sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rio Grande do Norte, 916, 3; Aos trinta minutos do dia 0180102012 em; Publicado: BH, 0220202014.

Aos trinta minutos do dia 0180102012 em
Belo Horizonte Minas Gerais Brasil Rua
Rio Grande do Norte 916 Funcionários
Tem sempre um rio em minha vida
Espero que cada um guarde um rio dentro
De si cá comigo guardo vários rios o
Rio de Janeiro os rios da minha cidade
Natal Teófilo Otoni o Rio Santo Antônio
O Rio Todos os Santos guardo o Rio
Doce o Rio Mucuri o Rio Jequitinhonha
O Rio São Francisco quantos rios somos
Todos nós? quantos rios são para Heráclito
De Éfeso um rio? os rios que estão aos
Nossos pés às nossas beiras estão aos
Nossos pés às nossas beiras? de
Quantos rios nossos olhos são nascentes?
De quantos rios nossos corações são fozes?
Há sempre um rio a nascer de mim a
Fluir universo fora há sempre um rio
A retornar a mim ao meu universo infinito
Adentro mansamente à essas águas
Tranquilas de alma refrigerada depósito
Minha cabeça nas pedras
Durmo com as prendas da noite

Portugal, 2949, Hangar, 77, 6, Altas horas da madrugada silêncio nas ruas; BH, 0260702012; Publicado: BH, 0220202014.

Altas horas da madrugada silêncio nas ruas
O vento se recolheu o silêncio tem seus ruídos
São os barulhos da noite os sons da madrugada
Os gritos das altas horas carros são zumbis
Bêbados amparam-se nos muros silvos de assobios
Imperceptíveis assustam mariposas debaixo das tênues
Luzes dalguns postes as mercadorias esperam seus
Consumidores uns querem carne outros querem
Brilhos outros fumaças uns ainda as
Pedras dos caminhos ao longe giroflexes passam velozes
Sirenes ecoam pelos becos vielas seres assombrados
Cosem-se às sombras as sombras às escuridões
Camuflam-se nervosos no voo de veludo dos morcegos
Últimas almas embriagadas namoram espíritos ébrios
Altas horas madrugada solitária, não há casais
Pelos cantos os guetos dormem mas não estão em
Paz são desassossegos o amor evaporou-se dos
Corações aviões rasantes assustam os restantes de
Sustos que cochilam em seus postos de trabalho
Qualquer estalo agora parece quebrar a barreira
Do som as janelas estão fechadas portões
Trancados os portais seus guardiães em alerta
Permanente os movimentos são traiçoeiros no
Escuro todo gato pardo é preto a favor duma
Pequena luz toda sombra é gigantesca assustadora
Temos medo até do arrastar dos nossos próprios
Pés madrugada altas horas olha o boi da cara preta

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Não pauto minha vida com que acontece nos USA; BH, 01601002012; Publicado: BH, 0200202014.

Não pauto minha vida com o que acontece nos USA
United States of América pelo contrário torço para que
Tudo dê errado para yankees não pauto meu destino
Com o destino dos USA de jeito nenhum o que mais
Quero é ver a falência dessa nação dos seus bancos
Das suas indústrias dos seus exércitos o que mais quero
Ver é o fim do regime capitalista neoliberal globalizado
Imperialista independentemente de Barack Obama se
Reeleito ou Mitt Romney eleito desprezo qualquer vento
Que sopre daquela direção para mim sempre serão
Assassinos exterminadores de homens mulheres crianças
Para mim sempre serão subjugadores de povos de nações
Não vangloria-me nem ufana-me nada que aconteça ali
Estou distante quero distância a única coisa de mim que
Se aproxima dali é o meu desprezo total absoluto se os
USA trouxeram alguma coisa de útil ao mundo o meu
Contraponto seria o de que o mundo sem USA viveria
Mil vezes melhor há os que são capachos dos yankees
Viram de costas para eles com as calças arriadas os rabos
À mostra tiram os sapatos entregam as mães as filhas
Abrem as veias para que o próprio sangue jorre à vontade
Sou um Medina sou de Meca yankees sabem muito bem
O que o meu nome representa para os USA

Estudaste alguma coisa discípulo? BH, 01801002012; Publicado: BH, 0200202014.

Estudaste alguma coisa discípulo?
Não inda estudo sou estudado
Não estudei cousa alguma quando
Estás assim com esse ar de PhD com
Essa postura de premiado Nobel passas
A impressão de autoridade em ciências
Elevadas de doutor com doutorado de
Pós graduação em universidade de
Nível internacional não nada
Doutor nem honoris causa mal sei
Encadear minhas letras pobremente
Enfileirar minhas palavras que fazes
Com tantas de tantas palavras nessas
Tuas bagagens? estudo os universos
Delas sou estudado pelos universos
Posto-me aqui humildemente para
Estar à disposição dessas maravilhas
Como vives neófito carola a brincar
Puerilmente ao invés de preocupares com
Coisas sérias que causem o desenvolvimento
Da humanidade? o único desenvolvimento
Que quero para a humanidade é que
Volte à idade da pedra à pré-história
Refaça a própria história agora repleta
De justiça amor paz pieguices simplórias
Como és piegas simplório há pouco davas-me
Ares disso daquilo, agora atinges-me
Assim desordenadamente sem motivo?
É que não conhecia-te não via esse
Teu lado de louco a querer a voltar à era
Das cavernas da pedra lascada nunca saímos das
Cavernas cada vez mais nos embrenhamos
Nelas a procurar as nossas ruínas não vivo em
Caverna nenhuma estou fora o dia em
Que saíres da tua caverna entenderás porque
A humanidade precisa refazer a própria história

