terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

quem escreve é ignorado pois faz algo chato

quem escreve é ignorado pois faz algo chato
que é escrever para alguém ter que fazer
outra coisa chata que é ler pois ler é mais
chato do que escrever ler é interpretar
entender compreender raciocinar pensar
tudo que o humano não gosta de fazer ler
não é tão fácil igual a escrever ler é usar
todo o discernimento a razão o pensamento
desvendar a metáfora criada naturalmente
pelo escravo da escrita que se passa por
escritor pois quem escreve é antes de mais
nada um escravo que escreve para se libertar
para se livrar das correntes do passado para
se livrar das doenças físicas ou mentas ou do
espírito ou corporais ou para tentar evoluir a
alma o ser o ente a entidade escrever todo
mundo pode escrever sem preocupação não
importa o que porém a função de ler requer
um preparo requer um ritual de concentração
de meditação como se o ledor se preparasse
para uma oração ao mais elevado itação 

FLEETWOOD MAC:



 

NENHUM DE NÓS:




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

não sabias porém eras a razão da minha vida

não sabias porém eras a razão da minha vida
que tanto queria de mim foi levada da noite 
para o dia hoje meu dia é só noite não tenho
mais alegria deste-me grandes momentos de
prazer de felicidade no existir por pouco
tempo ao teu lado preferiste partir a me
deixar partido dilacerado nunca mais
chegarei perto de ti nunca mais chegarás
perto de mim o que farei sem a tua presença
ou com a tua ausência? preciso fazer alguma
coisa para preencher meu coração que agora
está eternamente vazio de sangue de vida de
amor de paz só tormentos tempestades
pesadelos nada de bonança de riso de criança
nada de ternura de carinho de doçura só sal
passo mal com tremura vertigens tonturas o
tempo passa rápido dizem que voa deixo o
tempo ir todo meu tempo agora será perdido
não correrei em busca dum novo tempo dum
novo caminho duma nova vida pararei de
correr de andar pelas estradas de passear
pelos caminhos pararei de sonhar levaste
para onde foste todos os meus sonhos contigo

BH, 0230202026; Publicado: BH, 0230202026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos

triste por não ser livre por ser escravo dos escravos
do capitalismo triste por não ter a verdade que põe
um fim nisso no imperialismo está aí a me demonizar
a me desmoralizar o colonialismo que não me deixa
evoluir ser um cidadão do mundo livre sem fronteira
a compartilhar a liberdade aí faz de mim um refugiado
desesperado um flagelado social desassossegado um
cidadão sem cidadania sem soberania sem dignidade
triste sem democracia com bloqueio econômico
desumano tarifaço sem razão chantageado refém órfão
ninguém invisível triste o mundo está errado o forte
cada vez mais forte o fraco cada vez mais fraco não sei
mais o que faço para estas tristezas acabar compor um
samba libertador uma canção de amor um poema de
paz nada me satisfaz triste não acabar a escravidão ao
contrário continuar no armário na sala no salão o povo
quer mais é contar o tempo que foi escravo ou a
eternidade que terá a escravizar o irmão sem remorso sem
moderação a sociedade ainda não me deu uma verdade

BH, 0290102026; Publicado: BH, 0200202026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

não queremos mais saber de nada

não queremos mais saber de nada
vem o político da extrema-direita
todo mundo vai atrás tece loas até
bate palmas enche o congresso
nacional com o que há de pior de
inimigos do povo da nação do país
todo mundo coloca nos governos
estaduais governadores antivacina
favoráveis à destruição do meio
ambiente comparsas de facções de
milícias de quadrilhas esquadrões
da morte tudo do crime organizado
desse jeito o brasil não tem jeito 
elege prefeitos imperfeitos que
pensam primeiro em si nas próprias
famílias no nepotismo então o povo
precisa apelar para a consciência
de classe com voto cidadão com
trabalhador a votar em trabalhador
não no patrão nem no crente cristão
ou no delegado fanfarrão ruralista
assassino de sem terras urbanista
exterminador de sem tetos no
empresário disseminador de sem
empregos então nem pensar no
político que é racista odeia preto
negro é capitão do mato manda
voltar ao mato pois com isso com
esses a nação em vez de avançar
estagna retrocede atrasa a gerar
infelicidade total do país o pobre
fica mais pobre mais triste não
consegue ter mais alegria a dar
razão ao rico sorridente que o
explora todo dia às vezes até à
noite também a pagar o mínimo
quando chega a pagar alguma
coisa pois nem sempre quer pagar o
que o trabalhador realmente merece

