Literatura e política. COLABORE, PIX: (31)988624141
sábado, 5 de setembro de 2026
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
antes que a morte volte mandais daí uma preleção
o rio de janeiro nunca mais foi o mesmo
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Hans Sahs nos Mestres cantores:
quem procura acha
terça-feira, 1 de setembro de 2026
papel demais à minha frente que não dou nem conta
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
DO FUNDO DA GROTA, BAITACA:
Fui criado na campanha
Por isso é que eu canto assim
Pra relembrar meu passado
Eu me criei arremendado
Dormindo pelos galpão
Perto de um fogo de chão
Com os cabelo enfumaçado
Quando rompe a estrela d'alva
Aquento a chaleira já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio relincha na estrevaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada
E lá do piquete relincha o potro tordilho
Na boca da noite me aparece um zorrilho
Vem mijar perto de casa
Pra inticá com a cachorrada
Me acordo de madrugada
Escuto uma mão pelada
Acoando no banhadal
Eu me criei xucro e bagual
Honrando o sistema antigo
Comendo feijão mexido
Com pouca graxa e sem sal
Quando rompe a estrela d'alva
Aquento a chaleira já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio relincha na estrevaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorro
E lá no piquete relincha o potro tordilho
Na boca da noite me aparece um zorrilho
Vem mijá perto de casa
Pra inticá com a guapecada
Na beira de um corredor
No cabo de um socador
Com as mão rodeada de calo
No meu mango eu dou estalo
E sigo a minha campereada
E uma perdiz ressabiada
Voa e me espanta o cavalo
Quando rompe a estrela D'alva
Aquento a chaleira já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio relincha na estrevaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada
E lá no piquete relincha o potro tordilho
Na boca da noite me aparece um zorrilho
Vem mijar perto de casa
Pra inticá com a cachorrada
O subiar de um nambú
Numa trincheira o jacú
Grita o sabiá nas pitanga
E bem na costa da sanga
Berra a vaca e o bezerro
No barulho dos cincerro
Eu encontro os bois de canga
Quando rompe a estrela d'alva
Aquento a chaleira já quase no clariá o dia
Meu pingo de arreio relincha na estrevaria
Enquanto uma saracura
Vai cantando empoleirada
Escuto o grito do sorro
E lá no piquete relincha o potro tordilho
Na boca da noite me aparece um zorrilho
Vem mijar perto de casa
Pra inticá com a guapecada
a história é implacável com os que vivem fora da história
domingo, 30 de agosto de 2026
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
a nação trabalhadora brasileira
OBRA-PRIMA, FORÇA ESTRANHA, CAETANO VELOSO
Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O Sol ainda brilha na estrada, e eu nunca passei
Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o Sol me ensinou
O Sol que atravessa essa estrada que nunca passou
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o Sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão
Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o Sol
E o Sol sobre a estrada, é o Sol sobre a estrada, é o Sol
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
quem não sabe escolher suas escolhas não é escolhido
terça-feira, 25 de agosto de 2026
ESTOU CEGO DE VERDADE ESTOU CEGO DE VERDADE, GERALD THOMAS:
“Estou cego de verdade, estou cego de verdade,
estou cego de verdade, estou cego de verdade.Quem faria isso comigo? Os de cima? Os de baixo?
Olhe fundo nos meus olhos e diga: aqui um universo?
Que eu não ria. Que eu não ria.
A maquinaria não é propícia.
Os menores erros, eu disse, os menores erros
são percebidos.
Se essa maquinaria fosse perfeita,
não precisaria de perfeição no resto.
Luz. Aqui. Luz. Som. ALI
Se essa maquinaria fosse uma realidade,
não criaria essas palavras que a destroem.
Mas, de que vale? Nossos poetas estão mortos.
Nossa música não tem heroísmo.
Nós não temos corpos, somos fracos, somos rasos.
Nossos casos moribundos. Julgamentos um acaso.
Nossa obra, a obra do acaso total.
Clamo. Que me acordem se eu estiver dormindo.
Concordo!
Minha angústia, meu espírito.
Minha angústia, meu espírito.
Convoco! Uma nova geração de criadores.
Que se afunilem e se intoxiquem,
mas ouçam os lamentos das cidades.
Que se estrangulem, mas achem
a geometria de um parangolé brasileiro.
Que chova sobre nossa poesia!
aproveito que estou a sós roubo um tempo
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
A CRUZ DA ESTRADA, CASTRO ALVES
Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.
Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pousar.
É de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.
Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.
Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.
Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.
Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.