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Correr só atrás dos sonhos; BH, 0250102014; Publicado: BH, 0180202014.

Correr só atrás dos sonhos
Não correr maratona não
Correr da polícia correr dos
Pesadelos correr dos conflitos
Das melancolias não correr do
Estado não correr da sociedade
Correr da religião dos rebanhos
Cercados seduzir as estrelas
Os reflexos da lua os raios do
Sol correr atrás da liberdade
Só porque os pais têm medo
Não podem querer que os filhos
Sejam medrosos os filhos têm
Que correr atrás da coragem
Dos próprios destinos o que tiver
De acontecer com cada um
Será o que tiver de acontecer
Com cada um a linha a seguir
É a que já está traçada na
Palma da mão desde da
Primeira geração se não fosse
A humanidade não avançaria
Um passo grandes passos deu
A humanidade por nós seres
Humanos outros grandes passos
A raça humana dará por nós
A humanidade correr para a
Modernidade correr para o futuro
Correr pois os sonhos não têm pernas curtas

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Não vamos nos esquecer do Haiti, por Luiz Inácio Lula da Silva.


Em 2014, completam-se dez anos de presença da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti e quatro anos do terremoto que devastou e agravou a frágil situação deste que é o país mais pobre da América Latina.

Grandes crises institucionais e catástrofes naturais levam países às manchetes em todo o mundo e despertam durante algum tempo a atenção da imprensa internacional e dos governantes. Mas depois, sobretudo se o país vitimado é pobre e periférico, sem peso no jogo geopolítico global, os holofotes se apagam, as notícias se tornam cada vez mais raras, o clamor de solidariedade arrefece e boa parte das promessas de apoio são esquecidas. Até porque a reconstrução das áreas atingidas e a solução real dos problemas de suas populações não acontece, obviamente, na mesma velocidade com que as notícias são difundidas na internet e na televisão. Exige uma atuação paciente e continuada, com inevitáveis altos e baixos, ao longo de anos, que vá muito além  do socorro humanitário. E isso supõe um forte compromisso ético e político  dos países envolvidos.

Vale a pena lembrar que, no primeiro semestre de 2004, o Haiti sofreu uma gravíssima crise política que resultou na queda do Presidente Jean-Bertrand Aristide e na disputa pelo poder entre diversos grupos armados, sacrificando brutalmente  a população civil. A violência e os atentados aos direitos humanos se generalizaram. Gangues de delinquentes passaram a agir livremente em Porto-Príncipe, apoderando-se inclusive de prédios e órgãos públicos. Alguns dos maiores bairros da capital, como Bel-Air e Cité Soleil, foram completamente dominados por facções criminosas. Na prática, o Estado democrático entrou em colapso, incapaz de garantir condições mínimas de segurança e estabilidade para que o país continuasse funcionando.

A pedido do governo haitiano, e com base em resolução do Conselho de Segurança, a ONU decidiu enviar ao país uma Missão de Paz e Estabilização – a MINUSTAH. Um general brasileiro comanda a componente militar da missão, que conta com soldados de dezenas de países, e é integrada majoritariamente por tropas de nações sul-americanas.

O Brasil e seus vizinhos aceitaram a convocação  da ONU por um imperativo de solidariedade. Não podíamos ficar indiferentes à crise político-institucional e ao drama humano do Haiti.  E o fizemos convictos de que a tarefa da MINUSTAH não se limitava à segurança, mas abrangia também o fortalecimento da democracia, a afirmação da soberania política do povo do Haiti e o apoio ao desenvolvimento sócio- econômico do país. Daí a atitude respeitosa e não truculenta – de verdadeira parceria com a população local – que tornou-se sua marca registrada.

Hoje a situação de segurança se transformou profundamente: os riscos de guerra civil foram neutralizados, a ordem pública restabelecida e os bandos de delinquentes derrotados. O país foi pacificado e o Estado reassumiu o controle de todo o território nacional. Além disso, a MINUSTAH tem contribuído para equipar e treinar uma força haitiana de segurança.

As instituições democráticas voltaram a funcionar e estão se consolidando. Já em 2006, foram realizadas eleições gerais no Haiti, com a participação de todos os setores políticos e ideológicos interessados. Sem interferir  na disputa eleitoral, a MINUSTAH garantiu a tranquilidade do pleito e que prevalecesse a vontade popular. O presidente eleito,  René Préval, apesar de todas as dificuldades, cumpriu integralmente  o seu mandato e, em 2011, transmitiu o cargo ao seu successor, Michel Martelly, também escolhido pela população.

