terça-feira, 10 de junho de 2014

No estado de São Paulo tanto quanto na capital; BH, 0100602014; Publicado: BH, 0100602014.

No estado de São Paulo tanto quanto na capital
São Paulo não há muito o que se fazer presos
Em selvagens selvas de pedras favelas violentas
Aglomerados do submundo controlados pelo
Crime organizado em condomínios luxuosos
Blindados vivem sem opções dum mundo
Melhor corações iguais ao de Fernando Haddad
Alexandre Padilha não brotam acostumados
Com as práticas de Paulo Maluf Celso Pitta José
Serra Gilberto Kassab Geraldo Alckmin seres
Desprovidos de quaisquer sentidos sociais
Dominados por um veneno midiático maléfico
Capaz de matar o progresso duma Luiza
Erundina dum Eduardo Suplicy dum Luiz Inácio
Lula da Silva dificilmente a sensibilidade da
Presidenta Dilma Vana Rousseff furará esse
Bloqueio de  concreto armado tão conservador
Atrasado estúpido lá é campo fértil para o Aécio
Neves fala a linguagem deles do capital do
Neoliberalismo da globalização lá não há mais
Espaço para as transformações sociais a
Valorização do trabalhador da mulher do negro
De todas as outras minorias lá o coração do
Partido dos Trabalhadores teria que se endurecer
Perder a ternura não só ter o apoio de Paulo
Maluf mas fazer o que o Paulo Maluf fez o
Que fizeram os demais Pitta Serra Kassab o que
Faz o Alckmin é isso que ganha os corações
Paulistas paulistanos das periferias interioranos
Esse jogo sujo o Partido dos Trabalhadores
Não sabe jogar

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Não fomos feitos uns para os outros; BH, 07090602014; Publicado: BH, 090602014.

Não fomos feitos uns para os outros
O barro usado nas nossas formações
Foi o barro de pior qualidade
Barro de barrela
Misturado com água de lama
Areia de detrito de maré baixa
Não fomos feitos uns para os outros
Nos pensamos os nobres
Só pode ser
Os fidalgos
Elite das elites
Burguesia das burguesias
Desprezamos os princípios mais básicos
Humilhamos
Fingimos de normais
Não fomos feitos uns para os outros
Nas nossas formações de humanidade
Faltam-nos formações humanitárias
Nos pensamos os imortais
Nos pensamos com capacidade de julgar aos outros
De não sermos julgados
Podemos dizer o que nos vem à boca
Sem passar pelo nosso pensamento
Dizemos sem constrangimento
Tudo que tem a condição de chocar a um jumento
Um jumento pudibundo
Muitas vezes
Por pura discrição
Evita dizer a maioria das aberrações que dizemos
Sem tremor
Sem rubor
Sem pudor
Não fomos feitos uns para os outros
É triste constatar
Para uns pode até ser que não
Mas para outros pode doer esta constatação
Ídolos de pés de barros
Santos de pau oco
Craques de pés duros
Piratas de olho de vidro
Canários fobas
Galos fujões
Não somos de boa raça
Nem de bons corações
Alegria será o dia em que nascermos uns para os outros
A irmandade nascer nos nossos corações
O humanismo no seio da nossa humanidade
Nos alegraremos de verdade
Como se recebêssemos cálices transbordantes
Dos mais nobres vinhos

domingo, 8 de junho de 2014

Presidenta Dilma Rousseff em Belo Horizonte, MG.

