o tempo passou na janela na porta
no portão o tempo escoou-se como
uma lágrima dum choro numa tarde
gota à gota o tempo iludiu enganou
quando chegou-se à janela era noite
fechada o tempo fluiu pela chaminé
numa fumaça ora branca ora preta
só sabia-se que o tempo havia ido há
muito tempo devido a cor encardida
da ossada devido aos ossos velhos
do esqueleto devido ao estado
desgastado da caveira o tempo é
inorgânico sempre nos pega com
as calças nas mãos nos faz gol
no nosso contrapé quando
queremos fazer mea culpa zomba
de nós descaradamente diz na
nossa cara o problema é seus estou
a esperar lá fora na encruzilhada
na esquina no bar da marquise o
tempo não espera independente
brinda-nos com belas paisagens
mas despreza-nos ignora-nos
monta em nossas costas sem
piedade não é de galopar é de
marcar passo de trote de marchador
mas não em passo de ganso devagar
sem pressa nenhuma lentamente
retira o ar do canudo lá vamos nós
sugados empurrados pela pressão
atmosférica nem sentimos o tempo
também não sente nada ex hihilo
nihil fit só nos suga como se dormisse
BH, 020902013; Publicado: BH, 050102016
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