Na esfera humanitária e social, conseguiu-se algumas melhorias significativas, ainda que persistam enormes desafios e que o terremoto de 2010, com sua onda de destruições, tenha comprometido parte do esforço anterior, gerando novas carências. Apesar de tudo, a população desabrigada, segundo relatório da ONU de 2013, caiu de 1,5 milhões de pessoas para 172 mil. Três em cada quatro crianças já frequentam regularmente a escola fundamental, frente a menos da metade em 2006. A insegurança alimentar foi drasticamente reduzida. O flagelo do cólera está sendo enfrentado.

Nas três vezes em que visitei o Haiti, pude testemunhar a capacidade de resistência e a dignidade do seu povo. Em 2004, a seleção brasileira de futebol esteve no país para um jogo amistoso com a seleção local em prol do desarmamento. Até hoje me comovo ao lembrar o carinho com que a população haitiana recebeu os nossos atletas.

Além de sua participação na MINUSTAH, para a qual  contribui com o maior contingente de soldados, o Brasil tem colaborado intensamente com o povo do Haiti na àrea social. Com recursos próprios ou em parceria com outros países, implementou uma série de programas que vão desde campanhas nacionais de vacinação até o apoio direto à pequena e média empresas e à agricultura familiar, passando pela alimentação escolar e a formação profissional da juventude.

Há três iniciativas brasileiras, entre outras, que me entusiasmam particularmente. Uma são os três hospitais comunitários de referência, construídos junto com Cuba e o próprio governo do Haiti, para atender às camadas mais pobres da população. Outra é um projeto inovador de reciclagem de resíduos sólidos, elaborado e executado pelo grupo IBAS (Índia, Brasil e África do Sul), que contribuiu ao mesmo tempo para a limpeza urbana, a geração de energia e a criação de empregos. Essa inciativa foi, inclusive, premiada pela ONU. E a terceira é o projeto de construção de uma usina hidrelétrica no Rio Artibonite, que certamente representará um salto histórico na infraestrutura do país, ampliando o acesso da população à eletricidade, favorecendo a agricultura e a indústria, e permitindo ao Haiti reduzir a sua dependência da importação de petróleo. Trata-se de um empreendimento para o qual o Brasil já elaborou os projetos de engenharia e doou 40 milhões de dólares (1/4 do seu valor total) que estão depositados num fundo especifico do Banco Mundial, esperando que outros países completem os recursos necessários para a execução da obra.

Alguns países desenvolvidos também tem apoiado ativamente a reconstrução do país. Os Estados Unidos, por exemplo, investiram recursos significtaivos em diversos projetos econômicos e sociais, a exemplo do polo industrial de Caracol, no norte do país.

Mas, infelizmente, nem todos os que se comprometeram com o Haiti cumpriram as suas promessas. A verdade é que a maioria dos países ricos tem ajudado muito pouco o Haiti. O volume de ajuda humanitária está diminuindo e há entidades de cooperação que começam a retirar-se do país. A comunidade internacional não pode diminuir a sua solidariedade ao Haiti.

Em 2016 deverá ocorrer a próxima eleição presidencial no país. Será o terceiro presidente eleito democraticamente desde 2004. Penso que este momento deve ser um marco no processo já iniciado de devolução ao povo haitiano da responsabilidade plena pela sua segurança. Mas isso só será possível se a comunidade internacional mantiver – e se necessário, ampliar –  os recursos financeiros e técnicos destinados à reconstrução do país e ao seu desenvolvimento econômico e social.

Devemos substituir cada vez mais a vertente da segurança pela vertente do desenvolvimento. O que implica em maior cooperação, ainda que com novas finalidades. Será que não está na hora das Nações Unidas convocarem uma nova Conferência sobre o Haiti, para discutirmos francamente o que foi feito nesses dez anos e o que fazer daqui para  a frente?

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quando o poeta era poeta; BH, 0250102014; Publicado: BH, 0160202014.

Quando o poeta era poeta
Dava-se ao luxo de dizer à
Amada se quiseres te distrair
Ligues a televisão amor
Comigo não se estavam
Brigados por algum motivo
Atualmente o falso poeta
Implora à falsa amada a
Desligar a televisão para fazer
Amor não consegue nada
Quando o falso amor é feito
É com a televisão ligada às
Vezes os olhos dos dois
Grudados na tela não há
Mais volta à realidade não
Há como quebrar os elos da
Corrente da falsidade o falso
Poeta finge que ama a falsa
Musa finge que é amada não
Há mais verdade em nada não
Há um único coração livre da
Ilusão não há mais vida
Romances só novelas cruas
Com muitas mulheres nuas
Homens artificiais que fazem
Com que todos sintamos o
Desejo de ser iguais cópias
Clones imitadores daquilo
Que não seremos se fossemos
Reais repetimos sem sentir