nunca mais fiz amor com uma mulher
dizia cheio de cauim nunca mais amei
uma mulher dizia afogado em uva
nunca mais beijei uma boca reclamava
com a boca suja de vômito ou acariciei
um corpo de puta ou abracei uma
mulher meretriz ou segurei uma mão
duma quenga nunca mais fui homem
nem com uma travesti nunca mais fui
sexo nunca mais fiz sexo nem nas
sextas-feiras da paixão mulher
alguma me quis dizia com raiva com
rancor passou a ficar só a viver só
até o resto da vida virar resto mortal
nunca mais mais nunca nada o sangue
secou nas veias a vida secou sem amor
destruiu tudo não edificou nada matou
tudo pela falta de amor matou a si
próprio se enterrou vivo a se apodrecer
todo não sentiu mais nada não ficou
mais livre estigmatizou se amaldiçoou
nunca mais foi gente se fez gente fez
gente nunca mais será gente bêbado
praguejava o que pode fazer uma
mulher num todo dum tudo dum
homem com ranço o que pode mudar
uma mulher a não ser o transformar a nada
RJ/1977; Publicado: BH, 0110802021
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