Posted: 08 Jun 2014 11:50 AM PDT
Copa 2014
Neste domingo (8), artigo da presidenta Dilma Rousseff sobre a Copa do Mundo, que começa nesta semana, foi publicado na imprensa internacional. Nele, Dilma destaca valores que o Brasil deixará de legado para o mundo, como a mensagem de uma Copa sem racismo, além de enaltecer a inclusão social vivida pelo país nos últimos doze anos, sua democracia plena e, ainda, o espírito acolhedor e o amor pelo futebol do povo brasileiro. Confira a íntegra do artigo:
A partir desta quinta-feira, os olhos e os corações do mundo estarão voltados para o Brasil. Trinta e duas seleções, representando o melhor do futebol mundial, estarão disputando a Copa do Mundo, a competição que de quatro em quatro anos transforma a todos nós em torcedores.
É o momento da grande festa internacional do esporte. É também o momento de celebrarmos, graças ao futebol, os valores da competição leal e da convivência pacífica entre os povos. É a oportunidade de revigoramos os valores humanistas de Pierre de Coubertin. Os valores da paz, da concórdia e da tolerância.
A “Copa das Copas”, como carinhosamente a batizamos, será também a Copa pela paz e contra o racismo, a Copa pela inclusão e contra todas as formas de preconceito, a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo, do entendimento e da sustentabilidade.
Organizar a Copa das Copas é motivo de orgulho para os brasileiros. Fora e dentro de campo, estaremos unidos e dedicados a oferecer um grande espetáculo. Durante um mês, os visitantes que estiverem em nosso país poderão constatar que o Brasil vive hoje uma democracia madura e pujante.
O país promoveu, nos últimos doze anos, um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, aumento do nível de emprego e inclusão social do mundo. Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, elevando, em uma década, à classe média 42 milhões de pessoas e retirando da miséria 36 milhões de brasileiros.
Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia vibrante. Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos harmonicamente com manifestações populares e reivindicações, as quais nos ajudam a aperfeiçoar cada vez mais nossas instituições democráticas.
Em todas as 12 cidades-sedes da Copa, os visitantes poderão conviver com um povo alegre, generoso e hospitaleiro. Somos o país da música, das belezas naturais, da diversidade cultural, da harmonia étnica e religiosa, do respeito ao meio ambiente.
De fato, o futebol nasceu na Inglaterra. Nós gostamos de pensar que foi no Brasil que fez sua moradia. Foi aqui que nasceram Pelé, Garrincha, Didi e tantos craques que encantaram milhões de pessoas pelo mundo. Quando a Copa volta ao Brasil depois de 64 anos é como se o futebol estivesse de volta para a sua casa.
Somos o País do Futebol pelo glorioso histórico de cinco campeonatos e pela paixão que cada brasileiro dedica ao seu clube, aos seus ídolos e a sua seleção. O amor do nosso povo por esse esporte já se tornou uma das características de nossa identidade nacional. Para nós o futebol é uma celebração da vida.
Em nome de 201 milhões de brasileiras e brasileiros, estendo as boas-vindas aos torcedores estrangeiros e a todos os visitantes que vierem ao Brasil compartilhar conosco a “Copa das Copas”.
Posted: 08 Jun 2014 08:05 AM PDT
Presidenta Dilma visita o Centro de Operações de Tráfego de Belo Horizonte. Foto: Roberto Stuckert Filho/PRPresidenta Dilma visita o Centro de Operações de Tráfego de Belo Horizonte. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff afirmou que novo Centro de Operações de Belo Horizonte, inaugurado neste domingo (8), está à altura do que merece a capital mineira, na questão do controle de trânsito. Para ela, o empreendimento, aliado ao BRT Move, faz parte de sistema que mostra esforço do governo federal para grandes cidades terem transporte de qualidade.
“À medida que a frota de automóveis cresceu, à medida que as ruas foram ficando pequenas, o tempo de deslocamento aumentou. Quando o tempo de deslocamento aumentou, surgiu uma unanimidade entre os moradores das grandes cidades do Brasil: nós temos de ter vias expressas. Esse sistema mostra uma clara preferência de quem assume a responsabilidade de fazê-lo pelo transporte coletivo. (…) Queremos garantir que as pessoas, no dia-a-dia, tenham a opção por um transporte rápido, seguro e eficiente”, constatou.
O ministro das Cidades, Gilberto Occhi, também exaltou a qualidade do novo Centro de Operações, e falou das contribuições para diversas áreas na capital mineira.
“Ao inaugurar o COP que congrega não só uma moderno monitoramento da questão da mobilidade, traz oportunidades para também trabalharmos a questão da saúde, do trânsito de maneira geral, e também do policiamento da vigilância, e monitoramento de toda a cidade de BH através das câmeras monitoradas no COP”, considerou Occhi.
Na mesma cerimônia, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, assinou a autorização para doar 19 ambulâncias ao Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Minas Gerais. Ele ratificou o ato como mais um legado da Copa do Mundo no avanço do sistema de saúde do país. Dilma também ressaltou a importância dos veículos para o estado, durante e depois do Mundial.
“Tenho certeza que as 19 ambulâncias do Samu, que nós vamos destinar nesse momento e que vão ficar concentradas aqui na capital, para ampliar a capacidade de prestação de socorro durante a Copa, vão, assim que a Copa acabar, serem distribuídas por todos os municípios aos quais elas forem destinadas, que elas vão contribuir para melhoria da qualidade do atendimento de urgência tão essencial à pessoa que dele necessita”, analisou.
Chioro também anunciou a liberação de investimento em áreas importantes da Saúde em Minas. Foram R$ 6,43 milhões para a rede de saúde mental, e R$ 77,6 milhões para a rede de atenção de urgência e emergência no estado.
Posted: 08 Jun 2014 07:04 AM PDT
