consumo continua a transbordar
De ideias esquecidas de pensamentos imperfeitos
Chego a entorpecer-me de tanto procurar criar quando
Falta-me inspiração a ansiedade vem causar torpor
Em mim o entorpecimento aumenta com a
Angústia a agonia de ver o tempo passar
Sem viver o único entorpecente o que realmente
Entorpece em mim além de tudo isto é a
Ignorância pior do que qualquer substância
Tóxica inibidora dos centros nervosos que
Vem derramar veneno enxofre beber duma só
Vez o vinagre entornar o álcool do entontecimento
Do perder a razão do ficar tonto entontecer
O espírito a alma o ente o ser saiba que
Meu orgulho é escrever saiba que minha
Altivez são as letras o entono das palavras
Mas não quero ensoberbecer-me por isto não quero
Levantar nem entornar a voz como se fosse um
Bêbedo ladainha entoação de embriagado
De entonação do especialista entomologia de
Botequim entomólogo de bar entomologista que
Sabe tudo do estudo dos insetos da boêmia da
Polinização da orgia na entomofilia da noite
Para o dia entômico da mosca do mosquito
Da varejeira que para no ar não precisa
Explicar nem provar nada a ninguém
É a taruira que anda na parede de cabeça
Para baixo é o calango a aranha que
Não esperam que alguém venha cobrar uma
Definição parei de falar é o epiglote com inflamação
Epiglotite na válvula cartilaginosa elástica
Que veda a glote durante a deglutição tenho
Medo de engasgar não passar pelo epigastro
Pela parte superior do abdome a criatividade
A gerar um entupimento no epigástrio morre
O epifonema a cessar a exclamação que se usa ao
Fim de uma narrativa mórbida ou dum
Discurso fúnebre quanto este que destrói a minha
Epiderme a camada vascularizada que cobre
A derme que com ela forma a pele que
Esconde a minha carne putrefata de vergonha

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