segunda-feira, 1 de agosto de 2022

beleléu levaram o velho à casa de belial

beleléu levaram o velho à casa de belial
o velho não quis conversa
chegou à porta
deu trabalhos
no portal pirraçou cão velho molhado a
sacodir respingos
resquícios dos restos dos despojos surreais
a feder boduns de bodes pretos mal lavados
empacou no umbral aqui não é legal
na soleira a espernear a ir a outro
sobrenatural das assombrações nas sombras
das quebradas do beleléu tinhoso
não deixou barato em choro
ou chorinhos
ou chorões
chorumes
deu de cara com as caras das faces das
cabeças de cérbero
seus rostos de fauces
espantou cada falsa careta de carranca do
guardião
despachou o velho para outra dimensão
além da via-láctea onde às vistas da visão
universal o visionário extraordinário com o
indicador em riste tocou o indicado
moribundo de moringa cheia de inhaca
o velho imundo retorna ao mundo em
forma duma flor num vaso duma criança da
cor dum raio de sol

BH, 0701002021; Publicado: BH, 01º0802022.

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