numa encruzilhada a pedir a deus
todo santo dia uma fórmula para
viver sem dinheiro uma maneira
de morar sem ter que pagar o
aluguer numa forma de não ouvir
a filha a pedir grana a mulher a
querer fazer compras para a casa
quem não tem capital vive num
dilema de não entrar em pênico de
não fazer besteiras de não fazer
umas loucuras ao enfiar as mãos
nos fundos dos bolsos não
encontrar nada sai do lar de
manhã a abanar os braços vazios
a voltar ao fim da tarde com as
mãos rente ao corpo membros
lassos pêndulos inúteis que não
geram rendas à família a cobrar
ali a encher os ouvidos aflitos de
lamúrias de reclamações é uma
cantilena de lamentações maiores
do que as do jeremias quem não
tem dinheiro odeia a si mesmo
mais do que odeia ao próximo ao
sistema à sociedade culpa a deus
ao mundo pelo infortúnio muitas
vezes a culpa é do próprio mesmo
vive a procurar noutros no alheio
as desculpas as justificativas que
não o deixam dormir em paz à noite
BH, 0190802010; Publicado: BH, 01802002026
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