sexta-feira, 16 de setembro de 2022

o vento vai dizer assim para mim

o vento vai dizer assim para mim
é essa obra aí que irá encantar a
humanidade com a musa que é a
fada que é o teu coração é essa
caneta esferográfica da esfera
terrestre que será a tua varinha
de condão dançarei então entre
as fugas as cantatas as suítes
das sístoles das diástoles
comporei canções que lançarei
ao vento mais nobre mais raro
mais elevado nas correntes que
furam paredões a delinear
desfiladeiros com abismos
penetrantes sempre avante com
o vento adiante nos balés mais
clássicos das bacantes nos
redemoinhos das bacanais dos
deuses das montanhas das
deusas das cordilheiras
bailarinas das entidades
columbinas dançarinas das
dunas as poesias os poemas os
sonetos na surdina dos sussurros
apresentarei com língua ferina
gabardina uterina placenta menina
o feto pierrô apaixonado pela
concubina que o trocou pelo
arlequim no jardim do átrio do
útero da nave espacial úbere
não dormi para não sonhar
fiquei acordado para ter
pesadelos de sustentar o mundo
em cima dos tendões dos meus
tornozelos plantados nos pés

BH, 01701202021; Publicado: BH, 0160902022

Nenhum comentário:

Postar um comentário