Presidenta Dilma durante visita ao BRT Move de Belo Horizonte. Foto: Roberto Stuckert Filho/PRPresidenta Dilma durante visita ao BRT Move de Belo Horizonte. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff visitou, na manhã deste domingo (8), estação do BRT de Belo Horizonte chamado de Move. O sistema de ônibus rápido da capital mineira recebeu R$ 730 milhões em investimentos, sendo R$ 382 milhões de financiamento federal por meio do Programa Pró-Transporte.
A visita foi à estação Mineirão, na linha do BRT Move que compreende as avenidas Antônio Carlos e Pedro I. Esta linha tem 14,7 quilômetros de extensão, com 25 estações de transferência e dois terminais de integração. Ao longo da avenida Antônio Carlos, o BRT está concluído e operando desde o final de maio. Já o trecho da avenida Pedro I até o Terminal Vilarinho está em fase de conclusão.
O Move compreende ainda a linha da avenida Cristiano Machado, com 7,1 quilômetros de extensão, 12 estações de transferência e grande terminal de integração (São Gabriel), permitindo conexão com metrô da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU); e BRT da Área Central, nas avenidas Santos Dumont e Paraná, com 1,3 quilômetros de adequações das vias, implantação de pavimento rígido, urbanização dos canteiros, seis estações de transferência e ciclovia em toda a extensão. O presidente daBHTrans (Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte), Ramon Victor Cesar, falou ao Blog do Planalto sobre os benefícios do projeto.
“Os dois corredores irão atender 700 mil passageiros/dia, um volume muito expressivo, e isso envolve não só passageiros com origem e destino dentro da capital, mas também pessoas com origem e destino em cidades do entorno, da região metropolitana, na medida em que no projeto BRT Move estão envolvidos não só os serviços municipais de transporte urbano, mas também os serviços da RMBH naquele vetor Norte, Nordeste e Noroeste da capital. Portanto é um projeto integrado que traz, além da priorização do transporte coletivo no contexto da gestão de transporte, mas inova e eleva a capacidade, o nível de conforto e o nível de qualidade dos serviços de transporte por ônibus nesses dois corredores”, afirmou.
Ao final das obras de mobilidade urbana do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a Copa do Mundo em Belo Horizonte, a população terá a disposição 25 quilômetros de vias de BRT. Os principais benefícios serão no cotidiano da cidade, é o que avalia Ramon.
“O desenvolvimento do projeto encontra uma condição muito apropriada a partir do chamado PAC Copa, portanto ele tem essa oportunidade, ele nasce de uma janela de oportunidade relacionada à realização da Copa do Mundo em Belo Horizonte, na medida que o principal dos corredores de BRT, o da avenida Antônio Carlos, é o eixo de interligação da área central e de negócios e de hotelaria de BH com a região da Pampulha, onde está localizado o Mineirão… BH aproveitou muito bem essa oportunidade que a Copa do Mundo nos oferece, mas, evidentemente que é um projeto que vai muito além e para além da Copa do Mundo, seja no tempo, seja no espaço geográfico, é um legado… uma herança, um benefício que fica para toda a população de BH, principalmente para a população trabalhadora, para a população estudantil, que é o usuário contumaz, cotidiano dos serviços de transporte”, disse.
Posted: 07 Jun 2014 11:09 AM PDT
Em setembro de 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) analisou os oito principais problemas mundiais e estabeleceu o compromisso, firmado por 189 nações, de combater a extrema pobreza e outros males da sociedade. Esta promessa acabou se concretizando nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que deverão ser alcançados até 2015. Em setembro de 2010, o mundo renovou este compromisso.
O governo federal, por meio da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), acompanha essas metas e lança periodicamente o Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM. Uma das áreas prioritárias relaciona-se à qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. Segundo o relatório, a redução dos desmatamentos em todos os biomas contribui tanto para a preservação da biodiversidade e da cobertura florestal do país quanto para a redução da emissão de gases de efeito estufa.
Um dos objetivos é reduzir a perda da biodiversidade, atingindo, até 2010, uma redução significativa. Os dados mostram que a queda do desmatamento, essencial para reduzir a perda da biodiversidade, está sendo possível com o monitoramento de órgãos do governo e a criação de unidades de conservação. O desmatamento anual na Amazônia caiu de 29 mil km² em 1994 para 13 mil km² em 2006. Nos últimos anos a redução tem sido ainda maior. A taxa de desmatamento da Amazônia de 4656 km² entre agosto de 2011 e julho de 2012 foi a menor registrada desde a primeira medição feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em 1988. O Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil, é outro bom exemplo. O desmatamento caiu de 7637 km² em 2009 para 6469 km² em 2010.
Um das metas pede uma redução pela metade, até 2015, da proporção da população sem acesso permanente e sustentável à água potável e ao esgotamento sanitário. A meta foi alcançada integralmente.
Em relação ao acesso à água potável, o Brasil aumentou o nível de 70,1% da população em 1990 para 85,5% em 2012. O ministro Marcelo Neri disse recentemente, no programa Bom Dia, Ministro, que o Brasil acabou de vencer essa meta de saneamento e de acesso a água.
“A SAE continua dedicada a estudos que possam conectar os programas do governo federal na identificação das pessoas carentes que necessitem de ajuda na conta de água”.
Um dos principais desafios é aumentar o nível de acesso à água e esgoto dos mais pobres. Mas os avanços são grandes.
Em 1990, os mais pobres tinham cerca de 30% de acesso à água. Já em 2012, este valor chega a aproximadamente 70%. Em relação ao acesso ao esgotamento, o valor foi de pouco mais de 10% para 50%.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Fazer as coisas depois ficar arrependido com remorso; BH, 0130402008; Publicado: BH, 060602014.

