segunda-feira, 26 de setembro de 2022

quero é viver em paz

quero é viver em paz
sei que não sou capaz
nem mais sagaz mas
rapaz então vou mudar
o refrão quero é morrer
em paz na juventude
não me importei com
a mocidade a realidade
agora me mostra que
não há mais tempo para
correr atrás do tempo
quando vou chorar
as lamúrias do coração
em ladainhas é o choro
da minha avó naninha
boca aberta sem nenhum
dente no quintal ou é o
choro da mulher do meu
tio hugulino a jogar fora
o leite do peito que era
para amamentar o menino
na casa do alto do morro
dos velhacos donde
muitas vezes na infância
sentado na varanda para
ver o sol nascer a trazer
a esperança mas a
estupidez me fez crescer
na ignorância então meu
irmão não aprendi a viver
em paz só viver em vão
muito menos vou aprender
a morrer em paz só
morrerei em vão
mas sigo a trança traçada
pela vida nos traços da morte
se tiver o azar que
nunca deixe de ter
ou se não tiver a sorte
seguirei do sul para o norte
a cantar às cortes
a escrever os dotes
que por acaso o ocaso
doar-me um ar de graça no
último instante de razão
que embalar o meu coração
sem noção que só levou a
vida na contramão a dizer
nunca sim
sempre não

BH, 0310802022; Publicado: BH, 0260902022

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