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terça-feira, 13 de maio de 2025
mau alimento-me mal alimentado
mau alimento-me mal alimentado
pela fajuta mídia pelo dalso mercado
a imprensa golpista tal a cadela do fascismo
no cio não informa-me nada nem a verdade
só a mentira pois todos querem manipular-me
todos querem enganar-me porém
sou vacinado não sou negacionista nem sou
terraplanista ou crente evangélico
pentecostal armamentista falsa testemunha
de jeová fanático não sou católico apostólico
romano ou brasileiro à espera do conclave
que escolherá o novo papa sou o papa novo
ou nova não importa a ocasião não caio
nessa da Lady gaga ou da madona nem sofro
racismo por dinheiro em campos de futebol
europeus sou preto gostoso brasileiro aqui
racismo é crime bem ou mal o racista vai
para a cadeia até rico com dinheiro ou pobre
que se pensa endinheirado comigo a
extrema-direita é bloque nas redes sociais
no corpo a corpo é soco na cara murro na
boca do estômago porrada no pau do nariz
chute no saco sou cidadão democrata
republicano raiz luto por direitos humanos
igualdade liberdade fraternidade cidadania
soberania autonomia aqui trump não apita
nem de noite nem de dia faço o que mais
detesta poemas poesias que são os antídotos
sou azia má digestão na elite na burguesia
não quero alkaseltzer nem sonrisal nem
açúcar nem sal comigo todo mundo sente
não
se resolve nada inconstitucionalissimamente
BH, 060502025; Publicado: BH, 0130502025.
segunda-feira, 12 de maio de 2025
o mercado não está satisfeito comigo foda-se o mercado
o mercado não está satisfeito comigo foda-se o mercado
quer sempre muito mais de mim do que quero
vai à minha casa a me cobrar o que não devo ou finjo
não dever porém o mercado prefere alimentar a
burguesia a me matar de fome prefere saciar a elite
a me matar de sede acolhe os apaniguados a me jogar às
ruas debaixo de marquises de viadutos de pontes
em cima de morros recantos de muros becos guetos
aglomerados de favelas se reclamo o mercado me
dá um murro no meio do pau do nariz ou no pomo de
adão a polícia prestadora de serviços do mercado
não pode me ver sou suspeito de tudo de todos sem
suposição um atentado ao sistema um ultraje à
sociedade trajada a rigor tarjado com as minhas
vergonhas à mostra socorro caminha tenho que
sair de circulação escondo-me onde ninguém se esconde
no esconde-esconde até lá incomodo com a minha
invisibilidade o mercado é só maldade ruindade
não tenho algum que o mercado quer que o sistema
quer que a polícia quer que a sociedade quer então
não posso ficar de pé tenho que virar uma sombra
numa penumbra um gato pardo no escuro
sem viralizar
sem ser curtido sem ser compartilhado
sem ser
pesquisado banido pela inteligência artificial
só não posso é incomodar a tranquilidade social com
a minha presença antissocial que se torna uma ausência
porém sou um animal marginal subversivo rebelde
revolucionário dou um martelo com o calcanhar
na fronte do ordinário ponho-o por terra com um
rabo de arraia deixo-o no res-do-chão com um macaco
perfeito livro-me da cassetetada certeira no peito aí
incorporo negro firmo canelada cotovelada voadora
lá vou deixar o mercado de decúbito dorsal no sal
com os seus deuses de barro seus santos de pau-oco seus
anjos mórbidos mortos caídos das alturas dos
arranha-céus
BH, 060502025; Publicado: BH, 0120502025.
domingo, 11 de maio de 2025
a cabaça de cuia está oca
a cabaça de cuia está oca
no vácuo vazia vadia vagabunda
não serve mais nem para moringa
ou moranga ou carregar potes
jarras jarros talhas trouxas tralhas
equilibrados na rudia tais
as negras malabaristas as putas
pobres equilibristas com cestas
cestos feixes feixos meninas meninos
no cangote como a morte no colo
no cacaio nas escadeiras na corcunda
nas corcovas no pescoço na nuca
onde dava aninhavam alguma coisa
que tinham que carregar lenhas
latas d'água amarrados de taquaras
que pocavam bambus que esouravam
com o calor varas que suspendiam os
varais onde quaravam as roupas brancas
mamãe tinha uma ninguém sabe donde
veio se tinha pai se tinha mãe se tinha
irmã se tinha irmão irmão parece que
teve um chamado adão ninguém sabe se
fazia aniversário não sabia falar não
sabia ler não sabia escrever tentamos
ensinar aprendia só outras coisas que não
devia aprender aí o irmão sumiu a coitada
continuou na servidão até o fim da vida
só servia para servir de noite ou de dia
nunca para ser servida mamãe a ensinou
lavar passar cozinhar a ajudou a criar a
filha que arrumou depois ajudou
mamãe criar os restantes dos filhos de
mamãe alguns netos aí sumiu também
já deve estar no além nunca
foi feita oração em sua homenagem um
agradecimento só sabíamos que se chamava
maria sem sobrenome sem documentos
BH, 01801102025; Publicado: BH, 0110502025.
quinta-feira, 8 de maio de 2025
domingo, 4 de maio de 2025
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