CARLOS SANTANA:


 



meu cérebro ainda está a dormir

meu cérebro ainda está a dormir
não acordou os neurônios não
despertam nem com o big bang
o caos só não é total na minha
cabeça porque o espaço-tempo
é dorminhoco a confusão só não
se agrava se expande devido a
sonolência o dia no qual brilhar
uma ideia dentro do meu crânio
possivelmente encontrarei uma
porta para meus pensamentos se
elevarem de mim no despertar
interim vivo com olhos pesados
em constante sono durmo assim
sistematicamente desde do dia
no qual acordei quando acordei
não era dia era noite então não
sei a definição se estou do lado
de fora ou do lado de dentro do
meu coração fico aflito
melancólico calafrios me
sacodem arrepios me fazem
tremer gasturas percorrem meu
corpo atritos fricções
derrapagens raspam minha pele
no asfalto fico pendente sustado
em falso entre o pé o contrapé
levo uma rasteira que me torna
ao chão rente ao rés-do- chão
suspiro bêbado soluço sem
emoção intrigado constante
enfrento a tempestade de areia
de olhos abertos penso preciso
estar desperto a chacoalhar o
organismo a minar os elementos
desta inércia no metabolismo

BH, 0190802010; Publicado: BH, 0190202026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

quem não tem dinheiro vive menos

quem não tem dinheiro vive menos
numa encruzilhada a pedir a deus
todo santo dia uma fórmula para
viver sem dinheiro uma maneira
de morar sem ter que pagar o
aluguer numa forma de não ouvir
a filha a pedir grana a mulher a
querer fazer compras para a casa
quem não tem capital vive num
dilema de não entrar em pênico de
não fazer besteiras de não fazer
umas loucuras ao enfiar as mãos
nos fundos dos bolsos não
encontrar nada sai do lar de
manhã a abanar os braços vazios
a voltar ao fim da tarde com as
mãos rente ao corpo membros
lassos pêndulos inúteis que não
geram rendas à família a cobrar
ali a encher os ouvidos aflitos de
lamúrias de reclamações é uma
cantilena de lamentações maiores
do que as do jeremias quem não
tem dinheiro odeia a si mesmo
mais do que odeia ao próximo ao
sistema à sociedade culpa a deus
ao mundo pelo infortúnio muitas
vezes a culpa é do próprio mesmo
vive a procurar noutros no alheio 
as desculpas as justificativas que
não o deixam dormir em paz à noite

BH, 0190802010; Publicado: BH, 01802002026

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta

não tenho uma gala uma isolda ou uma julieta
também pudera não sou um dali um tristão ou
um romeu sou só uma vítima dum sonho mal
acabado um pesadelo interminável esta
psicose ambulante beco sem saída rua de
mão única sem acostamento já pendi para
um lado já cambiei para outro nunca
encontrei o lado certo procurei na hora
errada justamente na hora na qual não me
encontrava em lugar algum não procurei em
mim pois nunca tive motivo para ficar para
ser alegre uma causa para lutar ou um ideal
para defender aí vago pelos recantos
porções mais escassas da vida muros
envelhecidos mentes medievais
ancoradouros abandonados distancio das
distâncias jamais estou perto dalguma coisa
a acontecer a existir volto ao casulo morro
antes da metamorfose continuo a lagarta de
fogo que tanto medo metia  às crianças aos
meninos às meninas que brincavam nos
arredores tinham medo de pisá-las de pés
descalços a lagarta real vira aquela
borboleta que todos desejam colecionar

BH, 0200802010; Publicado: BH, 0180202026

ENGENHEIROS DO HAVAÍ:


 

SÓ OBRAS-PRIMAS, SAMBAS DE ENREDO:


