minha ânsia não passa
afogamento não acaba
nem chega ao fim o sufoco
a sensação de aperto no
peito a opressão é infinita
tal uma ferida crônica meu
mal-estar causado por
qualquer dificuldade até
de respiração aumenta
mais minha angústia
perpetua minha agonia
perturbação causada por
qualquer expectativa de
incerteza não deixa
passar meu desejo
intenso de interromper o
prenúncio do vômito na
cara da sociedade que
me causa náuseas
eternas que não consigo
evitar o que me faz ansiar
causar tão ardentemente
uma ansiedade uma geração
aflitiva ansiosa me transforma
numa anta num mamífero
quadrúpede da família dos
tapísidas me faz ficar todo
coberto pela pele desse
animal não pareço mais
humano não pareço mais
nada nem resto de homem
só um antagônico à vida um
contrário ao amor com um
antagonismo doentio em
relação à paz com oposição
à luz incompatibilidade de
conviver harmoniosamente em
irmandade com semelhantes da
mesma espécie um antagonista
extremo de espécime primata
BH, 0110801999; Publicado: BH, 0701102020
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