esse tempo perdido que perdi até agora
já está no passado não tenho mais tempo
de recuperá-la o jeito é esquecê-lo passei
por tudo brancamente não deixei um
marco regulatório não deixei um conjunto
de bons costumes regulamentado nem
nenhuma pedra fundamental não deixei
um filho nem deixei um outro descendente
mesmo bastardo esse tempo perdido que
não vivi que falta me faz em mim a
experiência de vida agora é tarde não
adianta reclamar não adianta lamuriar
nem lamentar dum caco velho que sou ou
duma palha seca jogada ao vento forte da
tempestade ou do vendaval da vida que
vontade que tenho de viver um dia de
sentir o prazer de ser de amar de ter paz
de viver mas já estou morto só o meu
esqueleto paira na superfície do espaço o
tempo roeu meus ossos envelhecidos
como um rato envelhecido minhas carnes
viraram pó oh meu deus do céu tende
piedade de minha caveira abandonada nos
lixões dos subúrbios à espera dalgo que
restitua-me a vida a alegria de viver que
perdi sem viver o amor que tive sem amar
a paz que consegui sem desfrutar pois só
sabia guerrear sou um cego de nascença
tive tudo joguei fora tive tempo perdi
itive vida morri deixei morrer tive mulher
deixei ir embora não existe perdão para
mim abram a minha sepultura joguem o
meu corpo no fundo não quero flores
quem é o primeiro a atirar a pá de terra?
RJ/SD; Publicado: BH, 0270902021
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