posso não saber te fazer feliz
amolar o meu amor numa
amoladeira ou pedra de amolar
como uma faca para afiar até
aprender te amar não serei mais
o amador que te amola o
indivíduo que não te ama vive
ambulante de amolar alicates
tesouras num instrumento
amolante ou a cortar pedras
num rebolo para tornar cortante
a língua importunar o teu
pensamento que carrega a
ideia de me abandonar chatear
o conhecimento que tive de que
queres ir embora para longe vou
aborrecer com o chicote nas
costas da minha ignorância
amoldar ao que é atual ajuntar
às normas ao molde moderno
corte modelar um protótipo
humano adaptar ao meio de
vida habituar a sofrer acostumar
a chorar amoldável na dor na
lástima na lamentação toda vez
que estiver distante de ti não
mais amolecar o teu sentimento
tal um moleque aproveitador
que quer acanalhar com a
desgraça da mulher alheia
vou beber um amolecedor de
sumo de lágrimas amolecer
a dureza deixar o coração
mole para enternecer com a
pobreza com o amolecimento
que causa a miséria passar a
ter o peito amolentador com a
bruteza sem ação no
amolentamento na rudeza da
face amolentar a fauce para
abrandar a ira do olhar o ódio
do semblante mesmo nos
dissonantes reviver a poesia
ressuscitar o poema buscar no
soneto a métrica da rima da
inspiração clarividência da solução
BH, 060801999; Publicado: 0280902020
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