Fazer as coisas depois ficar arrependido com remorso
É melhor não fazer o arrependimento o remorso não valem a pena
Só servem para deixar quem faz alguma coisa
Com depressão consciência pesada sentimento de culpa
Particularmente detesto ficar a me sentir assim parece-me que fico fraco
Superficial flácido detesto passar mal ter enjoo indisposição
Porém como diz um amigo meu
Nem toda hora tem pão quente na padaria
Como diz um outro cuida da tua saúde
Por que da tua vida já tem quem cuida
É justamente quem cuida da vida da gente
É que fica a nos inculcar ou à toda hora
A nos reprimir a nos dizer o que temos que fazer ou deixar de fazer
Minha avó era a que estava certa
Flatulenta na frente de qualquer um explicava
Que se prendesse o flato dava nó nas tripas
Meu avô era o que estava certo
Então quero estar certo comigo mesmo
Fazer o que bem entender
Apesar de já na terceira idade não sentir remorso
Nem arrependimento
Já passou da hora de aprender dalguma coisa
Agora é que não aprendo mais nada mesmo
Nem experiência nem responsabilidade
Podem reclamar podem bater os pés fazer cara feia
Vou assim até ao fim da vida final é o meu jeito
São os meus gestos acenos trejeitos
Penso em agradar a mim mesmo
Já que agora no final não agrado a mais ninguém
Nesta fase da vida já não tenho mais culpa nenhuma
Já redimi tudo paguei nem esperei o troco
Então também peço não esperem nada de mim
Não esperem um bom-dia uma boa-tarde ou uma boa-noite
Não esperem um por favor muito menos um muito obrigado
Não esperem nem um até logo
Só um adeus ou um até nunca mais gostaram? não
É lógico que não também não gostei estou satisfeito
Se não estiver satisfeito o problema é meu de mais ninguém;
Pois nem sei o que está a acontecer comigo
Para poder estar a falar estas coisas todas
Penso que estou a ficar um pouco maluco
Já dizia um antigo de médico e de louco
Todos nós temos um pouco
Então não estou a mentir estou a sentir são as dores de velho
O começo da ruína o começo do fim
Ai de mim a chegar à senilidade
À demência à decrepitude
Ai de mim que agora também virei bruxo
Estou a fundar uma nova escolástica de bruxaria em
Homenagem ao bruxo maior o Bruxo do Cosme Velho
O nosso maior idolatrado mestre da literatura Machado de Assis
Melhor Joaquim Maria Machado de Assis
É pouco ou querem mais? sabia fazer magias
Não perguntou a ninguém como era que fazia
Nem pediu que o ensinassem
Simplesmente fazia acontecia deixava acontecer
Não faltava para o bruxo a feitiçaria literária
Não faltava quando faltava pulava daqui pulava dali
Nos presenteava com uma obra-prima
É o mesmo que estou a querer fazer
Mas quem sou o que? pobre de mim
Letras pequenas palavras vãs frases vazias
Sentenças desprovidas de veredicto
Períodos estéreis orações pagãs profanas
Parágrafos sem cios efêmeros a misturar tudo
Dá no que der no que deu: em nada
Nadinha mesmo para que pressa?
A imperfeição está aí a fé é inatingível
Não a tenho quero ver quem tem na hora agá
Quero ver no pega para capar
O que é que a fé pode fazer na tragédia
No naufrágio na desgraça
Quero ver o que a fé pode fazer na hora terminal
A fé já foi colocada onde está
Justamente para que não fosse atingida por ninguém
Desconfio de todos aqueles que dizem que têm fé
Não tenho nem em mim mesmo
Na minha parca etimologia a fé é tão pequena
Quase inexistente impossível de ser alcançada
Se algum dia tiver este dom
Se algum dia chegar perto da fé
A fé chegar perto de mim
Talvez possamos andar de mãos dadas
Por enquanto não nem sei por onde anda a fé
Comigo é que não é pois a fé é igual a verdade
Ninguém a conhece quem diz que a tem a conhece
Está a mentir não será livre nem estará liberto
Fé ilusão verdade utopias andam juntas
No mesmo caminho totalmente inverso ao
Caminho dos homens o homem vai pela esquerda
Vão pela direita o homem é cara
São coroa o homem desce
Sobem não se encontrarão nunca
Podemos até tentar fazer uma aproximação
Chegar mais ou menos perto
Mas sempre estarão anos-luz diante de nós
Todas as outras virtudes que almejamos ter quando
Almejamos pois tem gente que vive toda uma vida sem almejar nada
Não deseja não ambiciona
A não ser as coisas fáceis fúteis inúteis da vida
Continuarei a almejar o impossível
Um dia a fé mesmo que pouca

