agora posso morrer em paz ou que quando alguém visse a tal obra
dissesse quem escreveu essa obra escreveu realmente uma obra
agora pode de fato morrer em paz vestido de fato novo não precisa
de mais nada da vida porém olho as paredes nuas manchadas
umedecidas envelhecidas sinto que nunca conseguirei esse intento
não tenho desejo suficiente de marcar um tento um tanto impedido
por total impedimento falta-me também vontade de potência se fosse
uma casa igual todo mundo faz estava feita estafeta se fosse para
erguer um muro igual todo mundo ergue estava erguido metido se
fosse para construir uma ponte igual todo mundo constrói estava
construída tolstói mas não é fácil assim é uma obra tal opus dei um
santo graal um cálix bento um santo sudário um trabalho de levar o
demônio de volta ao inferno nem hércules tentou em seus doze
trabalhos nem os trabalhadores do mar nas suas provações no fundo
do mar é uma obra que sísifo rejeitaria preferiria continuar a carregar
pedras morro acima ulisses fugiria desesperado dom quixote nem se
atreveria enfrentar com seu indomável rocinante com seu fiel valoroso
escudeiro sancho pança no bravo burrico rucio porém sou tentado pelas
tentações dos demônios socráticos então com essas assombrações
procrastinarei essa morte em vão essa noite enquanto não honrar o sangue
derramado do meu coração que coagula no lençol imundo do meu quaro
BH, 0230102026; Publicado: BH, 070402026
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