 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

não me deixeis morrer assim medíocre

não me deixeis morrer assim medíocre
aos pontos da ignorância da estupidez da
insensatez dai-me uma morte digna de
príncipe de maquiavel uma morte nobre de
poeta oriundo da ursa maior de quem não
chora na presença da morte tenho o maior
receio de ser pequeno de minha morte não
fazer jus aos fortes tenho o maior medo de
minha morte não ser respeitada pelos
destemidos dai-me uma morte de márti de
lorca não vale a pena morrer igual estou
para morrer tem alguém aí que vai morrer a
querer morrer igual vou morrer? duvido dai-me
uma morte rebelde de revolucionário
de comunista nunca uma morte burguesa de
elite de quem não sabe morrer ou vive a
procurar subterfúgios i juca pirama para
fugir da morte não façais isso comigo não
deixai a morte me levar ao vedes que
morrerei ao rés-do-chão tentai fazer alguma
coisa uma tentação contai uma mentira uma
verdade não ninguém acreditaria numa
verdade a mentira é mais prazerosa todos
ficarieis felizes no meu velório na ida ao
enterro em procissão como se estivesseis
convoco numa roda ambulante de prosa 

BH, 0150202026; Publicado: BH, 0150202026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

moisés o profeta general legislador dos hebreus

moisés o profeta general legislador dos hebreus

autor dos cinco primeiros livros da bíblia os ditos

pentateucos  general legislador dos gênesis êxodo

levítico números deuteronômio fênix fantástica

ave da arábia da qual segundo a lenda só existia

um exemplar tinha o pescoço dourado o corpo

vermelho a cauda azul rosa ao atingir

quinhentos

anos impregnava a mata de aromas deixava-se

queimar pelo sol ressurgia osíris divindade egipsia

júpiter pai dos deuses senhor do olimpo mercúrio

deus dos viajantes dos ladrões dos mercadores

licurgo legista dos espartanos pompílio segundo

dos sete reis de roma rômulo numa pompílio

túlio hortílio anco márcio tarquínio prisão

sérvio túlio lúcio tarquínio o soberbo pitágoras

filôsofp grego nascido em samus no ano 580 ac

admitia a imortalidade a responsabilidade da

alma o número como fundamento das coisas as

terra no ce tro do universo etc morreu em

metaponto mais ou menos no ano 500 ac a

quem interessar possa informações irrelevantes

a quem interessar possa


BH, 0301202001; Publicado: BH, 0130202026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

AC/DC:


 

se ainda fosses inteligente

se ainda fosses inteligente
tivesses um vestígio da sabedoria
até que poderia te deixar olhar
a revista ler o resumo das novelas
o horóscopo porém nem bonita és
além de não comprar queres
oportunidades para encher tua
cabeça vazia de vazio já és oca
tens o oco dentro do olho seco
és feia por fora por dentro para
caralho vives de rodeio ora vás
plantar batatas noutros terreiros
de feiura de estupidez estou cheio
bastam-me as minhas de faltas de
inteligência de sabedoria minha
fama sustenta-me não preciso
querida de ti de inexistência de
vácuo já estou a transbordar mas
recolho-me à minha insignificância
procuro viver sem pedir nada a
ninguém procuro viver a tentar
pôr fim à burrice à asneira que
teimam em persistir em mim tento
destruir todos os percalços os
obstáculos que barram o meu
desenvolvimento busco na minha
escuridão a luz da salvação que
clareia meu ideal minhas ideias
rogo-te que faças o mesmo pois se
não morrerás duas vezes uma já
morreste quando nasceste

BH, 0300702001; Publicado: BH, 090202026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

meu cérebro tenta me levantar não consegue

meu cérebro tenta me levantar não consegue
não saio do lugar me chama de cérbero desiste
de mim volto ao tema volto ao lema à lama me
fala rema não remo afundo no estige imundo
vem caronte me salvar não tenho dinheiro
moeda para pagar a travessia caronte me dá
uma pazada na fronte meu cérebro não me
socorre é escuro demais muito obscuro não
conheço um furo por onde poderia escapar como
o universo escapa num ponto convergente ao
sair do caos gera outro caos sou divergente
corro em linha reta como uma seta ao alvo não
acerto na mosca tropeço no asfalto é um
assalto levam-me a velha carteira só tem papéis
velhos identidade poída cpf cancelado título de
eleitor desatualizado de cidadão desprezado
cadê meu cérebro que não uso mais? meu cão
de estimação cérbero? na verdade nunca o usei
sempre tive uma doença chamada preguiça
não raciocinava não interpretava só culpava
meu cérebro quando a culpa era só minha não
tinha nada que transferir meus fracassos
minhas derrotas meus medos covardias
quem mandou-me nascer homem? poderia
ter nascido um bicho qualquer um cisco um lixo
uma mosca um mosquito qualquer outra coisa
menos homem mau para não fazer mal a ninguém 

BH, 020202026; Publicado: BH, 040202026