a vida pequena aliás nunca valeu nem compensa
pensar depois que os talentos os dons os dotes o
largaram de mão ao largo da vida corrente tão
ansioso ancião septuagenário sem destinatário que
agarra com garras de cão o duro osso que tem que
roer se só soube correr de tudo que pode na vida
correu do bem correu do mal correu da briga
correu da luta correu do pau agora corre da morte
o que nunca foi nobre sempre fingiu ser o que não
é sempre fingiu sentir o que nunca sentiu quando
tinha que chorar riu quando tinha que rir chorou
então não me venhas com desdém também idem
velho sem vintém onde cair é o teu lugar de plantar
raiz não é terra boa não é terra rara pau de arara é
cara parca para quem nunca deu a cara para levar
um tapa bem dado pela vida só pela polícia nos
becos nas ruelas barrelas nas vilas sujas das favelas
BH, 0140902026; Publicado: BH, 01501002026
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