para dizer sempre as mesmas coisas para sempre
deverias usar outras letras outras palavras para
dizer outras coisas o universo está aí cheio de
desdobramentos fímbrias blandícias adereços
endereços menos do que num segundo nasce um
infinito no universo o homem é só o começo o
meio o fim ainda engatinha não tem nem um
bilhão de anos enquanto há dobras cinturões
brilhos de trilhões de anos é que sou um ser
limitado por mais que queira não passo na
peneira no funil não saio do tubo de ensaio
pipetado pela pipeta do tempo não passo no
túnel nem num buraco duma agulha fagulha
não incendeio não pego fogo fornalha fogueira
que asneira por mais que queira uma gota
d'água quer muito mais que do que quero só
espero uma esperança não morro pois a morte
não quer quem quer morrer a morte quer quem
não quer morrer quem quer viver esse ser tem
muito mais sabor para a morte o que sou só
terror temor horror o mais do mesmo lugar
comum sempre sem vida sem apresentar
expectativa ninguém aprende nada comigo
nada tenho para ensinar a alguém pois também
quero aprender pelo menos a coordenar as
num momento infinito do tempo dos sentidos
BH, 0310302026; Publicado: BH, 0250502026
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