segunda-feira, 14 de setembro de 2026

nem em tudo excedi-me na vida

nem em tudo excedi-me na vida
bebi demais comi demais vivi de
menos agora na hora da morte
escondo-me num cômodo dentro
duma gaveta mais profunda duma
cômoda velha agora na hora da
morte fujo para o quarto sujo
escrevo com medo de viver meus
últimos instantes como se tivesse
últimos instantes que já não os
tenho mais se ainda soubesse
rezar rezava se ainda soubesse orar
orava se ainda soubesse fazer uma
prece igual minha avó fazia
aproveitava a ocasião que desce
também fazia uma prece para a
minha redenção talvez assim
diminuiria em mim o medo do
meu fim não tive plenitude com
certeza não terei finitude de digno
do justo pois fui o varão ímpio não
terei um brilho no olimpo se chegar
por lá ó sujo saias já daqui desse
lugar reservado aos justos és um
ímpio dos mais sujos cujo caminho
perecerá sairei como uma vara na
correria sem olhar para atrás a
salvação será o primeiro bar da
madrugada que encontrar lar dos
boêmios solitários refúgio dos
corações que latejam na solidão
nos lajedos sombrios escorregadios

BH, 0280802026; Publicado: BH, 0140902026

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