sexta-feira, 22 de abril de 2011

Muitas frases são escritas sem conteúdos; BH, 0220402011; Publicado: BH, 0220402011.

Muitas frases são escritas sem conteúdos
De pensamentos muitas sentenças são ditas
Sem orações sujeitos verbos complementos
São palavras lançadas aos ares letras aos
Ventos já os sopros dos instrumentos têm
Todas as identificações endereços os
Saxofones suspiram sussurram respiram
Soluçam murmuram aos comandos dos
Saxofonistas os trompetes tentam
Acompanhar os pistons juntos ao piano
Que responde aos dedos ágeis do mestre
Pianista tudo consciente com a certeza
Do saber do que estar a ser feito com a
Segurança o prazer de quem colhe é o
Prazer do melhor orgasmo do pó mais
Puro cheirado sem mistura que o nariz
Sensível sai em busca doutro igual ou o
Usuário do LSD o derivado do ácido
Lisérgico poderoso alucinógeno que
Forma a abreviatura do alemão Lyserge
Säure Diethylamine assim são os sopros
Os sons  os murmúrios desses ecos de
Lucidez reverberações de clareza
Perceptibilidades de expressões brilhos
De penetrações de inteligência perspicácia
Que nos faz delirar a querer sempre mais a
Não nos contentar a não ficarmos satisfeitos
A nos viciar o vício é assim bom ruim às
Vezes cativante noutras exasperante nunca
Pensei em ficar viciado pelo ouvido preso
Pelo ouvido por todos os ouvidos que tenho
Externos internos muitas frases são mortais
Não têm posteridade não têm eternidade
Entram num ouvido saem pelo outro
Dissolvem-se na água no vácuo não nos
Levam à logosofia doutrina filosófica que
Preconiza um processo de evolução mental
Supostamente capaz de conduzir o homem
Por sua sabedoria ao conhecimento perfeito
De si mesmo esses homens que sopram esses
Instrumentos são logosóficos eles os instrumentos
Foi a única explicação que encontrei ou a única
Conclusão que cheguei talvez precise de todo o
Silêncio do universo para entender esse barulho eterno vivo

Ao vir do aquém depois ir ao além; BH, 0160402011; Publicado: BH, 022040211.

Ao vir do aquém depois ir ao além
Pensamentos em formas de meteoros
Meteoritos estrelas planetas no cosmos
Onde houver um astro remoto um quasar
Escondido uma constelação distante no
Além quando dá a volta fica perto do
Aquém numa galáxia composta de
Bilhões de constelações ali estará um
Pensamento meu entre maus bons
Pensamentos todos reunidos em
Cimeira em cúpula em cópula após
Alguns caírem nos desertos nas
Pedreiras nos despenhadeiros nos
Abismos nos espinhais nenhum
Caiu em terra fértil caiu em terras
De planetas situados fora do
Sistema solar caíram em terrenos
Rochosos de planetas de satélites
Formados por imensos meteoros
Creiam sobreviveram retornaram
A mim filhos pródigos os aceitei
Eram meus caminhos os meus
Luzeiros não os poderia apagá-los
Mesmo se quisesse não conseguiria
Adquiriram vidas próprias todos
Suplantaram a si mesmos superaram-se
Possuíram o silêncio deram crias
Composições redações atos alguns
Com jeitos outros com trejeitos
Gestos a gesticular a ejacular em
Todas as direções possíveis jatos de
Odes elegias filosofias dos filósofos que
Inspiraram os pré-socráticos a natureza
A flora a fauna os elementos elementares
Os movimentos das crateras cardíacas dos
Homens que compuseram a pré-história

Ruy Maurity, O verde é maravilha; BH, 0220402011; ouçam, cantem.




O verde é maravilha
Fruta de quitanda
O sol quando brilha
Tem cor de ciranda
A água do rio molha o campo
E o meu coração bate pilão
E o meu coração bate pilão
O galo canta no quintal
O boi amansa o mato de manhã
A casa no canavial
Um gosto novo de hortelã
Maria põe um nome de empregada
Bateu pilão na beira da estrada
Fez um colar de bolinha de gude
Na beira do açude ela vai cantar

Ruy Maurity, Serafim e seus filhos; BH, 0220402011; ouçam, cantem.




