sexta-feira, 17 de abril de 2026

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema

vivo num dilema não sei se faço poesia ou poema
nem sei se faço goética ou poética mesmo sem
antologia parece mais elegia repito não vejo ode
à alegria schillerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
ou o que fazer hoje em dia para agradar
à elite para enaltecer à burguesia vou perder o
soneto vou perder a emenda vou quebrar o pé a
mão o tendão chumbar o coração nada de
anatomia de ser ou não ser eis a questão já dizia
alguém noutra ocasião mas todo mundo agora
só repete o mais do mesmo toda hora então
ninguém faz mais revolução virou nostalgia
memória recordação muda a história impõe uma
nova condição que já vem mais velha do que
qualquer ideia é a realidade virtual é a
inteligência artificial é o pensamento mortal pois
morreu o pensamento imortal como pode isso
todo mundo faz igual a mesma guerra a mesma
fera quero vender a alma porém não se compra
mais alma perdeu o valor de mercado
mercadoria vencida o corpo plastificado envolto
em papel laminado moldado nalguma academia
de celerados tem mais valor do que uma alma
sem bolor a imagem vale mais causa mais efeito
mas o que sai de dentro continua a feder do
mesmo jeito joga perfume por cima desodorante
parece que deixaram o esgoto aberto é um
corpo vivo o cheiro é dum cadáver em viva podridão

BH, 0170402026; Publicado: BH, 0170402026

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