terça-feira, 19 de maio de 2026

não fui quem falei para mim que era homem de pouca fé

não fui quem falei para mim que era homem de pouca fé
ou que era o que não sabia o que fazia de fato tomei as
dores pequei peguei para mim estas frases estes versículos
estes vernáculos velhacos nunca mais fui o mesmo só o
mal sem fé só o ignorante que não sabia como que agia
uma condenação assim torna qualquer ser em dor pior do
que a do ser mais ruim não levantei do chão mais nunca
só andei de cabeça para baixo só andei de rabo entre as
pernas a procurar o que de mais valia não valia o que
procurava nem nada para ninguém nem para viver assim
mesmo fui tentar enxergar no meio dos cegos todos viram
meus defeitos deixaram os seus de lado passaram a apontar
os meus a escarnecer a me fazer errar cada vez mais fiquei
marcado tatuado cicatrizado estigmatizado amaldiçoado
lobotomizado pronto para a eutanásia todos escondiam
seus próprios defeitos pois tinham os meus para expor os
meus defeitos satisfaziam-nos nas ausências dos seus que
estavam escondidos nos esconderijos os meus vieram à
tona à flor da pele à carne viva fiquei lesionado nunca
mais fui o mesmo nem outro nem sei o que fui o que sou
o que serei todos dizem sou um defeito isso é o que
importa se são os perfeitos têm os meus por direitos como
se fossem os deles estão em igrejas não estou estão em
bancos não estou estão em universidades não estou têm
diplomas nas paredes não tenho estou aqui a escrever
estas vaidades de vaidades de vaidades que diz o pregador
tudo são vaidades de vaidades de vaidades também sou

BH, 0170302026; Publicado: BH, 0190502026

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