São três machos e uma fêmea, por sinal Maria
Que com todos se parecia
Todos de olhar esperto para ver bem de perto
Quem de muito longe é que vinha
Filhos de dois juramentos, todos dois sangrentos
Em noite clarinha
Ê A Ô
O João quebra toco
Mané Quindim, Lourenço e Maria
Noite alta de silêncio e lua
Serafim o bom pastor de casa saía
Dos quatro meninos, dois levavam rifles
Outros dois levavam fumo e farinha
Bandoleros de los campos verdes
Dom Quixotes de nuestro desierto
Ê A Ô
Serafim bom de corte
Mané, João, Lourenço e Maria
Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo
Era quem dos quatro tudo sabia
Resolveu deixar o bando e partir pra longe
Onde ninguém lhe conhecia
Serafim jurou vingança
Filho meu não dança, conforme a dança
Ê A Ô
E mataram Lourenço
Em noite alta de lua mansa
Todo mundo dessas redondezas
Conta que o tal Lourenço não deu sossego
Fez cair na vida sua irmã Maria
E os outros dois matou só de medo
Serafim depois que viu o filho Lobisomem
Perdeu o juízo
Ê A Ô
E morreu sete vezes
Até abrir caminho pro paraíso

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não tens nada para fazer; BH, 0170402011; Publicado: BH, 0210402011.

Não tens nada para fazer
Sentes vontade de matar
Alguém de roubar ou de
Estuprar queres fazer
Alguém sofrer pegues
Uma caneta um papel
Saias a escrever que o
Papel seja o motivo do
Crime a caneta a arma as
Palavras o sangue que irás
Derramar arrumes um álibi
Uma saída de emergência
Mais fácil para a violência
Uns querem ser políticos
Outros padres ou pastores
Para fugir dos crimes mas tu
A única saída para o tédio o
Enfado que tens são as letras
Esquecidas as palavras
Enterradas os verbos não
Conjugados ou então ó
Criminoso ou então ó
Assassino ou então ó
Psicopata como queiras ser
Chamado porque não vais
Compor uma música? que
Seja piegas brega simplória
Popular erudita ou clássica
Mas com certeza vais nos
Causar mais sensação do
Que os crimes cometidos
Ou a cometer faças uma
Peça de teatro drama
Tragédia ou comédia não
Importa qualquer uma
Gerald Thomas não é
Diretor de teatro? porque
Tu não podes ser? Gerald
Thomas não mostra a bunda
Para a plateia? porque tu não
Mostras também? é melhor
Do que sair por aí a matar
Crianças mulheres
Principalmente crianças
Mulheres as duas coisas
Que mais gosto amo na
Vida: as crianças as
Mulheres tens outras
Opções ou várias Sonatas
Do Beethoven um forte
Grande antídoto contra a
Vontade a fome de matar
De exterminar pessoas

Hoje é noite de lua cheia; BH, 0170402011; Publicado: BH, 0210402011.

Hoje é noite de lua cheia
A lua cheia, tem total
Influência sobre mim sinto
Que sou um lobisomem
Fico todo arrepiado eriçado
Em noite de lua cheia sinto
Que sou o mar fico todo
Encapelado encho a cara
Esvazio garrafas encho os
Copos esvazio as copas
Tanto quanto as ondas do
Mar tanto quanto os
Movimentos do mar
Influenciado pela lua hoje
É noite de lua cheia
Calafrios percorrem meu
Corpo sou sacodido por
Espasmos sou um epiléptico
Bato com a cara no chão
Jogo-me para todos os lados
Lanço-me nos meios-fios das
Beiras das ruas machuco-me
Até a sangrar pelos efeitos
Da luz da lua nua lua mágica
Bruxa sem vassoura feiticeira
Cujo feitiço enfeitiça a minha
Alma eterna lua camaleoa
Sempre nova cheia lua que
Mutante renova nos quartos
Da morada celestial não
Imagino esse firmamento
Sem a sua firmeza uma noite
Minha sem a sua beleza ou
Um beijo de amor sem a sua
Companhia sou vampiro
Sou bruxo sou lobisomem
Sou todos os seres noturnos
Que a lua sabe influenciar
Sou o mago poeta que sofre
Para captar essa excelência

Robert Johnson, Crossroad; BH, 0210402011.