não posso me julgar o pior dentre os homens
nem posso me julgar o pior entre os mortais
amantes ou o pior ser que respira este ar
poluído desta velha terra não posso me
julgar o pior de todos ou de todas as
pessoas sou um ser a buscar a procurar
a pagar um alto preço pela vida a enfrentar
árduos caminhos para conseguir encontrar
a verdadeira razão de viver do amor da paz
da felicidade não tenho culpa por aquilo que
sou nem tenho culpa pelo que não sou nem
posso me culpar por aquilo que penso só
tenho que me libertar deste sentimento de
culpa deste peso na consciência por todo
mal sofrimento toda dor que aflige ao mundo
inteiro não posso me sentir o mais morto
entre os mortos ou o mais mortal entre os
mortais tenho que chegar à conclusão de
que ser o que sou não o que fui ou o que
serei bravo forte destemido belo igual a um
bicho selvagem do mato virgem tenho que
chegar à conclusão de que não preciso
falar nada nem preciso mostrar nada ou
aparentar nada basta que seja e basta ser
pressentir n'alma no espírito o valor de ser
do ser não posso me julgar se sou só se
julga quem não é ou quem não encontrou a
ponte sólida sobre o abismo vive ainda a se
equilibrar na corda bamba ou na fina pinguela
de taquara de bambu sobre o caudaloso rio
do caos da vida sem sentido ou direção
RJ/1977; Publicado: BH, 040802021
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