Pablo Neruda para Leonel Brizola:

NOVAS ILHAS, NOVOS RIOS, 
NOVOS VULCÕES FAZEM DO NOSSO CONTINENTE 
UMA NOVA GEOGRAFIA. 

QUEREMOS NOVA AGRICULTURA, 
OUTRAS FORÇAS JUVENIS, 
UMA SOCIEDADE MAIS PURA, 

NOVAS PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA 
QUE ESTÁ NASCENDO 
E QUE TEMOS O DEVER DE CONSTRUIR 

QUEM PODE ESTÁ CONTRA A VIDA? 
CELEBREMOS A CHEGADA DE BRIZOLA 
NO CENÁRIO DA AMÉRICA 
COMO UMA DESLUMBRANTE ENCARNAÇÃO 
DE NOSSAS ESPERANÇAS. 

ESTAMOS CANSADOS DA ROTINA DA MISÉRIA., 
DE IGNORÂNCIA, DE INJUSTIÇA ECONÔMICA. 
ABRAMOS O CAMINHO ÀQUELE QUE ENCARNA HOJE 
A POSSÍVEL CONSTRUÇÃO DO FUTURO.




                                                                                                                          PABLO NERUDA 


terça-feira, 3 de junho de 2014

Qual é a literatura que o povo dá valor?; BH, 02001002012; Publicado: BH, 030602014.

Qual é a literatura que o povo dá valor?
A literatura acadêmica ou de cordel?
Religiosa ou clássica ou erudita?
Que tipo de literatura agrada ao povo?
Gostaria de saber
Pois quem pensa que faz literatura
Porém não sabe se consegue atingir o
Objetivo numa literatura que não é
Catedrática
Não passou por formação superior
Pelo contrário
Foi concebida no rés-do-chão
Alimentada com erva daninha
Baseada em vis personagens do
Submundo dos subterrâneos
Muitos não quererão nem tomar algum
Conhecimento desta literatura do ralo
Das valas de esgoto a céu aberto
Dos dejetos dos guetos
Das celas lotadas de cadeias de
Presídios penitenciárias dominadas
Pelo crime organizado desorganizado
Muitos não quererão saber desta
Literatura de estrebaria
De manjedoura
Paupérrima em todos os sentidos
Literatura de bordel de
Zona do baixo meretrício
Se as coisas que mais vendem no mundo
São drogas sexo
É por que o povo gosta desse lado
Negro se gosta desse lado obscuro
Gostará desta literatura
Aqui encontrará sexo drogas
Álcool violência
Tudo que vende demais causa
Êxtase ao povo
É uma literatura sem religião
Sem religiosos
Isso o povo não encontrará aqui
É uma literatura sem igrejas
Tudo que é atrelado
Dogmas preconceitos
Tabus votos de castidade
Crismas batismos
Aqueles que são felizes
São salvos não têm motivos
Para tristezas desgraças
Misérias pobrezas maldições
Longe desta literatura
Quem vive com breviários
Terços crucifixos nas mãos
Distantes dela
Esta literatura é para quem tem
Motivos de sobras para morrer